A idolatria nossa de cada dia...

2 de nov. de 2012 |


Sempre pensei que a idolatria evangélica tinha como alvo nomes, ou seja, pessoas. Porém, com o tempo, novos nomes surgem, e o alvo da idolatria muda consequentemente. Então, penso que talvez a idolatria não fique restrita a nomes, mas a coisas num sentindo muito mais amplo.

Um exemplo? Música.

Muita gente idolatra a música. Dizem que a música tem poder de curar, libertar, salvar, etc. Porém, diversos textos bíblicos, atribuem estas habilidades a palavra/pregação/Jesus.

Talvez a idolatria seja direcionada ao efeito que a música causa nas pessoas, e por isso, como a música que emociona está ligada a um nome/pessoa, por tabela aquele nome/pessoa passa também a ser idolatrado.

Tem alguns temas que se tentarmos pensar fora da caixa, muita gente fica mordida, chateada, e como normalmente estas pessoas que só conseguem pensar dentro da caixa, não tem argumentos, partem pra agressão.

Então, observar um pastor televisivo pregando asneira e falar contra isso é tocar no ungido de Deus, logo, dentro desta visão, pecado mortal. Afinal, AI DAQUELES...

Dizer que a música é usada para fins lucrativos e dominativos, é pecado também... é errado. Por quê? Por que uma coisa que faz tão bem, emociona tanto a tantas pessoas, não pode ter fins mercadológicos ou de dominação em massa.

Sabe, realmente é muito complicado lidar com tanta idolatria... mas a pior idolatria é uma que ouvi recentemente dois amigos pregando e falando a respeito, a idolatria à nossa própria imagem.

Em busca de se mostrar mais santo, correto, com mais razão, com mais conhecimento - mesmo quando a realidade é absolutamente o contrário disso - muita gente perde enormes chances de aprender algo novo, pois, afinal, a imagem que criaram ao longo dos anos é algo que tem que permanecer intacta.

Ah, e dizedores de "não julgueis pra não ser julgado" dirão "não julgueis pra não ser julgado"...







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5 mentiras que a "igreja" me contou. #04

25 de out. de 2012 |


A vida cristã e a psicoterapia musical

Os efeitos da música sobre o ser humano são notórios. É fato consumado que a música tem o poder de alterar o estado de humor, transmitindo harmonia e paz. A música é uma linguagem que todos entendem e pode ser um elo para a união das pessoas.

A música é também um excelente instrumento para a educação. Quem nunca estudou musicalizando nomes de elementos químicos, personalidades históricas ou mesmo os livros da Bíblia? A música torna o aprendizado mais agradável e muito mais cognitivo.

Em virtude do poder e dos efeitos da música sobre o ser humano, a religião, desde os mais remotos tempos, sempre se utilizou da música. Um bom exemplo disso está descrito em Êxodo 15, que narra a música que Moisés compôs quando Deus livrou os hebreus dos egípcios. Você também deve se lembrar dos efeitos que a música tocada por Davi tinha sobre o perturbado rei Saul. No primeiro caso temos um uso litúrgico da música, no segundo, psicológico.

O Novo Testamento, inclusive, cita a música como um meio pedagógico no culto cristão. Leia Colossenses 3.16 e note como Paulo orientou a Igreja a usar hinos e cânticos espirituais para o ensino e admoestação dos seus membros. Agora compare a sugestão de Paulo com o uso que alguns grupos religiosos têm feito da música. Os mantras melódicos e as repetições de trechos de auto-ajuda substituíram o ensino doutrinário, privando a mente dos fiéis de avaliar a pregação e o conteúdo do culto que estão prestando a Deus.

Amparados pela bengala musical, os pregadores carismáticos arrebatam os fiéis que, embriagados, perdem a capacidade de discernir os espíritos, como orientou o apóstolo João. O culto se torna, desta maneira, um espaço alternativo de yoga pseudocrístã da qual ninguém sai edificado ou alimentado, mas inebriado e extasiado. Contudo, o êxtase passa... e o que resta? Nada. Fica apenas a vontade de sentir mais uma vez o efeito narcótico coletivo, um prato cheio para pregadores vazios.

Alexandre Milhoranza
Alexandre Milhoranza - Convidado Especial
Alexandre Milhoranza é analista de sistemas e estudante de teologia. Muito bem casado com a Ana Claudia e pai da Bárbara e do Eduardo, seus mini filósofos de plantão.
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Este texto faz parte da série '5 mentiras que a "igreja" me contou'. Desenvolvida especialmente por Alexandre Milhoranza para o #JuveMetodista BLOG.

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Louvor é coisa séria

2 de out. de 2012 |


Igreja, música, gospel, secular, mundano, certo, errado, pode e não pode. Aposto que todas essas palavras estão frequentemente em nossas discussões sobre músicas, quando relacionadas à igreja. Entretanto, uma situação me chamou a atenção quando assistia a esta grata surpresa, que é o programa The Voice Brasil. Percebi que, nas duas audições já exibidas na TV, os jurados se depararam com candidatos que iniciaram sua trajetória como músicos em igrejas evangélicas e hoje vivem da música, mas estão distantes da igreja. 

Essa não é uma situação nada difícil de encontrar. Em qualquer pesquisa por aí, você vai descobrir que grandes nomes da música começaram a cantar ou tocar os corinhos da igreja. Alguns exemplos: Elvis Presley, U2, Evanescence e Coldplay. É muito comum crianças crescerem tocando nas igrejas; logo se tornam excelentes músicos, já que passaram boa parte do tempo convivendo com os cânticos louvores. 

O que me intriga é nossa tamanha capacidade em produzir ídolos para os outros, uma vez que essas pessoas poderiam utilizar seus dons para proclamar o evangelho. Nessa trajetória entre mundo, igreja e música, existem vários casos. Há aqueles que acham que o altar é lugar de show e, quando percebem que não é esse o propósito, caem fora. Há também aqueles que acham que são os donos do ministério e engessam o talento dos outros; aqueles que só tocam e não sabem nem o que estão fazendo por ali; aqueles que isso, aqueles que aquilo... poderia passar um mês citando problemas, mas sirvo a um Deus que é maior do que qualquer problema. 

Desde os primórdios a música é um elemento fundamental no louvor e na adoração a Deus e, com certeza, quem está em um ministério ligado à música é bastante tentado pelo inimigo. E, nem sempre, estamos preparados para isso. 

Pouco me importa o motivo pelo qual Elvis Presley deixou a igreja, para fazer sucesso como o rei do rock. Quero realmente saber, e sempre me lembrar, que o louvor sara, cura e liberta. Nem sempre temos a dimensão de que, quando estamos à frente da igreja, estamos ali apenas para conduzir a igreja à adoração. Estar na frente, mexe com o ego, com o orgulho, com a vontade de aparecer, e por isso que é difícil. 

Cada vez que ouço um grupo de louvor tocando, me lembro que Davi tocava sua Harpa e tranquilizava Saul. “E sucedia que, quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele” I Samuel 16:23. Com certeza, para ser usado por Deus, Davi estava cheio de Deus e cheio de unção, e tinha buscado, se esforçado para isso. 

Ministério de Louvor é um negócio muito sério. Não adianta ter talento e não se colocar aos pés do Senhor. Nada contra quem quer participar de um programa para se tornar uma estrela, cada um na sua, pode até dar certo no final. Mas posso frisar que não há nada melhor que você usar o seu dom para fazer a vontade de Deus.

Filipe Souza
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Cristão, jornalista e observador. Quero apenas aprender com tudo que acontece ao meu redor e poder compartilhar isso com as pessoas. É isso!
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Deixe-se afinar

30 de ago. de 2012 |


“Minha vida é uma canção, onde Ele é o refrão!”
Ele ouve a minha voz – Lucas Nobuo.

