Hinologia Cristã, um movimento [HCC]

22 de fev. de 2012 |


HINÁRIO PARA CULTO CRISTÃO

PREFÁCIO

"O cântico reflete a fé, as tradições, os valores, as preferências, as doutrinas, os rumos e a espiritualidade de cada um de nós. Nosso cântico reflete quem somos e onde estamos, na peregrinação cristã. Um hinário é uma coletânea de cânticos que, além de refletir quem somos, indica o estágio em que nos encontramos nessa trajetória cristã. Além disso, prevê quem seremos e medirá, no percurso, nossa estatura espiritual. O formato, o estilo, e a disposição do conteúdo de um hinário definem os dias e a época de seu uso.

A Comissão que compilou o Hinário Para o culto Cristão procurou levar em conta quem somos, procedendo de extensa pesquisa dos hinos mais cantados em nossas igrejas, examinando a histórica revisão de 1958 do Cantor Cristão e utilizando o acervo da hinódia brasileira.

Cânticos hinologicamente históricos se encontram junto a hinos inéditos. Textos de grande valor, mas até agora pouco cantados, têm maior atração por causa de suas novas melodias. Há muitas músicas novas e outras muito antigas. Há inovações melódicas, rítmicas e harmônicas. Grandes lacunas de assuntos foram preenchidas com hinos sobre a Trindade, a Bíblia, o Espírito Santo, a Ceia e o Batismo. Este hinário contém hinos também para ocasiões especiais como Apresentação de Crianças, Dedicação de Templos, Casamento e Aniversários. 

Ao trabalho árduo de coletar, escolher, documentar e organizar o material do hinário, somou-se a busca espiritual da vontade de Deus quanto ao seu conteúdo. Quem seremos e como cresceremos espiritualmente ao usá-lo? Lembramo-nos, também, que Deus deseja que o adoremos “em espírito e em verdade” (Jo 4.24), que cantemos “com o espírito, mas também com o entendimento” (1Co14.15), adequando-nos e sabendo que ele é Deus (Sl 46.10), buscando a sua face (Sl 24.6).

As passagens bíblicas, que acompanham o título de cada hino, têm o propósito de provocar a reflexão sobre o conteúdo da letra. As leituras bíblicas ajudarão a congregação a expressar, a uma só voz ou alternadamente, grandes verdades relacionadas aos assuntos dos hinos. Tanto as leituras quanto as letras poderão ser usadas para a prática da devoção pessoal, familiar, ou em grupos maiores.

Os índices serão úteis a todos, especialmente aos que planejam ordens de culto.

As mudanças em letras de hinos já conhecidos foram feitas seguindo critérios linguísticos, gramaticais, poéticos, hinológicos e teológicos.

Essas mudanças podem ser analisadas, comparando-se o antigo texto com o novo, lendo-os em alta voz e procurando compreender a nova forma. A Comissão espera que este hinário seja revisto, possivelmente a cada dez anos, para mantê-lo atualizado e útil.

Todos que contribuíram para o preparo do Hinário Para Culto Cristão agradecem a Deus o privilégio de participar desse grande empreendimento. Sentimos a responsabilidade de refletir quem somos e discernir quem seremos, através das mensagens cantadas e lidas. O objetivo da Comissão é ver a Igreja crescer em sua adoração a Deus, em seu conhecimento espiritual, em seu fervor evangelístico e em seu ministério na vizinhança, no país e no mundo.

“Escreva-se isto para a geração futura, para que um povo que está por vir louve ao Senhor”
(Sl 102.18).

Pela Comissão do Hinário para Culto Cristão,

Joan Larie Sutton, Coordenadora Geral."

Este artigo faz parte da série "Hinologia Cristã, um movimento" para saber mais sobre o assunto leia também: Parte 01, Parte 02, Parte 03, Parte 04 e Parte 05.

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Hinologia Cristã, um movimento ["Cantai ao Senhor"]

20 de fev. de 2012 |


O hinário Adventista “Cantai ao Senhor” traz, em seus textos de apresentação, a preocupação laboral das obras musicais. Nada feito a “toque de caixa” ou tirado de detrás da orelha. Muito pelo contrário. Assim como a comissão do Hinário Evangélico, a comissão do hinário Adventista teve muito trabalho e, enfim, chegaram ao produto final de grande qualidade musical.

Deste movimento, mais uma vez vale ressaltar, a preocupação com a Música, com a Literatura, tudo isso levado em conta. Lendo este seguinte texto dá para se ter noção do que estou falando. Aproveitem e se inspirem sobre como encarar o trabalho de músico.

Hinário Adventista “Cantai ao Senhor”, Primeira Edição – 1963.
PREFÁCIO
“O valor do Ministério de Música na Igreja é uma convicção de magnitude que atinge a maturidade. Pela carência maior de serem ampliadas as possibilidades musicais da Igreja, a Comissão do novo Hinário acaba de concretizar este trabalho que, por certo, não teve similar no passado em lugar nenhum, pois cada hino que contém foi cuidadosamente estudado sob a luz das leis que regem a Fraseologia Musical (assunto raramente estudado, mesmo nos maiores centros de cultura musical); este estudo depende diretamente das leis da melodia, contraponto, harmonia, compasso e ritmo; por esta razão surgem, com frequência,correções nas fórmulas de compasso, no ritmo, e, por vezes, na própria melodia e harmonia dos hinos. A seguir, toda letra foi colocada obedecendo às leis da Prosódia Musical. Conseguiu-se, portanto, um acordo relativamente perfeito entre a música e a letra.