Imagine que você está assistindo a um culto e se inicia o momento do louvor. O ministério de música preparado para a primeira canção. Todos são grandes instrumentistas, de capacidade indubitável, o que deixa a igreja certa de que uma música bem executada soará aos seus ouvidos. Ao começar a música, percebe-se a guitarra totalmente desafinada: o pobre do guitarrista, extremamente constrangido, lembra-se de que não se atentou para a afinação. A feição da igreja muda e toda a canção ficou comprometida. O guitarrista, muito competente, está dando o seu melhor; porém, em vão, pois o instrumento está desafinado. O guitarrista terá de parar sua performance para afinar o instrumento, tensionando cada corda. Para os demais instrumentistas, há duas opções: ou se para tudo até a devida afinação, ou continuam a canção sem a participação da guitarra, proporcionando certo vazio à música.

Fazendo uma analogia, muitas vezes nós somos esta guitarra desafinada, fazendo parte da canção que é o Reino de Deus. Deus, o grande guitarrista, insiste em contar conosco nesta execução, mas nós somos instrumentos teimosos, que têm vida própria e, muitas vezes, não nos deixamos afinar. O pior de tudo é que muitos irmãos ao nosso lado, são instrumentos de qualidade e excelentemente afinados, mas o nosso desajuste acaba por comprometer o trabalho deles também.

Se você está se enxergando neste cenário, tenha em mente uma simples coisa: você não é a melhor guitarra que Deus tem, mas é com você que Ele quer executar certas canções. A única prerrogativa é: DEIXE-SE AFINAR. Mesmo que a tensão aplicada às suas cordas doa um pouco, DEIXE-SE AFINAR, pois a música que sai da sua vida pode contagiar o mundo. Quando você se deixa ser tocado por Deus, a melodia que sai de suas palavras impacta o ambiente em que você está inserido e, junto com os seus outros irmãos, você poderá fazer o concerto mais perfeito, executado e regido pelo nosso Criador, maior cantor, compositor, instrumentista e poeta de todos os tempos.

No entanto, se você estiver desafinado, a música que sai de você, além de extremamente desagradável, de nada valerá!

Pergunte hoje para Deus: Qual será o som que sai de mim?









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Cantai ao Senhor um cântico novo

14 de jun. de 2012 |


"Cantai ao Senhor um cântico novo." (SL 96. 1 -6)

A palavra de Deus apresenta, por diversas vezes, momentos em que suas personagens demonstram algum tipo de emoção ou manifestação por meio da canção. Todos sabem o quanto é importante o ato de cantar e o quanto ele faz bem para o corpo e para a alma. A tônica de hoje é apresentar três momentos em que sua canção move o coração de Deus.


Fidelidade a Deus, independente da situação:

Canção de Habacuque 3: o profeta Habacuque, vendo a iniquidade de Judá, sabendo das consequências desta inquidade, ora a Deus em forma de canto, declarando que, independente do peso da mão de Deus, o mesmo seria fiel. Ele nos ensina a sermos fieis na iminência da adversidade.

O fim do seu silêncio


Cântico de Zacarias (Lc 1.67 a 79): cantar liberando o grito da alma após o período de silêncio; Zacarias era um sacerdote que tinha o sonho de ter um filho, mas era avançado em idade, assim como sua esposa, e a mesma era estéril. Uma vez, ele entra no templo para oferecer incenso ao Senhor, aparece-lhe um anjo dizendo que a oração dele havia sido ouvida, que ele teria um filho de nome João. O anjo também disse que Zacarias ficaria mudo até que tudo ocorresse. O mesmo voltou a falar, com esta canção, no dia da circuncisão do filho. Muitas vezes nosso silêncio pode ser uma estratégia de Deus, mas pode ser um sinal da tristeza do nosso coração. Um clamor em forma de canção é o sinal da atenção de Deus e da transformação dos fatos;


A proclamação da misericórdia e ação de Deus:

Cântico de Maria (Lc. 1.39 a 45): cantar adorando a Deus pela confirmação de uma grande bênção; quando Maria é reconhecida por Isabel como a mãe do Messias, ela adora a Deus agradecendo pela misericórdia de ser usada por Ele para fazer-se cumprir uma grande obra. Quando estamos na brecha, Deus nos usa para coisas que, a nosso ver, nós não seríamos capazes. Quando vemos Deus se manifestar por meio de nós, devemos cantar a Deus agradecendo a sua misericórdia;

Em síntese, não importa se exista a iminência da dor, se a dor está prestes a ser vencida ou se a vitória já chegou; não importa se você é um excelente cantor ou se é desafinado e se tem dificuldade com o ritmo; cante a Deus um cântico novo e que seja Ele, sempre, o motivo da sua canção.








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Ah, é pra Deus! | Parte 05 - Final | Artes

24 de mai. de 2012 |


E aí, pessoal, tudo bem?! Antes de qualquer coisa, quero pedir perdão pela demora absurda em publicar a continuação da série "Ah, é pra Deus!". Quero agradecer também a todos vocês que estão acompanhando esta longa série; tenho recebido muitos feedbacks, e isso é muito importante e motivador!

Hoje, o assunto é o que talvez seja o mais polêmico de todos que já levantei durante esta série. Vou começar com uma pergunta:

Existe arte cristã?
Quais os critérios que podemos usar pra dizer que uma manifestação artística é cristã ou não? Sabe-se que alguns acordes chegaram até a ser chamados de "acordes do diabo" pela igreja medieval, e tantas outras manifestações artísticas ao longo da história, foram proibidas ou marginalizadas por não expressarem conceitos ou ideias claramente cristãs. (Inevitavelmente citarei mais casos ligados à música, por motivos óbvios. Não tenho muitos argumentos sobre outras manifestações artísticas, mas isso não quer dizer que estas coisas não se apliquem a tudo!)

Hoje, o sentido da exclamação que nos acompanha desde o primeiro post, talvez fique um pouco diferente. O "Ah, é pra Deus!", até então, servia pra enfatizar a ideia de fazer algo desleixadamente, por acreditar que Deus aceita qualquer coisa feita de boa vontade; mas hoje, nossa frase será usada num contexto um pouco diferente, agregando, portanto, outro significado.

Anos atrás, conheci a história de um baixista que era "levita" (sério que ainda tem gente que usa esse termo? Isso é errado,galera!) na sua igreja, mas era fã do bom rock nacional dos anos 80/90. Ele era um músico aplicado e possuía seu próprio instrumento; o fato curioso na história deste rapaz é exatamente este: o instrumento. Ele possuía um instrumento consagrado, que só usava pra tocar na igreja e músicas cristãs e um instrumento não consagrado, que era usado pra tocar músicas seculares.

A inquietação que esta história gera em mim é a seguinte: Esse cara tinha 2 pares de mãos também? Dois corações? Duas mentes?

Deixo claro que não estou chamando o cara de hipócrita ou algo do tipo. Infelizmente, muita gente aprende muita coisa errada na igreja e muitos dos que deveriam ensinar de forma correta não se preocupam muito com isso. Proibir sempre foi mais fácil que orientar. O problema são as consequências.

Vamos pensar um pouco sobre isso:

"Joãozinho era um jovem incomum... das mãos dele, pingava tinta azul. Tudo o que ele fazia com as mãos ficava colorido de tinta azul. Nem precisava pensar muito pra descobrir quem tinha deixado a torneira aberta, ou tirado a roupa do varal. Também era fácil saber quem havia sentado na carteira da classe escolar. Tudo em que Joãozinho tocava, ficava manchado de azul." [Estorinha besta que acabo de inventar]

Fazendo uma ligação da história do Joãozinho, com a história do baixista e o tema do post, gostaria de fazer outra pergunta:

Existe a possibilidade de um cristão produzir arte sem que ela contenha resquícios de sua fé?

Existe uma ideia muito difundida que faz da arte uma prisioneira de momentos litúrgicos e evangelísticos. Como se fosse uma especie de pecado mortal, um sujeito cristão fazer arte pela arte.

Mas... "Ah, é pra Deus!", tem que ter o nome de Jesus na letra da música, tem que dançar música com letra evangélica, tem que fazer teatro só representando textos bíblicos, tem que escrever poesia que fale sobre Deus... e por aí vai...

Será mesmo? Cristãos, pessoas que realmente conhecem a Deus e têm uma fé genuína e verdadeira, conseguem dissociar sua fé daquilo que desenvolvem? Será mesmo que precisamos rotular a arte entre cristã, secular, pagã, religiosa, demoníaca, etc?

Se olharmos para a música popular brasileira, veremos vários artistas que não se declaram umbandistas, budistas, espíritas, etc; Mas, após poucos minutos de contato com o que desenvolvem, nós conseguimos identificar que sua arte é ligada à sua fé. Mas, se você entrar numa loja de CDs (isso ainda existe?) não vai encontrar categorias de música umbandista, budista, espírita... a única arte que faz questão de se separar é a considerada cristã. E, sejamos sinceros: se nós tirarmos a letra de músicas rotuladas como seculares e colocarmos uma letra que fale de Deus, esta música é considerada cristã por qualquer idiota ser humano. E se fizermos o contrário também.

Qual é o foco da nossa vida?! Tudo o que fizermos, inevitavelmente, fará referência a isso. Então, por que não libertar a arte?

Conclusão:

Muito poderia ser dito sobre vários temas relacionados a tudo que pode ser desenvolvido pra Deus, independente da área de atuação. Como disse no primeiro post, compartilhei um pouco sobre o eu vivenciei até hoje e espero realmente que estes textos tenham servido como forma de esclarecimento e/ou reafirmação de conhecimentos que você já tinha. Se alguém me pedisse pra resumir esta série em poucas palavras, usaria apenas 1 versículo:

" ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’." [Lucas 10:27]

O amor a Deus, sua criação e às pessoas que Ele criou, deve ser a maior motivação quando pensarmos em desenvolver o que quer que seja. Agindo assim, inevitavelmente faremos o melhor, mesmo que pra isso precisemos investir tempo nos especializando em algo! 

Deus se importa, sim, com qualidade; porém, se ela vier dissociada de um coração submisso à vontade d'Ele, não resolve muita coisa. Pra tudo deve haver equilíbrio. Técnica, aliada ao amor a Deus e obediência à sua vontade é o melhor caminho pra que se desenvolvam ótimos trabalhos para Deus, seu Reino ou para a igreja local. 

Forte abraço, muito obrigado por acompanhar esta série! Gostaria de saber o que você achou. Por favor, deixe sua opinião nos comentários! 

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Moacir Santos - Coisa nº5

26 de abr. de 2012 |


Há quinze dias publiquei um texto sobre uma obra do maestro brasileiro Moacir Santos que se encontra no link: Coisa n°3. Dando continuidade, hoje aprenderemos um pouco sobre sua obra “Coisa nº5”.

Diferente do texto anterior, não farei uma análise técnica da música. Minha intenção aqui, primeiramente, é divulgar o maestro, que foi mestre de tantos como João Donato, Baden Powell, Nara Leão, Roberto Menescal, Flora Purim, entre vários outros, e continua ensinando nos dias atuais, mesmo que indiretamente, pois sem dúvida sua obra perdurará eternamente; e mostrar especificamente através da Coisa nº5, as variadas formações e versões de uma mesma música.

Coisa nº5, encontrada no disco “Coisas” de Moacir, é uma versão instrumental, com elementos afros em evidencia, harmonia sofisticada, instrumentação com um caráter sinfônico diferenciado, presença do tema e improviso – características da música erudita, do jazz, da música afro-brasileira, tudo muito bem condensando em uma mesma obra, em uma mesma vida! A marca registrada de Moacir.

Abaixo a gravação de Coisa nº5 do disco “Coisas”:




Essa é considerada a obra mais conhecida de Moacir, com uma parceria com “Mario Telles”, que compôs uma letra para a mesma que passou a se chamar “Nanã”. A música foi o tema principal do filme: “Ganga-Zumba” (de Cacá Diegues).

Deixo uma versão cantada para apreciação:



Garimpando o Youtube, achei um trecho do filme “Ganga-Zumba”, no qual Moacir fez a trilha, O tema ouvido no início da cena é o da “Coisa nº9”; e a partir dos 6:00min aprox. o próprio Moacir cantarola a melodia de “coisa nº5”. Cena rara! Confiram:


Finalizando com chave de ouro, deixo uma última versão, essa de cunho bem jazzístico, com Stefano Bollani (piano), Zé Nogueira (sax soprano), Mirko Guerrini (sax tenor), Nico Gori (clarinete), Marco Pereira (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Jurim Moreira (bateria) e Armando Marçal (percussão). Time da pesada! Confiram:



Espero que curtam, escutem Moacir sem moderação!

Abraço,

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Coisa nº3 - Moacir Santos

12 de abr. de 2012 |


Olá, nesse post quero apresentar, caso não a conheça, uma das várias e grandes obras do Maestro brasileiro “Moacir Santos”, chamada “Coisa nº3”.

Foi gravada originalmente no disco “Coisas” de Moacir Santos, o qual contém 10 faixas, todas denominadas como “coisas”, apenas a numeração as diferenciam, exemplo: coisa nº1; coisa nº2, e assim sucessivamente. Ao justificar a nomeação de sua obra, Moacir disse que não podia compará-la com uma obra de verdade, que sua música era uma “coisa” qualquer, fato que comprova sua tamanha humildade, haja vista que é considerado um dos maiores compositores brasileiros do século XX e XXI.

Especificamente a “Coisa nº3, deixa evidente uma das principais características de Moacir, que é dificuldade de ser classificado como “Erudito” ou “Popular”, pois o caráter sinfônico pende muito para o primeiro, e os elementos afro-brasileiros ea harmonia jazzística para o segundo. A obra inicia-se com um duo no mínimo inusitado de piano e percussão que vai até os 1:20 min aproximadamente; a percussão é responsável por um ostinato (repetição) rítmico que sustenta a música até o fim, o que remete à característica supracitada dos elementos afro-brasileiros, ea base harmônica do piano e algumas vezes até mesmo a melodia segue o mesmo desenho rítmico.

O piano prepara a entrada dos demais instrumentos com um “crescendo” e sai de cena subitamente; agora o que era feito por ele passa para a orquestra com metais, madeiras, contra-baixo, guitarra elétrica e vibrafone. Os instrumentos como flauta, trompete e clarinete são responsáveis pela melodia, os mais graves como trombone, saxofone barítono e trompa pelos BG's, a guitarra elétrica eo vibrafone fazem melodias curtas de efeito.

Abaixo o áudio retirado do disco “Coisas”:




No link abaixo você encontra disponível para download o disco “Coisas” e vários outros de Moacir Santos:

Espero que essa leitura e escuta possa despertar interesse em conhecer um pouco mais sobre esse grande nome da música brasileira.

Outras “coisas” lindas virão por aí, aguardem!

Abraço,

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Uma Noite em 67 - #03: A Música de Edu

29 de mar. de 2012 |


Se você acompanhou os textos anteriores dessa série, talvez tenha se perguntando em algum momento: quem ganhou esse festival? Caso não tenha os lido veja em http://goo.gl/bhGcN. Ressalto que essa série é apenas um resumo do documentário “Uma Noite em 67”, e para quem quer entender todos os detalhes dessa noite histórica é necessário assisti-lo na íntegra.