Foram anotados os membros da frase musical com sinais que separam as células, ou os motivos musicais; as meias frases musicais; frases inteiras; e de conclusão do período musical.

Para ser mantida, como padrão de referência, a unidade de tempo de cada compasso, nos andamentos mais lentos foi colocado o limite lento do metrônomo, embora a execução possa ser ainda mais lenta, conforme exigir o caráter e a construção do hino.

Empreendemos esta complexa obra de vulto, cuja dificuldade só é inteiramente conhecida pelos que nela trabalharam, levados unicamente pelo zelo e desejo de que nossa Igreja, ao cantar perante um Deus perfeito, o faça com hinos que se aproximem da perfeição – apanágio dos hinos celestes.”

A comissão.
Duas Palavras dos Editores

“Cantai ao Senhor foi o nome escolhido, após consulta a várias organizações e obreiros de destaque, para o hinário que vem substituir o Hinário Adventista. Como verão, figura nele boa parte dos hinos deste, modificados para satisfazer às leis da Prosódia Musical, conforme explica a Comissão, no Prefácio. Acrescentou-se, além disso, bom número de hinos novos, inéditos em português. O critério seguido pela Comissão, de evitar melodias leves, de caráter popular, explica a omissão de alguns dos cânticos do hinário antigo.

Os membros da Comissão do “Cantai ao Senhor” fizeram-se credores do sincero reconhecimento desta Editora, a qual pede vênia para destacar o nome de seu presidente, Prof. Flávio Araújo Garcia, e seus proficientes coadjuvantes, Dario Araújo e Tércio Simon. A estes, coube a tarefa insana de revisar os hinos antigos e traduzir os novos, adaptando a letra de uns e outros aos exigentes requisitos anotados no Prefácio.

À direita dos hinos aparece o nome do autor da música e, à esquerda, o da letra original, cuja versão para o português foi, em alguns casos, alterada, em virtude das modificações técnicas determinadas pela Fraseologia e Prosódia Musicais, já expostas no Prefácio.

A todos os que nos concederam licença para inclusão de seus hinos em nosso hinário, ou de qualquer modo colaboraram para sua publicação, nossos agradecimentos.

Possa “Cantai ao Senhor” ser uma grande bênção a todos os que dele fizerem uso, aproximando-os mais do celestial Criador da Música e de tudo quanto existe de belo e sublime”.
Os Editores.

Este artigo faz parte da série "Hinologia Cristã, um movimento" para saber mais sobre o assunto leia também: Parte 01, Parte 02, Parte 03, Parte 04 e Parte 05.

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Hinologia Cristã, um movimento [Hinário Evangélico]

3 de fev. de 2012 |


Este hinário traz a contribuição de poetas e músicos de vários séculos e é fruto do trabalho cuidadoso da Confederação Evangélica do Brasil, que, por meio da vida e dedicação de muitos pastores, pastoras, professores, professoras, poetas, poetisas, músicos, maestros, maestrinas, tradutores, linguistas, autores, autoras, compositores e compositoras organizou essa valorosa coletânea. Para manter a memória do que foi realizado, resgatamos a história da concepção deste Hinário Evangélico.

“Na primeira edição, parcial, mencionaram-se alguns dos nomes que estão indelevelmente ligados a este empreendimento. Já agora, é imperativo fazer-se referência mais ampla a essa contribuição de talentos, tempo e perseverança, postos consagradamente a serviço da valiosa iniciativa.

A Comissão de Hinário, que cuidou do preparo das letras, foi inicialmente integrada pelo rev. Matatias Gomes dos Santos, que, por longos anos, exerceu a sua presidência, rev. prof. Otoniel Mota e dr. Henrique Jardim, todos de saudosa memória, e os reverendos Epaminondas Melo do Amaral, Franklin T. Osborn, Jaime Sanderland Cook e Antônio de Campos Gonçalves. Posteriormente, o rev. Manuel da Silveira Porto Filho sucedeu ao dr. Henrique Jardim. 

Na parte final dos trabalhos, a Comissão de Hinário foi constituída pelo rev. Rodolfo Garcia Nogueira,rev. Antônio Campos Gonçalves, que participou dos trabalhos desde o início, em dezembro de 1935, até o final, em outubro de 1961, e rev. prof. João Marques da Mota Sobrinho, que exerceu a sua presidência durante sete anos, pondo em todos eles não só a sua cultura e os seus talentos, como o coração e a alma ao serviço da hinologia evangélica, compondo hinos, traduzindo e adaptando letras, consagrando dias e meses, em anos consecutivos, a esse empreendimento, aprimorando a obra, corrigindo senões, cuidando da forma e do conteúdo e zelando pela beleza e pela unção espiritual do cântico evangélico. 

A Comissão de Música foi, a princípio, integrada pela maestrina Henriqueta Rosa Fernandes Braga e professores Alberto Ream, dr. Darcy Araújo Prado e srta. Hora Diniz Lopes, que concorreram com seu talento e a sua dedicação para a escolha da músicas dos primeiros 230 hinos, da edição preliminar do Hinário Evangélico. 

A seguir, foi organizada nova Comissão de Música, formada pelos professores João Wilson Faustini, P. Inglada e A. Zimmermann, que não só escolheu músicas para as letras restantes, como procedeu ao reestudo de todo o Hinário, apontando tônicas deslocadas, substituindo algumas músicas, fazendo novas composições e harmonizações, enriquecendo, por essa forma, a hinologia evangélica. 

Aos professores Inglada e Zimmermann foi confiada a tarefa de organizar o Hinário e preparar cinco índices, a saber: (1) dos assuntos, (2) do primeiro verso, tanto da primeira estrofe como do coro, este com grifo, (3) do metro musical, (4) do título das músicas e (5) dos compositores, autores e tradutores. 

(...) Na companhia destes se alinham outros, não menos consagrados, quer produzindo hinos sacros e concorrendo para a escolha de músicas, quer sugerindo mudanças e observando senões, ou cedendo o uso de músicas, ou de letras, à semelhança do que se deu com o hino de nº 15, Nossas Almas Jubilosas, letra original do prof. Otoniel Mota, cedida pela profª Henriqueta Rosa Fernandes Braga, para a primeira edição, parcial, deste Hinário, ainda antes de publicado em Cânticos de Natal, para o qual foi especialmente preparado. 

Se longo foi o período requerido para a conclusão da obra, proveitoso terá sido, por outra parte, porquanto cada letra e cada música puderam ser vistas e revistas, examinadas e reexaminadas, e até onde foi dado às duas comissões, alcançou-se labor aprimorado, com perfeita coincidência de tônica, e a apresentação de letras novas e novas músicas vem enriquecer a hinologia brasileira. 

Em face da impossibilidade de se excluírem de hinários evangélicos brasileiros músicas reconhecidamente tradicionais, embora não caracteristicamente sacras, a Comissão de Música teve o cuidado de escolher, preferencialmente, para a primeira e segunda partes do Hinário, para as Secções sobre a Vida de Cristo e a Igreja e Meios de Graça, músicas boas, livres de ritmos menos sacros, incluindo, entretanto, na terceira parte, sobre a Vida Cristã, músicas que, embora não perfeitas no aspecto técnico-religioso, merecem figurar em uma coletânea de letras e músicas das Igrejas Evangélicas em nossa pátria, pela aceitação que tiveram e por estarem sendo reclamadas, ainda agora, pelo Evangelismo, em geral. 

A classificação dos hinos obedeceu a novo critério, mais condizente com tendências latinas, e as músicas novas, incluídas, não poderiam, por sua natureza, deixar de figurar em um Hinário Evangélico de Igrejas como as que operam valorosamente em nossa terra. 

A quantos concorreram para que esta obra viesse a bom termo, o sincero agradecimento da Confederação Evangélica do Brasil. Que Deus abençoe o esforço feito, para que o louvor ao seu Santo Nome seja entoado pelos filhos de Deus, destes rincões do Cruzeiro do Sul, com mais perfeição, com mais ardor, com expressão espiritual e unção religiosa.” 

Texto retirado da “Apresentação” do Hinário Evangélico, 3ª edição.




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Hinologia Cristã, um movimento [o 1º hinário no Brasil]

25 de jan. de 2012 |


Pra compreendermos a existência do primeiro hinário protestante no Brasil, é necessário entender a chegada dos primeiros protestantes ao nosso país, oriundos do Metodismo americano.

O metodismo no Brasil se dá por consequência do Norte Americano, que teve sua organização denominacional feita, basicamente, pelo seguinte motivo (politicamente falando): “A falta de uma estrutura eclesiástica própria, que gerava a dependência de ministros anglicanos para a ministração dos sacramentos, foi razão suficiente para a organização do movimento metodista como igreja independente” (SILVA, Gercymar Wellington Lima e. Caminhos e Descaminhos da Graça).

Concluindo a assinatura do tratado de Paz de Paris, em 1783, John Wesley designou Asbury como seu “assistente geral para a América”. Mas porque John tinha voltado para a Inglaterra, os Metodistas da América do Norte tiveram frustradas suas expectativas de obter ajuda de John quanto à ordenação de pastores na América.

As igrejas Metodista, consequentemente formadas no Sul e no Norte dos Estados Unidos, tiveram o mesmo cisma do plano político. Surgiram, assim, a Igreja Metodista Episcopal do Sul (IMES) e Igreja Metodista Episcopal do Norte. No entanto, o metodismo Estadunidense vive ainda hoje.

Mas vir para Brasil foi complicado, já que o Catolicismo era a religião oficial. Porém, uma fresta foi aberta por causa do acordo comercial, Tratado de Comércio e Navegação, que Portugal fez com a Inglaterra; foi liberado o culto protestante em terras brasileiras devido ao grande número de pessoas que chegavam aqui no Brasil, da Inglaterra. O culto protestante Anglicano, embora permitido, não tinha trabalhos missionários. Era um trabalho de assistência religiosa aos imigrantes aqui instalados.

“Em 1836, foi enviado o missionário Justin Spaulding para o estabelecimento da missão no país. Logo que chegou, Spaulding organizou uma congregação no Rio de Janeiro, capital do Império, com cerca de 40 pessoas. Muitos outros missionários foram enviados ao Brasil pela Igreja Metodista Episcopal – EUA para ajudar Spaulding. Dentre eles o casal Cyntia e Daniel Kidder” (SILVA, Gercymar Wellington Lima e. Caminhos e Descaminhos da Graça).

Ocuparam-se, inicialmente, com uma escola diurna para crianças brasileiras e estrangeiras aberta na Rua do Catete. A missão cristã Metodista no Brasil foi intensificada e a instalação se deu também por ajuda da elite política, por exemplo, a de imigrantes que foram para Santa Bárbara D’Oeste, na região de Piracicaba. A instalação maior de imigrantes franceses, ingleses, holandeses, alemães, entre outros, fizeram o protestantismo e a cultura anglo-saxônica ganhar certa força. Era admirável sua cultura aos olhos dos brasileiros. Aqui no Brasil os imigrantes Metodistas dos Estados Unidos faziam acontecer a educação regular protestante, entendendo que esta educação seria responsável pelo desenvolvimento sócio-cultural da América do Norte.