Respondendo a pergunta anterior, o ganhador desse festival foi “Edu Lobo”. Ele conseguiu o primeiro lugar com a belíssima canção “Ponteio”, parceria com “Capinan”. Edu representou muita coisa para o festival, já o festival não representou tanto para ele, mesmo tendo o ganhado, tanto que logo após sua vitória, viajou para uma turnê na França, afim óbvio, de oportunidade de trabalho, mas mais do que isso, foi para se livrar do assédio do primeiro lugar no festival, e da obrigação de cantar “Ponteio” em todos os shows que fizesse no Brasil.

Edu é um caso à parte comparado aos demais compositores e interpretes brasileiros, não é a toa que é considerado a terceira pessoa da “trindade da música brasileira”, precedido por Heitor Villa-Lobos, e Tom Jobim respectivamente. Aos 23 anos, época do festival, sua música já era muito bem feita, mas diferente de muitos artistas brasileiros, ele não se acomodou com o sucesso, e foi estudar música de verdade, o que o transformou num compositor de altíssima qualidade.

Se você é músico (musicista), ou apenas um admirador de música brasileira de qualidade e ainda não conhece esse cara, invista seu tempo pesquisando sua arte, e o melhor de tudo é que ele ainda está vivo, normalmente só se fala bem de artistas falecidos, nesse caso, se você der sorte, ainda poderá vê-lo pessoalmente.

Abaixo o vídeo da apresentação de “Ponteio” no festival de 67, e um breve trecho do documentário, confiram:









Deixo outra dele que gosto muito : ”Vento Bravo” (1973)






Se interessou? Quer saber mais? Confira seu site oficial: http://www.edulobo.com.br/site/

Espero que curtam, Abraço.


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Música Sacra Luterana

21 de mar. de 2012 |


É bem interessante para nós protestantes da atualidade conhecer um pouco sobre os primórdios também da música sacra protestante, uma vez que é uma modalidade de trabalho que é utilizado em qualquer momento cúltico: prelúdio, confissão, louvor, ofertório, comunhão, sacramentos, dedicação, batismos e algumas vezes de plano de fundo enquanto alguém fala ou prega. Nada melhor do que ler um pouco sobre a música na primeira instituição protestante, a Luterana. Apesar de tratar um assunto antigo, o texto se mostra bem atual quanto às ideologias como de partidos existentes na comunidade cristã de hoje. Ver-se-á também que a extravagância e sentimentalismo exacerbado em canções não são características somente da nossa era musical cristã dos que se dizem avivados, como os petistas tratados no texto. Além de tudo um pouco sobre primórdios música congregacional, o estilo, e sua primeira finalidade, que não era ser congregacional.

Segue abaixo um aperitivo para conhecer um pouco mais sobre nós mesmos no quesito Música.

“O período compreendido entre 1650 e 1750 foi a idade de ouro da música sacra luterana. Depois dos estragos causados pela guerra dos Trinta Anos, as instituições eclesiásticas dos territórios luteranos da Alemanha foram rapidamente restauradas. A atividade de composição musical sofreu a influência de duas tendências opostas dentro da Igreja. O partido ortodoxo, fiel ao dogma estabelecido e às formas institucionais e públicas do culto, favorecia o uso, nos serviços religiosos, de todos os recursos disponíveis da música coral e instrumental. Oposto à ortodoxia era o movimento amplamente difundido conhecido como pietismo, que colocava a ênfase na liberdade do crente individual; os petistas desconfiavam do formalismo e da grande arte no domínio do culto e preferiam uma música de caráter mais simples, exprimindo os sentimentos pessoais de devoção.

| CORAIS | 

A herança musical comum de todos os compositores luteranos era o coral, que remontava aos primeiros tempos da Reforma. Acrescento notável ao número de corais já existentes foram os hinos de Paul Geerhardt (1607-1676), escritos em meados do século XVII. Muitos dos textos de Gerhardt foram musicados por Johann Crüger, de Berlim (1598-1662). Crüger reviu e publicou em 1647 uma coletânea intitulada Praxis pietalis mélica (Prática da Piedade na Canção), que se tornou o cancioneiro luterano mais influente da segunda metade do século. As canções da Praxis pietalis mélica e dos seis muitos sucessores, incluindo a importante coletânea de Freyling-Hausen de 1704, não se destinavam originalmente a se cantadas pela congregação, mas sim à execução doméstica; só muito gradualmente é que estas novas melodias foram sendo introduzidas nos hinários oficiais do século XVIII. Entretanto, a prática cada vez mais corrente do canto congregacional de corais com acompanhamento de órgão fomentou a produção de composições num novo estilo, onde as antigas irregularidades métricas se foram gradualmente atenuando, dando lugar a um movimento uniforme de notas iguais, com o fim de cada frase assinalado por uma fermata – em suma, o tipo de coral com que nos familiriarizaram as obras de J. S. Bach.

O enorme incremento da produção de canções religiosas na segunda metade do século XVII foi acompanhado por um declínio geral da qualidade musical e poética. Muitos dos textos petistas exprimiam atitudes religiosas egocêntricas e sentimentais numa linguagem extravagante emotiva, enquanto as tentativas para conferir à musica um caráter simples e popular muitas vezes resultavam apenas também em mediocridade. Só depois de 1700 é que as correntes opostas do pietismo e da ortodoxia conseguiram chegar a uma união benéfica para ambas. Entretanto, a evolução musical relevante teve lugar nos centros ortodoxos, onde o ambiente era favorável e os recursos materiais adequados à manutenção de um alto nível artístico.”

Obrigado pela leitura. Volte sempre.


 

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Uma Noite em 67 - #02: A Marcha contra Guitarra Elétrica.

15 de mar. de 2012 |


Estamos no meio de uma série de textos sobre o documentário “Uma Noite em 67”, que trata do Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record no ano de 1967. Como citado no post anterior da série, devido a alguns acontecimentos, esse festival foi especial em relação a outros. 
Neste post tratarei de um momento histórico da música popular brasileira, na verdade, mais polêmico do que histórico. Trata-se de um movimento organizado por músicos da “Mpb” que eram contra a introdução da “guitarra elétrica” em suas músicas, alegando que, junto com esse instrumento “americanizado”, viriam muitas outras coisas que tirariam o caráter “nativo” dessa música.

No dia 17 de julho de 1967, dois meses antes do festival, vários artistas, entre eles, Elis Regina, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, foram para as ruas protestar. Contra a ditadura militar? A favor do direito de expressão artística? Não,. Pasmem, mas foi contra a guitarra elétrica. 

Muitos foram contra esse movimento, que particularmente acho que foi totalmente desnecessário, próximo ao ridículo. “Caetano Veloso” foi um deles, e mais do que isso, no festival ele contou com a participação de um grupo de jovens argentinos, músicos de rock, os “Beat Boys”, que introduziram no arranjo de sua canção “Alegria, Alegria”, o som das guitarras elétricas. 

Confiram alguns depoimentos extraídos do documentário e a execução de “Alegria, Alegria” de Caetano:




O caso que considero mais inexplicável foi o de “Gilberto Gil”. Antes de qualquer coisa eu quero deixar claro que o considero um dos maiores músicos do mundo; o cara é genial, sua contribuição para a música brasileira é indiscutível, porém, fez um papel que considero lamentável. Participou da Marcha contra a guitarra elétrica e, dois meses depois, participou do festival concorrendo com sua canção “Domingo no Parque” com a participação dos “Mutantes”, que, como sabemos, é uma banda de “Rock Brasileiro”, e usou guitarra elétrica nessa ocasião. Confesso que essa do Gil eu não entendi... enfim, sua arte é maior que isso tudo e prefiro me apegar a ela a esses acontecimentos isolados.

Confiram: 





Abraços,

 

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Música Sacra Anglicana.

7 de mar. de 2012 |


As formas principais da música sacra anglicana a seguir à restauração da monarquia inglesa continuaram a ser as mesmas da primeira metade do século (XVII), ou seja, hinos e serviços. Entre os muitos compositores ingleses de música sacra foram John Blow e Henry Purcell os que mais se destacaram. Como Carlos II dava preferência ao canto solístico com acompanhamento orquestral, foram produzidos muitos hinos do tipo designado por verse anthem (estilo de hino que alterna entre seções para uma voz solo e o coro completo), como Hear O Heav’ns (NAWM 88), de Pelham Humphrey (1647-1674)
| NAWM 88 – Pelham Humphrey, verse anthem: Hear O Heav’ns |

Este hino combina uma harmonia marcadamente inglesa com influências do continente, onde Pelham passou três anos (1664-1667), em França e Itália. As linhas solísticas são escritas numa espécie de recitativo medido francês aplicado a um estilo extremamente retórico, cheio de apoggiaturas suspirantes e de cromatismos plangentes. Este aspecto conjuga-se com a predilecção inglesa pelos intervalos aumentados e diminuídos utilizados melodicamente, em falsas relações, e na harmonia. O resultado é um estilo ricamente expressivo.

Os hinos para as cerimónias de coroação eram, como seria de esperar, obras especialmente elaboradas; disso são exemplo My Heart is Inditing (O Meu Coração Compõe), de Purcell, ou o esplêndido hino de coroação de Blow. Não foram poucos os compositores de verse anthems da restauração inglesa que acabaram por cair numa certa trivialidade com as suas tentativas de arremedarem os atractivos da música teatral. Em contrapartida, manteve-se um nível mais homogêneo de excelência musical nos menos pretenciosos hinos catedralícios ou plenos full anthems) para coro sem solistas, de que temos um belo exemplo na obra mais antiga, a quatro vozes, de Purcell, Thou Knowest, Lord, The Secrets of Our Hearts (Vós conheceis, Senhor, os segredos dos nossos corações), hino para o funeral da rainha Mary II, filha do último monarca Católico das ilhas britânicas, James II e VII. Encontramos alguma melhor música sacra de Purcell nas suas composições sobre textos não litúrgicos, peças para uma ou mais vozes solistas, geralmente num estilo arioso rapsódico com acompanhamento de contínuo (baixo contínuo), manifestamente destinadas a um uso religioso privado.

Ouça os exemplos abaixo e assimile a textura sonora, o estilo da época por mais que seja estranho ter contato com essas obras. Vale a pena conhecer. E em breve mais sobre Música Sacra do final do século XVII nos próximos posts!

FONTE: História da Música Ocidental, GROUT, Donald J. e PALISCA Claude V. - Editora Gradiva. Lisboa, 2007.

Para experimentar:

Purcell, My Heart is Inditing:



Purcell, Thou Knowest, Lord, the Secrets of Our Heart:



John Blow, O Pray for the Peace of Jerusalem:

Pelham Humphrey, By the Waters of Babylon:



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Uma Noite em 67 Parte 1: Uma noite de vaias

1 de mar. de 2012 |


Em busca de um bom referencial para falar de música popular brasileira, recordei-me de um documentário riquíssimo, direção de Renato Terra e Renato Calil, que outrora havia assistido. Ele trata especificamente de um festival de música popular brasileira que a TV Record produzia, o qual sintetiza vários aspectos dessa arte na década de 60. O documentário se chama “Uma Noite em 67” e pode ser encontrado, na íntegra, nos “4shared da vida”, e eu recomendo muito que assistam. Como o nome sugere, o festival em questão ocorreu no ano de 1967. Baseando-me na sequência de assuntos que nele é tratado, discutirei um pouco, como citado acima, sobre os aspectos de nossa música popular.

Este foi o 3º Festival da Música Popular Brasileira organizado pela Tv Record e dá pra desconfiar que tenha sido especial em relação aos outros, ao ponto de ganhar um documentário só para ele. Em depoimento, o diretor da Tv Record, Paulinho Machado de Carvalho, confessou que organizava os festivais pensando em espetáculos de luta livre, escolhia os cantores comparando-os com personagens como o “vilão”, o “mocinho”, o “pai da moça”, entre outros. Um fato interessante é que a plateia, com sua participação ativa e vibrante, tornou-se também uma personagem da história; esse fato é evidente nas imagens gravadas. 

Com o tempo e a sequência de festivais ocorridos, passou-se a utilizar o termo “música de festival” – canção que cativa a plateia na primeira escuta. Os compositores compunham já pensando na aprovação do público. Isso, de certa forma, criou um estilo diferenciado de canção. Quando algum compositor, por ousadia, tentava fugir desse padrão, certamente era vaiado.

Houve um caso absurdo no festival de 67. O cantor e compositor “Sérgio Ricardo” apresentou sua canção “Beto Bom de Bola”, com um arranjo inteiramente modificado, desconhecido pelo público. No momento em que o apresentador dá essa notícia, a plateia vai ao delírio, vaiando-o sem cessar. Sérgio Ricardo perde completamente a cabeça, canta totalmente “semitonado” e faz um show à parte. Vale muito a pena conferir abaixo:



rs, deu a louca no Sérgio, que, com essa atitude, foi desclassificado do festival.

Outro acontecimento interessante ocorreu com “Roberto Carlos”. Como tudo era manipulado, “obrigaram-no” a cantar um samba, “Maria, Carnaval e Cinzas de Luiz Carlos Paraná”. O público estava acostumado a ouvir Roberto cantando “Jovem Guarda”. No que isso deu? Vaias, muitas vaias... havia uma torcida organizada contra ele. Mas Roberto não é “rei” à toa. O cara, elegantemente, venceu a plateia, sendo ovacionado como se deve ser e conseguindo o modesto quinto lugar. Confiram:




Você pode notar que a plateia era muito envolvida, mas, ao mesmo tempo, muito chata! Ora aplaudindo, ora vaiando, sempre protestando. Há uma explicação óbvia para esse fenômeno: a década de 60 era década de “ditadura”, de repressão; não podia se pensar no Brasil, muito menos protestar, inclusive, muitos dos artistas, que serão citados no decorrer dessa série, foram presos e até exilados devido a isso. Esses festivais eram uma forma dessa massa soltar toda raiva que estava oprimida... e os “Sérgios Ricardos” da vida que se virassem.

Segundo palavras do realizador do festival, Solano Ribeiro: “O festival nada mais era que um programa de TV”. “Ele adquiriu uma importância histórica, política, sociológica, musical e transcendental”.

Nos próximos posts continuarei a falar sobre esse período e artistas da música brasileira. Espero muito que curtam!

Abraço.

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Hinologia Cristã, um movimento [HCC]

22 de fev. de 2012 |


HINÁRIO PARA CULTO CRISTÃO

PREFÁCIO

"O cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã. Um hinário é uma coletânea de cânticos que, além de refletir quem somos, indica o estágio em que nos encontramos nessa trajetória cristã. Além disso, prevê quem seremos e medirá, no percurso, nossa estatura espiritual. O formato, o estilo, e a disposição do conteúdo de um hinário definem os dias e a época de seu uso.

A Comissão que compilou o Hinário Para o culto Cristão procurou levar em conta quem somos, procedendo de extensa pesquisa dos hinos mais cantados em nossas igrejas, examinando a histórica revisão de 1958 do Cantor Cristão e utilizando o acervo da hinódia brasileira.

Cânticos hinologicamente históricos se encontram junto a hinos inéditos. Textos de grande valor, mas até agora pouco cantados, têm maior atração por causa de suas novas melodias. Há muitas músicas novas e outras muito antigas. Há inovações melódicas, rítmicas e harmônicas. Grandes lacunas de assuntos foram preenchidas com hinos sobre a Trindade, a Bíblia, o Espírito Santo, a Ceia e o Batismo. Este hinário contém hinos também para ocasiões especiais como Apresentação de Crianças, Dedicação de Templos, Casamento e Aniversários. 