Houve um investimento grande das denominações Metodistas Norte Americanas aqui no Brasil, e acabava pendendo para a cultura religiosa americana, com tendência em se manter como contracultura em solo brasileiro, fazendo com que o movimento ficasse fora do compasso com a cultura brasileira distanciando-se das lutas sociais do povo.

Em 1886, a missão metodista no Brasil organizava a primeira Conferência Anual da Igreja Metodista, com a finalidade de legalizar o registro dos bens móveis e imóveis da missão, até então, em nome do missionário Ransom. Com o advento da República, em 1889, a missão Metodista brasileira alcançou reconhecimento do governo, passando a figurar como Associação da Igreja Metodista. Os anos posteriores a 1889 foram marcados pela era republicana brasileira, pelo crescimento e amadurecimento do protestantismo brasileiro. O Metodismo reforçava sua ênfase no binômio evangelização-educação, fórmula da fé civilizatória. Estabelecida a Associação Metodista do Brasil, em todas as regiões do Brasil pelas igrejas norte americanas, o Metodismo criou raízes no Brasil.

O protestantismo no Brasil, com o trabalho de Robert R. Kalley e de Ashbel G. Simonton, passou a ir de encontro ao catolicismo romano. Torna-se evidência disso a unidade teológica do protestantismo brasileiro, com a utilização de uma única coleção de hinos para culto cristão protestante em português: o hinário Salmos e Hinos, editado por Robert e Sara Kalley. Este ensaio analisa a inserção e o desenvolvimento do Salmos e Hinos, primeiro hinário protestante disponibilizado no vernáculo, ainda no Brasil Império. Seu pioneirismo, bem como sua interessante forma de distribuição, a colportagem, possibilitou que esta obra se tornasse conhecida e fosse utilizada pelas diversas missões que se instalaram no país a partir da metade do século XIX. A forma didática da compilação dos hinos da missionária inglesa Sarah Poulton Kalley, transformou este hinário num verdadeiro manual de culto, com presença constante na gênese dos diversos protestantismos de missão no Brasil. Para Sarah os hinos eram mensagens cantadas, elaborando a partir deste conceito, letras de interessante conteúdo teológico.

Pulando datas até 1945, a Confederação Evangélica do Brasil publica o Hinário Evangélico que, de 232 hinos da primeira edição, chegou a 500 nas útimas, a partir de 1977. A base do Hinário Evangélico é o hinário Salmos e Hinos. A Igreja Metodista o adota para sua liturgia cúltica.

A Comissão que criou o Hinário Evangélico tinha como principal objetivo melhorar a poética e gramática dos hinos e notam-se nele alguns pontos positivos, quanto à sua distribuição litúrgica: a redução do número de estrofes, na maioria dos hinos cujo cântico congregacional muito longo tornava-se monótono e desviava o ritmo litúrgico; traz um índice dos hinos pela natureza dos assuntos; 57 antífonas para leituras bíblicas responsivas, até mesmo para dias especiais para o ano litúrgico. A edição do Hinário Evangélico pela Igreja Metodista ainda tem instruções para o culto, modelos de ordem de culto, orações, etc.

“De qualquer maneira, o Hinário Evangélico praticamente pertence ao passado. Não conseguiu permanência nas igrejas e mesmo a única que o adotou oficialmente, a Igreja Metodista, já se movimenta para substituí-lo.” (MENDONÇA, Antônio Gouveia e FILHO, Prócoro Velásques. Introdução ao Protestantismo)

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Hinologia cristã, um movimento [P.P. Bliss, compositor]

18 de jan. de 2012 |


Além de um grande cantor, Philip Paul Bliss é um dos escritores de hinos mais famoso na história da música cristã. Se tivesse vivido no mesmo tempo de Fanny Crosby, Charles Wesley, o poeta [clique e confira] e Ira Sankey, provavelmente os teria superado, como o maior escritor de canções cristãs de todos os tempos. Porém faleceu ainda novo, com 38 anos.

Se alguém contestar essa conclusão, verifiquemos suas contribuições. Ele foi quem escreveu a letra e a música, de hinos como os seguintes: Almost Persuaded, Dare to Be a Daniel, Hallelujah 'Tis Done!, Hallelujah, What a Saviour!, Hold the Fort, Jesus Loves Even Me, Let the Lower Lights Be Burning, Once for All, The Light of the World Is Jesus, Whosoever Will, Wonderful Words of Life. Escreveu apenas o texto de My Redeemer e escreveu apenas a música de I Gave My Life for Thee, It Is Well with My Soul, Precious promisse.

Existem centenas de outros hinos. Algumas de suas canções muito utilizadas há anos atrás, não são tão conhecidas hoje. São elas: Are Your Windows Open Toward Jerusalem, Only an Armour-Bearer, More Holiness Give Me, Pull for the Shore, Will You Meet Me at the Fountain?.

Philip Paul Bliss nasceu em uma cabana numa região montanhosa. Seu pai, Isaac Bliss, foi um cristão dedicado. As primeiras recordações que Bliss tinha da vida cristã de seu pai foram as orações cotidianas da família. Estas orações foram enraizadas em sua memória e o seguiram ao longo da vida. Seu pai era um amante da música e foi através dele que Bliss desenvolveu a paixão por cantar. Eles participavam da Igreja Metodista.