Ao trabalho árduo de coletar, escolher, documentar e organizar o material do hinário, somou-se a busca espiritual da vontade de Deus quanto ao seu conteúdo. Quem seremos e como cresceremos espiritualmente ao usá-lo? Lembramo-nos, também, que Deus deseja que o adoremos “em espírito e em verdade” (Jo 4.24), que cantemos “com o espírito, mas também com o entendimento” (1Co14.15), adequando-nos e sabendo que ele é Deus (Sl 46.10), buscando a sua face (Sl 24.6).

As passagens bíblicas, que acompanham o título de cada hino, têm o propósito de provocar a reflexão sobre o conteúdo da letra. As leituras bíblicas ajudarão a congregação a expressar, a uma só voz ou alternadamente, grandes verdades relacionadas aos assuntos dos hinos. Tanto as leituras quanto as letras poderão ser usadas para a prática da devoção pessoal, familiar, ou em grupos maiores.

Os índices serão úteis a todos, especialmente aos que planejam ordens de culto.

As mudanças em letras de hinos já conhecidos foram feitas seguindo critérios linguísticos, gramaticais, poéticos, hinológicos e teológicos.

Essas mudanças podem ser analisadas, comparando-se o antigo texto com o novo, lendo-os em alta voz e procurando compreender a nova forma. A Comissão espera que este hinário seja revisto, possivelmente a cada dez anos, para mantê-lo atualizado e útil.

Todos que contribuíram para o preparo do Hinário Para Culto Cristão agradecem a Deus o privilégio de participar desse grande empreendimento. Sentimos a responsabilidade de refletir quem somos e discernir quem seremos, através das mensagens cantadas e lidas. O objetivo da Comissão é ver a Igreja crescer em sua adoração a Deus, em seu conhecimento espiritual, em seu fervor evangelístico e em seu ministério na vizinhança, no país e no mundo.

“Escreva-se isto para a geração futura, para que um povo que está por vir louve ao Senhor”
(Sl 102.18).

Pela Comissão do Hinário para Culto Cristão,

Joan Larie Sutton, Coordenadora Geral."

Este artigo faz parte da série "Hinologia Cristã, um movimento" para saber mais sobre o assunto leia também: Parte 01, Parte 02, Parte 03, Parte 04 e Parte 05.

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Hinologia Cristã, um movimento ["Cantai ao Senhor"]

20 de fev. de 2012 |


O hinário Adventista “Cantai ao Senhor” traz, em seus textos de apresentação, a preocupação laboral das obras musicais. Nada feito a “toque de caixa” ou tirado de detrás da orelha. Muito pelo contrário. Assim como a comissão do Hinário Evangélico, a comissão do hinário Adventista teve muito trabalho e, enfim, chegaram ao produto final de grande qualidade musical.

Deste movimento, mais uma vez vale ressaltar, a preocupação com a Música, com a Literatura, tudo isso levado em conta. Lendo este seguinte texto dá para se ter noção do que estou falando. Aproveitem e se inspirem sobre como encarar o trabalho de músico.

Hinário Adventista “Cantai ao Senhor”, Primeira Edição – 1963.
PREFÁCIO
“O valor do Ministério de Música na Igreja é uma convicção de magnitude que atinge a maturidade. Pela carência maior de serem ampliadas as possibilidades musicais da Igreja, a Comissão do novo Hinário acaba de concretizar este trabalho que, por certo, não teve similar no passado em lugar nenhum, pois cada hino que contém foi cuidadosamente estudado sob a luz das leis que regem a Fraseologia Musical (assunto raramente estudado, mesmo nos maiores centros de cultura musical); este estudo depende diretamente das leis da melodia, contraponto, harmonia, compasso e ritmo; por esta razão surgem, com frequência,correções nas fórmulas de compasso, no ritmo, e, por vezes, na própria melodia e harmonia dos hinos. A seguir, toda letra foi colocada obedecendo às leis da Prosódia Musical. Conseguiu-se, portanto, um acordo relativamente perfeito entre a música e a letra.

Foram anotados os membros da frase musical com sinais que separam as células, ou os motivos musicais; as meias frases musicais; frases inteiras; e de conclusão do período musical.

Para ser mantida, como padrão de referência, a unidade de tempo de cada compasso, nos andamentos mais lentos foi colocado o limite lento do metrônomo, embora a execução possa ser ainda mais lenta, conforme exigir o caráter e a construção do hino.

Empreendemos esta complexa obra de vulto, cuja dificuldade só é inteiramente conhecida pelos que nela trabalharam, levados unicamente pelo zelo e desejo de que nossa Igreja, ao cantar perante um Deus perfeito, o faça com hinos que se aproximem da perfeição – apanágio dos hinos celestes.”

A comissão.
Duas Palavras dos Editores

“Cantai ao Senhor foi o nome escolhido, após consulta a várias organizações e obreiros de destaque, para o hinário que vem substituir o Hinário Adventista. Como verão, figura nele boa parte dos hinos deste, modificados para satisfazer às leis da Prosódia Musical, conforme explica a Comissão, no Prefácio. Acrescentou-se, além disso, bom número de hinos novos, inéditos em português. O critério seguido pela Comissão, de evitar melodias leves, de caráter popular, explica a omissão de alguns dos cânticos do hinário antigo.

Os membros da Comissão do “Cantai ao Senhor” fizeram-se credores do sincero reconhecimento desta Editora, a qual pede vênia para destacar o nome de seu presidente, Prof. Flávio Araújo Garcia, e seus proficientes coadjuvantes, Dario Araújo e Tércio Simon. A estes, coube a tarefa insana de revisar os hinos antigos e traduzir os novos, adaptando a letra de uns e outros aos exigentes requisitos anotados no Prefácio.

À direita dos hinos aparece o nome do autor da música e, à esquerda, o da letra original, cuja versão para o português foi, em alguns casos, alterada, em virtude das modificações técnicas determinadas pela Fraseologia e Prosódia Musicais, já expostas no Prefácio.

A todos os que nos concederam licença para inclusão de seus hinos em nosso hinário, ou de qualquer modo colaboraram para sua publicação, nossos agradecimentos.

Possa “Cantai ao Senhor” ser uma grande bênção a todos os que dele fizerem uso, aproximando-os mais do celestial Criador da Música e de tudo quanto existe de belo e sublime”.
Os Editores.

Este artigo faz parte da série "Hinologia Cristã, um movimento" para saber mais sobre o assunto leia também: Parte 01, Parte 02, Parte 03, Parte 04 e Parte 05.

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Música para músicos

16 de fev. de 2012 |


Estamos próximos do Carnaval e sabemos que nessa época há muitas festas regadas de música, axé em sua maioria, e outros hits mais... Conheço muitos músicos que trabalham nos “trios”, pois a demanda nesse período é muito grande. Devido ao excesso de horas consecutivas de show e as músicas que, em sua maioria, não passam de passatempo para a orgia nacional, a maioria desses músicos aceitam esse trabalho por necessidade financeira, longe de ser por amor à arte. Até então eu nunca vi o contrário, e, confesso, se algum dia eu precisar, topo o “cachê” numa boa.

Isso me faz refletir sobre o papel do músico “popular” na sociedade brasileira atual. Até quando “bons” músicos vão precisar “vender” sua “mão de obra” a esses eventos para sobreviver? Esses músicos que trabalham no carnaval têm espaço na mídia para divulgar seus trabalhos individuais? Pensando nessas questões me veio à mente a história do “Jazz”. Será que tem algo a ver?
Meu intuito aqui não é fazer um texto de cunho histórico, mas apenas um breve apanhado dos primórdios do jazz e me ater especificamente no estilo “Bebop”, no qual encontro uma semelhança com o problema supracitado.

Podemos considerar o ano de 1900 como o palco do surgimento do jazz como forma musical reconhecível. Antes disso vem o que chamamos de “pré-história do jazz”, que abrange a “música gospel”, o “blues”, os “work songs”, entre outros. A partir da década em questão, o Jazz passou por várias transformações estilísticas. Como dito acima, não vou dissertar sobre todas elas, saltarei para o surgimento dos “Boppers”.

A comercialização do jazz tornou o seu repertório basicamente versões jazzísticas da música popular Norte Americana do momento, a “balada”. Escolhia-se de uma massa de hits atuais algumas canções e delas elaboravam suas versões, resultando no que chamamos hoje de “Standards”. Isso muito revoltava os músicos de jazz da época, era um trabalho um tanto desagradável, que faziam senão para se sustentar. Na década de 40, esses músicos tomaram uma decisão que fez total diferença em sua música, criaram as “Jam Sessions” – sessão musical que acontecia após o expediente de trabalho das bandas que tocavam esses Standards, na qual os músicos agora não mais tocavam para um público especifico, mas sim para si mesmo. Faziam música para músicos. Daí surge o estilo “Bebop”, do qual os primeiros revolucionários foram: “Gillespie”; Kenny Clarke; Charlie Christian; Charlie Parker, entre outros.

A característica mais marcante dos “Boppers”- músicos que tocam bebop – é o virtuosismo, faziam coisas nos seus instrumentos que poucos conseguiam acompanhar. Quem se arriscasse a entrar nesse mundo tinha que estar preparado, pois era algo mais ou menos do tipo “chegar e tocar”, e não era qualquer coisa que tocavam lá (rs). Por que eu ri? Por que era/é coisa de louco, as melodias criadas já eram dificílimas e obrigatoriamente deveriam ser tocadas a 230 bpm ou mais, ou seja, MUITO rápido mesmo! E improvisar fluentemente na mesma onda.

Deixo um exemplo que considero o mais clássico “bebop”, “Donna Lee” de “Miles Davis” interpretada por “Charlie Parker” no Sax alto, o próprio “Miles” no Trumpet, “Bud Powell” no piano, “Tommy Potter” no baixo e “Max Roach” na bateria.





E outro, uma “tentativa” minha




Espero que gostem, Abraços.

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Hinologia Cristã, um movimento [Hinário Evangélico]

3 de fev. de 2012 |


Este hinário traz a contribuição de poetas e músicos de vários séculos e é fruto do trabalho cuidadoso da Confederação Evangélica do Brasil, que, por meio da vida e dedicação de muitos pastores, pastoras, professores, professoras, poetas, poetisas, músicos, maestros, maestrinas, tradutores, linguistas, autores, autoras, compositores e compositoras organizou essa valorosa coletânea. Para manter a memória do que foi realizado, resgatamos a história da concepção deste Hinário Evangélico.

“Na primeira edição, parcial, mencionaram-se alguns dos nomes que estão indelevelmente ligados a este empreendimento. Já agora, é imperativo fazer-se referência mais ampla a essa contribuição de talentos, tempo e perseverança, postos consagradamente a serviço da valiosa iniciativa.

A Comissão de Hinário, que cuidou do preparo das letras, foi inicialmente integrada pelo rev. Matatias Gomes dos Santos, que, por longos anos, exerceu a sua presidência, rev. prof. Otoniel Mota e dr. Henrique Jardim, todos de saudosa memória, e os reverendos Epaminondas Melo do Amaral, Franklin T. Osborn, Jaime Sanderland Cook e Antônio de Campos Gonçalves. Posteriormente, o rev. Manuel da Silveira Porto Filho sucedeu ao dr. Henrique Jardim. 

Na parte final dos trabalhos, a Comissão de Hinário foi constituída pelo rev. Rodolfo Garcia Nogueira,rev. Antônio Campos Gonçalves, que participou dos trabalhos desde o início, em dezembro de 1935, até o final, em outubro de 1961, e rev. prof. João Marques da Mota Sobrinho, que exerceu a sua presidência durante sete anos, pondo em todos eles não só a sua cultura e os seus talentos, como o coração e a alma ao serviço da hinologia evangélica, compondo hinos, traduzindo e adaptando letras, consagrando dias e meses, em anos consecutivos, a esse empreendimento, aprimorando a obra, corrigindo senões, cuidando da forma e do conteúdo e zelando pela beleza e pela unção espiritual do cântico evangélico. 

A Comissão de Música foi, a princípio, integrada pela maestrina Henriqueta Rosa Fernandes Braga e professores Alberto Ream, dr. Darcy Araújo Prado e srta. Hora Diniz Lopes, que concorreram com seu talento e a sua dedicação para a escolha da músicas dos primeiros 230 hinos, da edição preliminar do Hinário Evangélico. 

A seguir, foi organizada nova Comissão de Música, formada pelos professores João Wilson Faustini, P. Inglada e A. Zimmermann, que não só escolheu músicas para as letras restantes, como procedeu ao reestudo de todo o Hinário, apontando tônicas deslocadas, substituindo algumas músicas, fazendo novas composições e harmonizações, enriquecendo, por essa forma, a hinologia evangélica. 

Aos professores Inglada e Zimmermann foi confiada a tarefa de organizar o Hinário e preparar cinco índices, a saber: (1) dos assuntos, (2) do primeiro verso, tanto da primeira estrofe como do coro, este com grifo, (3) do metro musical, (4) do título das músicas e (5) dos compositores, autores e tradutores. 

(...) Na companhia destes se alinham outros, não menos consagrados, quer produzindo hinos sacros e concorrendo para a escolha de músicas, quer sugerindo mudanças e observando senões, ou cedendo o uso de músicas, ou de letras, à semelhança do que se deu com o hino de nº 15, Nossas Almas Jubilosas, letra original do prof. Otoniel Mota, cedida pela profª Henriqueta Rosa Fernandes Braga, para a primeira edição, parcial, deste Hinário, ainda antes de publicado em Cânticos de Natal, para o qual foi especialmente preparado. 

Se longo foi o período requerido para a conclusão da obra, proveitoso terá sido, por outra parte, porquanto cada letra e cada música puderam ser vistas e revistas, examinadas e reexaminadas, e até onde foi dado às duas comissões, alcançou-se labor aprimorado, com perfeita coincidência de tônica, e a apresentação de letras novas e novas músicas vem enriquecer a hinologia brasileira. 

Em face da impossibilidade de se excluírem de hinários evangélicos brasileiros músicas reconhecidamente tradicionais, embora não caracteristicamente sacras, a Comissão de Música teve o cuidado de escolher, preferencialmente, para a primeira e segunda partes do Hinário, para as Secções sobre a Vida de Cristo e a Igreja e Meios de Graça, músicas boas, livres de ritmos menos sacros, incluindo, entretanto, na terceira parte, sobre a Vida Cristã, músicas que, embora não perfeitas no aspecto técnico-religioso, merecem figurar em uma coletânea de letras e músicas das Igrejas Evangélicas em nossa pátria, pela aceitação que tiveram e por estarem sendo reclamadas, ainda agora, pelo Evangelismo, em geral. 

A classificação dos hinos obedeceu a novo critério, mais condizente com tendências latinas, e as músicas novas, incluídas, não poderiam, por sua natureza, deixar de figurar em um Hinário Evangélico de Igrejas como as que operam valorosamente em nossa terra. 

A quantos concorreram para que esta obra viesse a bom termo, o sincero agradecimento da Confederação Evangélica do Brasil. Que Deus abençoe o esforço feito, para que o louvor ao seu Santo Nome seja entoado pelos filhos de Deus, destes rincões do Cruzeiro do Sul, com mais perfeição, com mais ardor, com expressão espiritual e unção religiosa.” 

Texto retirado da “Apresentação” do Hinário Evangélico, 3ª edição.




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Gosto ou Falta de Opção?