Durante os primeiros dez anos de sua vida tomava aulas de canto com seu pai e sua mãe era quem lhe dava aulas informalmente. Neste tempo a Bíblia Sagrada tornou-se uma influência cada vez maior em sua vida, por causa dos seus pais.

Na idade de dez anos, ele ouviu o piano pela primeira vez e se dedicou para tornar-se um músico. A ocasião é digna de ser contada. Às vezes, ele  ia à cidade para vender verduras de porta em porta. Este foi um meio de ajudar o orçamento familiar, mas também o colocou em contato com pessoas, e, inusitadamente, com o piano.

Um sábado, com sua cesta de legumes, descalço, desajeitado, com dez anos, estava para ouvir a música mais suave que ele haveria de ouvir. Nessa ocasião de trabalho, quase inconsciente do que ele estava fazendo, ele escalou a cerca do jardim de uma propriedade rural e entrou em uma casa sem ser observado. Em pé na porta da sala, ouviu uma jovem tocando piano. Era a primeira vez que via um piano. Quando ela parou, impulsivamente ele exclamou: "Ó senhora, por favor, toque um pouco mais!" Um pouco assustada, a mulher viu o menino desajeitado com os pés descalços diante dela e imediatamente exclamou: "Saia daqui com seus pés descalços!" O menino não sabia que ele tinha transgredido, e ele voltou cabisbaixo para as ruas.

Quando Philip tinha 11 anos de idade, em 1849, ele saiu de casa para ganhar a vida. Ele foi passar os próximos cinco anos trabalhando na extração de madeira e campos de madeira e serrarias. Com um físico forte, ele foi capaz de fazer o trabalho de um homem.

Com doze anos, em 1850, ele fez sua confissão pública de Cristo e entrou para a Igreja Batista de Cherry Flats, Pennsylvania. Ele não se dizia incrédulo, mas fez o ato oficial de sua conversão.

Mesmo trabalhando ele freqüentou a escola. Incerto quanto a vocação que ele queria, via a necessidade de estar preparado para qualquer oportunidade que pudesse surgir. Ele investiu parte do seu dinheiro em educação musical também. Philip, ainda jovem manteve-se forte no Senhor no meio de homens desordeiros, trabalhando no campo. Embora não tenha sido fácil, a educação cristã familiar estava a dar frutos. Ele também começou a participar nas reuniões de avivamento do acampamento Metodista.

Aos dezessete anos, em 1855, ele decidiu que iria dar o passo final na preparação para o trabalho de sua vida. Em 1857 ele conheceu J.G. Towner que conduziu uma escola de canto em Towanda, Pennsylvania. Reconhecendo que o jovem Bliss cantava excepcionalmente bem, ele passou a dar-lhe a sua primeira formação formal de canto. Towner também o ajudou para ir a uma convenção musical em Roma, na Pensilvânia, no final daquele ano. Neste congresso ele conheceu William B. Bradbury, um compositor notável de música sacra. No fim do congresso, Bradbury conversou com Philip Bliss, falando para ele entregar-se ao serviço do Senhor. A forte influência destes homens em sua vida o ajudou a decidir ser um professor de música.

Embora ainda na sua adolescência, Philip descobriu que tinha habilidade para compor música. Sua primeira composição foi enviada para George F. Root com este estranho pedido: "Se você acha que essa música tem algum valor, eu gostaria de ganhar uma flauta em troca por isso." E ele recebeu a flauta. Em 1858 foi nomeado professor em Rome, Pensilvânia, mas mesmo assim ele ainda via a necessidade de estudar música.

A oportunidade surgiu no verão de 1860. A avó de sua esposa lhe deu 30 dólares para que ele pudesse frequentar a Academia Normal de Música de Nova York. Isso significava seis semanas de intenso trabalho e inspiração. Após a conclusão, ele tomou a profissão Professor de Música a sério. Num prazo de três anos, tendo participado de cada sessão de verão e estudando o resto do ano em casa, Mr. Bliss foi agora reconhecido como uma autoridade de música em sua área de residência. Seu talento foi se voltando para a composição e seu primeiro número publicado ”Loral Vale” o levou a acreditar que ele poderia escrever canções. Este número foi publicado em 1865, um ano depois de ter sido escrito. Esta obra não era sacra.

A família Bliss se mudou para Chicago em 1864, quando Philip tinha 26 anos. Foi aqui que ele começou dirigir institutos musicais e se tornou amplamente conhecido como professor e cantor.

Seus poemas e composições fluíam com regularidade. Ele colaborou com George F. Root na escrita e publicação de músicas gospel. No verão de 1865, ele fez uma turnê de duas semanas com o Sr. Towner. Ele recebeu US$ 100. Espantado com tanto dinheiro que ganhou em tão pouco tempo, ele começou a sonhar, mas foram sonhos de curta duração, pois na semana seguinte apareceu uma intimação em sua porta informando que ele foi convocado para o serviço no exército. Como a guerra estava quase no fim, a decisão foi cancelada depois de duas semanas e ele foi liberado.

Fez mais outra turnê de concertos mas este foi um fracasso. No entanto, durante a turnê, lhe foi oferecido um posto na Chicago Music House, Root and Cady Musical Publishers, com um salário de US$ 150 por mês.