2 de fev. de 2012 |


"Gosto não se discute”... essa expressão poderia fazer sentido há uns 25 anos, quando ainda se preservava a criatividade musical e, depois de examinar cada manifestação artística, o ouvinte poderia afirmar: “não gosto disso” ou “gosto daquilo”. Neste texto, tratarei de questões históricas referentes à música brasileira, e arte no geral, e provarei que, hoje, gosto se discute sim!

A história da música “popular” brasileira, didaticamente, começa a tomar forma no “Maxixe” do final do século XIX, posteriormente se consolidando no “Choro” e no “Samba”. Com o passar dos anos, especificamente a década de 50, é fortemente influenciada pelo “Jazz norte americano” e por músicos brasileiros mais sofisticados como, por exemplo, “Johnny Alf”. Foi nessa década que nasceu a “Bossa Nova”; apesar de tentativas anteriores de Heitor Villa Lobos e Carlos Gomes de mostrar as caras do Brasil para o exterior, através de suas respectivas músicas, pode-se afirmar que foi a Bossa Nova que protagonizou melhor esse papel.

A Bossa Nova foi um movimento extremamente intelectual e popular ao mesmo tempo. Seus dois maiores expoentes foram Tom Jobim e João Gilberto. Tom, era uma mistura de complexidade e simplicidade; compôs obras que podem ser executadas pela melhor orquestra do mundo, como também pode ser cantarolada por qualquer leigo em música. João Gilberto foi o maior revolucionário da música brasileira dessa época, pois impôs uma assinatura com o seu violão e seu canto, quase que “falado”, que é reconhecido até hoje e se tornou marca registrada da Bossa Nova.

Uma parte dos músicos que participaram desse movimento, junto com outros, fortemente influenciados pelo rock and roll, e o reggae de “Bob Marley”, rompem com o mesmo, dando um pontapé inicial em um novo estilo, conhecido como “Tropicália”. Os músicos tropicalistas queriam romper com uma espécie de academicismo que a Bossa Nova havia estabelecido, pregavam a liberdade de expressão artística, refletida em suas composições, na maneira de se vestir e na performance em geral.

Talvez você esteja se perguntando: "O que isso tem a ver com gosto?" Fiz um breve panorama da nossa música popular até chegar à Bossa Nova e, posteriormente, ao Tropicalismo. Dei ênfase aos dois últimos pois, a partir de agora, passo a justificar a questão do gosto, através dos mesmos. Pessoalmente, eu cheguei à conclusão que gosto da Bossa Nova como música e nem tanto do Tropicalismo, porém, mesmo não gostando, respeito muito este último como movimento artístico musical e sei de sua importância para a música brasileira.

Pense no que vai ler agora: “Nem tudo que é belo é bom, nem tudo que é feio é ruim”. Em arte, esses adjetivos não andam sempre juntos, necessariamente; um artista pode compor sua obra usando técnicas que a torne “bela”, ou propositalmente “feia”. E é basicamente isso o que acontece entre a Bossa Nova e o Tropicalismo. Na Bossa Nova é tudo muito “certinho”, as letras das canções, em sua maioria, são refinadíssimas, muitas vezes fugindo do nível “popular”. Já a Tropicália é o inverso disso; ela veio para romper com o “banquinho e o violão”. Então é evidente que, em um primeiro momento, ela aparenta ser “feia”, mas muito rica! Ter a consciência do belo e do feio na arte é libertador, pois você passa a julgar as manifestações com outros olhos, ler nas entrelinhas. Por isso que, dessa forma, gosto não se discute, pois algo que é belo para mim, pode ser feio para você, ou vice-versa, porém, a importância desse “algo” para a sociedade, a sua função, o seu propósito, é imutável para qualquer pessoa.

Quer outro exemplo? A obra de ‘”da Vinci”, a famosa “Mona lisa”.
Mona Lisa - Da Vinci
Pessoalmente, não vejo beleza nela. Pra mim, não passa de uma mulher olhando para você com os braços cruzados. Não seria o quadro que eu compraria. Mas é exatamente o fato de ser apenas uma mulher com os braços cruzados, olhando para você, que a fez tão especial. Ela é um retrato do humanismo, do renascimento, e mostra os valores que perpassam sua sociedade, em que o homem volta a ser o centro do pensamento, por isso a considero como uma obra-prima de "Da Vinci", mesmo não a achando bela.

Voltando à música, vamos dar um salto para os anos 90, década em que os produtores musicais começam a tomar conta do negócio. É nessa época que a criatividade artística começa a ser desvalorizada, no Brasil; isso é um absurdo, pois, em um país onde a principal característica é a enorme variedade de culturas, a criatividade é o cerne. As grandes gravadoras começaram a lucrar muito com os “músicos brasileiros”, a máquina foi crescendo, e, quanto mais cresce mais se precisa de dinheiro. O foco da produção artística musical deixa de ser a criatividade do artista, deixa de ser a arte e passa a ser o entretenimento, que gera lucros. Dessa forma, é a maquina produtiva que impõe o seu gosto; se hoje você escuta o que está na mídia, não é por que aprendeu a gostar, é porque o obrigaram a gostar.

Se pararmos para lembrar, vamos nos dar conta de que, a partir da década em questão, surgiram várias febres musicais no país, que sumiram de repente. São pequenos formatos musicais, confeccionados pelos produtores e não pelos artistas, que, em parceria com a mídia, ditam o que vai vender ou não, ditam o que o “povo” vai escutar ou não, pois o mesmo não tem escolha: escuta aquilo que é dado. E, dessa forma, a cultura artística musical do Brasil vai decaindo, obrigando a ”massa” conviver com “axé”, “sertanejo universitário”, “pagode”, “funk carioca”, entre outros; logicamente, há as raridades de exceções que podem ter algum significado proveitoso, mas são raridades mesmo! São coisas que não fazem pensar, coisas fáceis de ouvir, coisas que cauterizam o senso crítico.

E a música “Gospel Brasileira” está fora dessa sujeira? Ai, ai... Arrisco-me a dizer que é a mais envolvida nessa vergonha toda. Quer um exemplo? Eu sou nascido em berço cristão, ouço músicas cristãs desde minha primeira infância e, até os meus 15 anos, aproximadamente, eu nunca sequer tinha ouvido a palavra “Shekhinah” na vida; e, de uns anos pra cá, tudo quanto é disco evangélico tem que ter essa palavra. Agora, não venha me dizer que os compositores cristãos atuais estão sensibilizados com a “Glória de Deus” e, por isso, cantam essa “febre”. É óbvio que, depois do sucesso do hit “Derrama tua Shekhinah”, do PopStar do momento, “Fernandinho”, ter vendido muito, todo mundo vai gravar isso.

Outro exemplo: a gravadora gospel “MK” tinha o costume de gravar coletâneas de canções “poplove”. Quem não se lembra daqueles discos ridículos, “Amo Você”? A gravadora pegava seus artistas mais rentáveis e os obrigavam a criar canções desse cunho. Lembro-me da banda “Oficina G3” gravar, uma ou duas vezes, para essa coletânea, até o momento em que eles dependiam da gravadora; hoje em dia, como eles não são macacos de laboratório, pararam de participar dessa vergonha. Comece a discutir o seu gosto, pois, se você se expõe aos bombardeios da mídia, você deve ter um grau de infecção desse vírus .

Espero que com isso, você, brasileiro, reflita um pouco, pois a música brasileira, “Secular” ou “Gospel”, é riquíssima até hoje, mas, infelizmente, vive à margem da mídia. O mundo inteiro reconhece os grandes nomes da nossa música, só os brasileiros que não! Invista tempo em escutá-los; vá ao teatro assisti-los; e, como diria o mestre Gilberto Gil: “Procure saber”.


“Antes a morte da fome da comida do que a morte da falta de informação” (Tom Zé)





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