A voz de Bliss era admirada por quem a ouvia e algumas oportunidades surgiram por sua habilidade vocal. Em uma delas o Major Daniel W. Whittle, impressionado com sua voz, o recomendou para o cargo de diretor do coro da Primeira Igreja Congregacional em Chicago. Isso foi em 1870. Bliss mudou-se para um apartamento na casa de Whittle e enquanto viveu lá, escreveu dois de seus hinos mais populares: Hold the Fort e Jesus Loves Even Me. Anualmente, novas canções eram publicadas em cancioneiros cristãos e muitas canções de Bliss estavam incluídas. Logo, sua fama começou a se espalhar.

Ele se juntou Whittle em uma carreira evangelística de sucesso. Bliss compilou um livro de canções de avivamento para uso em suas campanhas, intitulado Gospel Songs. Foi um tremendo sucesso, trazendo royalties de US$ 30.000, que ele deu a Whittle para o desenvolvimento de seus esforços evangelísticos. Outra fonte cita $ 60.000 que teria sido entregue a instituições de caridade.

Mais tarde, quandoSankey voltou de uma turnê na Inglaterra com Moody, Sankey e Bliss combinaram seus respectivos livros em uma inédita publicação. A nova compilação foi chamada Gospel Hymns and Sacred Songs por Bliss e Sankey. Philip Bliss, é claro, estava entusiasmado com esta nova exposição de seus trabalhos. Várias edições foram publicadas.

Vários outros trabalhos musicais foram feitos por Bliss. Congressos, livros, hinos, canções, composições, etc. Contudo, como dito no início, Bliss morreu ainda novo, com 38 anos. E isso se deu em 1876. Mr. Bliss passou os dias do feriado de Natal com sua mãe e sua irmã na Pensilvânia e fez planos pra voltar pra Chicago em Janeiro, para trabalhar com Moody. Porém um telegrama chegou pedindo-lhe que voltasse mais cedo. Sendo assim, antecipou a volta pra Chicago, planejando chegar na sexta a noite. Ele decidiu deixar seus dois filhos pequenos, de 1 e 4 anos de idade, com sua mãe. Nesta viagem de volta pra casa, em 29 de dezembro, Philip Paul Bliss morreu juntamente com sua esposa num acidente com o trem no qual estavam.

O funeral foi realizado em Roma, na Pensilvânia, onde um monumento foi erguido com a inscrição "PP Bliss, author... Segure o Fort!". Serviços memoriais foram realizados em todo o país para o casal amado. A morte de nenhum civil trouxe tanto sofrimento para a nação, como a morte de Philip e sua esposa. Em 31 de dezembro, D.L. Moody discursou em uma reunião memorial, em Chicago. No dia 05 de janeiro, um concerto memorial foi realizado para homenagear Philip Paul Bliss também em Chicago. A cerimônia contou com 8000 pessoas no salão e outras 4.000 do lado de fora.

Sua música é presente em todos os hinários cristãos que temos no Brasil. No Hinário Evangélico Paul Philip Bliss é o autor das letras dos hinos:

· 40 - Ressurreição
· 228 – Decide e vem
· 229 – Perfeita Redenção
· 402 – Vitória à vista

E compositor e harmonizador dos hinos:

· 19 – O nascimento de Jesus
· 58 – Cristo virá
· 144 – Palavra vivificante
· 152 – Igual a Daniel
· 153 – Fala, Senhor!
· 226 – Que fazes tu por mim (2ª)
· 228 – Decide e vem!
· 229 – Perfeita redenção
· 235 – Jesus convida
· 242 – Convite ao pecador
· 271 – Oração
· 362 – A segurança do crente
· 391 – Mensagem de perdão e luz
· 402 – Vitória à vista
· 403 – Resplandeçam nossas luzes
· 419 – O semeador
· 423 – O fiel escudeiro
· 430 – Sempre unidas, companheiras!
· 455 – Encontro nos céus

Fica aqui um pouco do legado do músico compositor e letrista Paul Philip Bliss.

Este artigo faz parte da série "
Hinologia Cristã, um movimento", leia os artigos anteriores: Parte 01 e Parte 02.


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Hinologia Cristã, um movimento [Charles Wesley, poeta]

16 de jan. de 2012 |


“Não foi à toa que, certa vez, alguém escreveu que, se George Whitefield ficou conhecido como o orador do metodismo e John Wesley seu organizador, podia-se afirmar que Charles Wesley foi seu poeta.”

Então, cabe aqui falar sobre Charles Wesley, que contribuiu grandemente para a literatura em geral e também para o movimento dos metodistas com obras musicais e literárias. Homem notável não por obra do acaso. Com certeza sua educação familiar, escolar e acadêmica contribuíram para que, ainda na atualidade, seja reconhecido por sua diligência, conhecimento, vida cristã e suas obras que o mantêm vivo, in memoria.

Charles, um dos fundadores do Metodismo, nasceu em Epworth em 18 de dezembro de 1708. Morreu em Londres no dia 29 de março de 1788.

Na infância, um cavalheiro irlandês, de sobrenome igual, chamado Garret Wesley (ou Wellesley), ofereceu-se ao pastor anglicano de Epworth, Sr. Samuel Wesley, para adotar seu filho Charles. O menino recusou e seu pai não quis obrigá-lo a aceitar uma oferta que lhe colocaria numa condição de único herdeiro de uma família nobre da Irlanda. Pouco tempo depois, aquele mesmo cavalheiro adotou um de seus parentes, Richard Colley, que herdou seu nome e sua fortuna e se tornou conde e avô do duque de Wellington.

“Com oito anos de idade deixou o lar materno para assistir as aulas na "Westminster School" em Londres. Nessa escola a disciplina era muito rigorosa. Havia horário meticuloso para todo o dia e era executado. Dava a escola muita importância ao estudo do latim, que ali se aprendia a falar. Os alunos tinham de conversar em Latim. O resultado foi que Carlos tornou-se perito na literatura clássica. Gostava dos poetas latinos, como Virgílio, de cujo poema, a Eneida, sabia muitos trechos de cor. Depois de homem feito, ele e seu irmão conversavam em Latim.” (BUYERS)

Em 1735 foi ordenado a ir com seu irmão John para a Geórgia, retornando somente em 1736. Sua experiência da desejável real conversão cristã foi três dias antes da de seu irmão John e, bem pronto, se juntou ao seu irmão em seu trabalho missionário, viajando muito e pregando com muito zelo e sucesso. Casou-se com Sarah Gwynne com quem teve oito filhos, dos quais dois tornaram-se músicos eminentes, sendo de maior destaque Samuel Wesley, "o Mozart inglês".

John Wesley elogiava com fervor o talento para poesia que o irmão tinha. É insignificante quailquer de suas outras aptidões e graças, mas é pelo talento para a poesia que é ainda hoje reconhecido como o “poeta do Metodismo” e também como um dos mais talentosos, cuja influência está viva nos dias de hoje, sendo grande o número de suas obras.

Uma delas é “O trabalho poético de John e Charles Wesley” (The Poetical Works of John and Charles Wesley), impresso pela Conferência Wesleyana (Londres, 1868-72). São treze volumes com quase seis mil páginas. Dos trabalhos publicados que levam o nome dos dois irmãos, a maioria deles é de Charles somente, se bem que é difícil distinguir a diferença de estilos de composição, já que também John compunha. Mas a John se dá a autoria de traduções feitas de hinos de origem alemã, por exemplo, mas seus originais são poucos, quando comparados à quantidade de Charles.

A primeira coleção dos irmãos Wesley possivelmente também foi a primeira coleção de hinos Ingleses: “Coleção de Salmos e Hinos” (Collection of Psalms and hymns).

Outra Coleção menor de hinos foi publicada em 1738, em Londres, e, em 1739, tiveram início as longas séries de trabalhos originais em verso. Destes, o mais extenso foram os “Hinos e Poemas Sagrados” (Hymns and Sacred Poems), em três volumes. Segue, abaixo, uma lista de trabalhos da hinologia metodista.

1. Hinos e Poemas Sagrados II – 1749, em dois volumes;
2. Hinos do Amor Eterno de Deus, – 1741;
3. Na aurora de Deus – 1745;
4. Para Aqueles que estão Doentes e para os que foram Remidos – 1747;
5. Hinos para Funeral – 1746-59;
6. Pequenos Hinos de Passagens Bíblicas Selecionadas – 1762, em dois volumes com mais de 2.348 obras;
7. Hinos para Crianças – 1763;
8. Hinos para as Famílias – 1767;
9. Na Trindade – 1767;

Para se ter uma ideia da importância de Charles Wesley na composição dos hinos Metodistas, no livro Hinologia Metodista, de David Creamer, publicado em 1848 em Nova Iorque, mostra-se a quantidade de hinos que cada autor compôs dos hinos presentes no Hinário Metodista. Charles Wesley é o primeiro nome da lista com 501 hinos presentes, seguido pelo doutor Watts, com 68 composições, e, em seguida, está seu irmão John, com 34 hinos, sendo o total de hinos no hinário 697.

Além destas composições, há uma estimativa de uns vinte tratados, pequenos em tamanho mas contendo importantes composições de Charles, alguns poemas/canções de lamento e epístolas.

Sua fecundidade composicional fez sua fama. Ele escreveu muitas obras fazendo seu trabalho missionário juntamente com seu irmão. Escreveu no lombo de cavalos, carruagens, no leito, em seus últimos dias de vida. Dos seus “66 Hinos para Amigos Cristãos”, muitos deles foram dedicados à sua esposa Sarah Gwynne.

A vida que levou após sua real conversão, como os Wesley dizem que tiveram, faz com que críticos digam que ele exaltou seus sentimentos e experiências com uma fluência de esplendor não imaginados e, raramente, igualados. Diz-se que seu temperamento e modo de vida cristã o inclinou para temas subjetivos, guiando seu talento para escrever letras e músicas para uso em culto cristão, o que fez dele o “poeta do metodismo”. A autoria de estimadas 6.500 obras é dada a Charles Wesley (poesias, canções).

Dentre os hinos mais conhecidos temos:
· "And Can It Be That I Should Gain?";
· "Christ the Lord Is Risen Today";
· "Christ, Whose Glory Fills the Skies";
· "Come, O Thou Traveler unknown";
· "Come, Thou Long-Expected Jesus";
· "Father, I Stretch My Hands to Thee";
· "Hail the Day that Sees Him Rise";
· "Hark! the Herald Angels Sing";
· "Jesus, Lover of My Soul";
· "Jesus, The Name High Over All";
· "Lo! He Comes with Clouds Descending";
· "Love Divine, All Loves Excelling";
· "O for a Thousand Tongues to Sing";
· "Rejoice, the Lord is King";
· "Soldiers of Christ, Arise";
· "Ye Servants of God".

No Hinário Evangélico temos hinos de autoria do rev. Charles Wesley,  traduzidos para o português:

· 11 – "Natal";
· 41 – "A ressurreição de Jesus (com Aleluias)";
· 62 – "Ei-lo que vem!";
· 82 – "Invocação";
· 265 – "Perdão";
· 293 – "Grande amor";
· 294 – "Súplicas";
· 295 – "Constância";
· 365 – "Refúgio".

Sem dúvida, os Metodistas brasileiros também deveriam se orgulhar e preservar o patrimônio cristão que Charles construiu. Um arsenal de conhecimento poético, trabalho, arte e devoção a Deus em excelência.

Este artigo faz parte da série "
Hinologia Cristã, um movimento", leia o artigo anterior: Parte 01.


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Hinologia Cristã, um movimento [Intro]

11 de jan. de 2012 |


“Vamos nos colocar em pé para cantarmos o hino 130 do Hinário Evangélico: ‘Com glória coroai’” – hino de Edward Perronet

Se não for uma adaptação que tende para o pop rock ou funk, muitos cristãos da presente geração não pensariam duas vezes em dizer que preferem cantar um gospel hit parade em vez do hino. Ainda mais se o hino for ternário simples, que é a forma de compasso mais “odiada”. Nas igrejas, é difícil ver músicos que saibam acompanhar uma música ternária simples. Mas isso não é só exclusividade do segmento gospel. É uma peculiaridade negativa de alguns, instrumentistas principalmente.


Longe de querer mostrar o que é um compasso ternário simples, a minha abordagem vem tratar de um assunto cada vez menos falado e vivenciado nas igrejas do país, atualmente. Cantar um hino na proposta estilística original é uma atividade litúrgica cada vez mais difícil de praticar. Mas há, ainda hoje, igrejas que mantêm a prática com muito ardor e persistência, a fim de louvar a Deus e, também, preservar este patrimônio cristão que são os hinos.

Fatos preponderantes para a não familiarização com o estilo: pouco se fala, pouco se conhece a respeito dos Hinos, seus fundamentos e propostas. A Hinologia Cristã está longe de ser um movimento de poemas/canções compilados sem critério. Isso é algo óbvio. Mas a anestesia do movimento Modernista, “A regra é não ter regra”, que já é intrínseca à humanidade contemporânea, levou a diligência e conhecimento correnteza abaixo no que se refere à criação de obras poéticas e artísticas em geral. Afinal de contas, numa era em que um mictório é obra de arte, tudo pode virar arte.

Em "A Survey of Christian Hymnody", de W. J. Reynolds, são expostos princípios normativos de um hino. Mas antes é importante definir “hino cristão”: é um poema lírico, concebido com reverência e devoção, destinado a ser cantado e que expressa a atitude do adorador para com Deus, ou os propósitos de Deus na vida humana. O hino deve ser simples e métrico quanto à forma, genuinamente emocional, poético e literário no estilo, espiritual na qualidade, e em seus conceitos tão direto e manifesto para unificar uma congregação enquanto o canta. (Carl F. Price, "What is a Hymn?" Papers of the Hymn Society, VI, 1937. p. 8.)

E os princípios normativos:

1. O hino deve ser fiel às Escrituras. Hinos baseados em textos bíblicos não devem distorcer o sentido ou inserir ideias contrárias ao conteúdo do texto. Hinos não baseados diretamente nas Escrituras, mas na experiência cristã, devem evitar encaixe de ideias que não estejam em harmonia com o conteúdo escriturístico.

2. O hino deve ser reverente e devocional. O estilo e caráter do hino devem ser majestosos, em harmonia com o decoro litúrgico e condizentes com a adoração pública. Devem ser evitadas cuidadosamente a trivialidade e a banalidade.

3. O hino deve ser uma expressão poética e lírica. Hino é um poema e as mais requintadas qualidades de expressão poética devem se tornar evidentes. Deve ser simples na forma, com naturalidade e suavidade no movimento. As ideias devem, antes, ser bem evidentes do que sutilmente oculta em divagações e complexidade.

4. O hino deve expressar significado espiritual. O hino deve abordar experiências da vida cristã significativas para a pessoa. O vigor e a energia da vida cristã devem ser fortalecidos pelas expressões do hino e se constituírem em constante estímulo ao crescimento e desenvolvimento cristãos. Sentimentos débeis, triviais ou enfermiços em nada contribuem neste sentido.

5. O hino deve ter solidez estrutural. Os versos e as estrofes do hino devem ter uma unidade orgânica.

6. O hino deve ser baseado em experiências comuns. Para ser apropriado ao uso congregacional, deve basear-se em experiências ou em ideias comuns a toda a congregação. Expressões relacionadas a uma experiência extraordinária, peculiar a uma pessoa, embora verdadeira, são inapropriadas para o uso congregacional.

Em destaque estão princípios que abordam o trabalho literário do movimento.

Os Hinos são de um movimento literário organizado. A música não é o principal. O principal são os textos. A métrica do poema é o mais importante para compor a música do poema. Por exemplo, em um hino 8.8.8.8 teremos, a cada estrofe, quatro versos de oito sílabas.

Os hinos têm, também, um princípio de que a melodia cantada com o texto pode variar, desde que não interfira na métrica do poema. Isso é notório nos hinários cristãos nos quais encontramos mais de uma versão musical para um mesmo poema. O hino 130 do Hinário Evangélico é um exemplo disso.

Nos posts seguintes continuarei a escrever sobre Hinologia Cristã, citando a biografia e trabalhos de escritores de hinos cristãos, buscando respaldo em sua formação pessoal. Dentre os grandes, os Metodistas estão entre os principais nomes, como por exemplo Charles Wesley, que será abordado no próximo post.

“Escreveu mais de cinco mil hinos. Em todos os hinários que
circulam entre o povo que fala inglês encontram-se hinos de Carlos Wesley"


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