Moacir Santos - Coisa nº5

26 de abr. de 2012 |


Há quinze dias publiquei um texto sobre uma obra do maestro brasileiro Moacir Santos que se encontra no link: Coisa n°3. Dando continuidade, hoje aprenderemos um pouco sobre sua obra “Coisa nº5”.

Diferente do texto anterior, não farei uma análise técnica da música. Minha intenção aqui, primeiramente, é divulgar o maestro, que foi mestre de tantos como João Donato, Baden Powell, Nara Leão, Roberto Menescal, Flora Purim, entre vários outros, e continua ensinando nos dias atuais, mesmo que indiretamente, pois sem dúvida sua obra perdurará eternamente; e mostrar especificamente através da Coisa nº5, as variadas formações e versões de uma mesma música.

Coisa nº5, encontrada no disco “Coisas” de Moacir, é uma versão instrumental, com elementos afros em evidencia, harmonia sofisticada, instrumentação com um caráter sinfônico diferenciado, presença do tema e improviso – características da música erudita, do jazz, da música afro-brasileira, tudo muito bem condensando em uma mesma obra, em uma mesma vida! A marca registrada de Moacir.

Abaixo a gravação de Coisa nº5 do disco “Coisas”:




Essa é considerada a obra mais conhecida de Moacir, com uma parceria com “Mario Telles”, que compôs uma letra para a mesma que passou a se chamar “Nanã”. A música foi o tema principal do filme: “Ganga-Zumba” (de Cacá Diegues).

Deixo uma versão cantada para apreciação:



Garimpando o Youtube, achei um trecho do filme “Ganga-Zumba”, no qual Moacir fez a trilha, O tema ouvido no início da cena é o da “Coisa nº9”; e a partir dos 6:00min aprox. o próprio Moacir cantarola a melodia de “coisa nº5”. Cena rara! Confiram:


Finalizando com chave de ouro, deixo uma última versão, essa de cunho bem jazzístico, com Stefano Bollani (piano), Zé Nogueira (sax soprano), Mirko Guerrini (sax tenor), Nico Gori (clarinete), Marco Pereira (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Jurim Moreira (bateria) e Armando Marçal (percussão). Time da pesada! Confiram:



Espero que curtam, escutem Moacir sem moderação!

Abraço,

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Coisa nº3 - Moacir Santos

12 de abr. de 2012 |


Olá, nesse post quero apresentar, caso não a conheça, uma das várias e grandes obras do Maestro brasileiro “Moacir Santos”, chamada “Coisa nº3”.

Foi gravada originalmente no disco “Coisas” de Moacir Santos, o qual contém 10 faixas, todas denominadas como “coisas”, apenas a numeração as diferenciam, exemplo: coisa nº1; coisa nº2, e assim sucessivamente. Ao justificar a nomeação de sua obra, Moacir disse que não podia compará-la com uma obra de verdade, que sua música era uma “coisa” qualquer, fato que comprova sua tamanha humildade, haja vista que é considerado um dos maiores compositores brasileiros do século XX e XXI.

Especificamente a “Coisa nº3, deixa evidente uma das principais características de Moacir, que é dificuldade de ser classificado como “Erudito” ou “Popular”, pois o caráter sinfônico pende muito para o primeiro, e os elementos afro-brasileiros ea harmonia jazzística para o segundo. A obra inicia-se com um duo no mínimo inusitado de piano e percussão que vai até os 1:20 min aproximadamente; a percussão é responsável por um ostinato (repetição) rítmico que sustenta a música até o fim, o que remete à característica supracitada dos elementos afro-brasileiros, ea base harmônica do piano e algumas vezes até mesmo a melodia segue o mesmo desenho rítmico.

O piano prepara a entrada dos demais instrumentos com um “crescendo” e sai de cena subitamente; agora o que era feito por ele passa para a orquestra com metais, madeiras, contra-baixo, guitarra elétrica e vibrafone. Os instrumentos como flauta, trompete e clarinete são responsáveis pela melodia, os mais graves como trombone, saxofone barítono e trompa pelos BG's, a guitarra elétrica eo vibrafone fazem melodias curtas de efeito.

Abaixo o áudio retirado do disco “Coisas”:




No link abaixo você encontra disponível para download o disco “Coisas” e vários outros de Moacir Santos:

Espero que essa leitura e escuta possa despertar interesse em conhecer um pouco mais sobre esse grande nome da música brasileira.

Outras “coisas” lindas virão por aí, aguardem!

Abraço,

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Uma Noite em 67 - #03: A Música de Edu

29 de mar. de 2012 |


Se você acompanhou os textos anteriores dessa série, talvez tenha se perguntando em algum momento: quem ganhou esse festival? Caso não tenha os lido veja em http://goo.gl/bhGcN. Ressalto que essa série é apenas um resumo do documentário “Uma Noite em 67”, e para quem quer entender todos os detalhes dessa noite histórica é necessário assisti-lo na íntegra.

Respondendo a pergunta anterior, o ganhador desse festival foi “Edu Lobo”. Ele conseguiu o primeiro lugar com a belíssima canção “Ponteio”, parceria com “Capinan”. Edu representou muita coisa para o festival, já o festival não representou tanto para ele, mesmo tendo o ganhado, tanto que logo após sua vitória, viajou para uma turnê na França, afim óbvio, de oportunidade de trabalho, mas mais do que isso, foi para se livrar do assédio do primeiro lugar no festival, e da obrigação de cantar “Ponteio” em todos os shows que fizesse no Brasil.

Edu é um caso à parte comparado aos demais compositores e interpretes brasileiros, não é a toa que é considerado a terceira pessoa da “trindade da música brasileira”, precedido por Heitor Villa-Lobos, e Tom Jobim respectivamente. Aos 23 anos, época do festival, sua música já era muito bem feita, mas diferente de muitos artistas brasileiros, ele não se acomodou com o sucesso, e foi estudar música de verdade, o que o transformou num compositor de altíssima qualidade.

Se você é músico (musicista), ou apenas um admirador de música brasileira de qualidade e ainda não conhece esse cara, invista seu tempo pesquisando sua arte, e o melhor de tudo é que ele ainda está vivo, normalmente só se fala bem de artistas falecidos, nesse caso, se você der sorte, ainda poderá vê-lo pessoalmente.

Abaixo o vídeo da apresentação de “Ponteio” no festival de 67, e um breve trecho do documentário, confiram:









Deixo outra dele que gosto muito : ”Vento Bravo” (1973)






Se interessou? Quer saber mais? Confira seu site oficial: http://www.edulobo.com.br/site/

Espero que curtam, Abraço.


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Uma Noite em 67 - #02: A Marcha contra Guitarra Elétrica.

15 de mar. de 2012 |


Estamos no meio de uma série de textos sobre o documentário “Uma Noite em 67”, que trata do Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record no ano de 1967. Como citado no post anterior da série, devido a alguns acontecimentos, esse festival foi especial em relação a outros. 
Neste post tratarei de um momento histórico da música popular brasileira, na verdade, mais polêmico do que histórico. Trata-se de um movimento organizado por músicos da “Mpb” que eram contra a introdução da “guitarra elétrica” em suas músicas, alegando que, junto com esse instrumento “americanizado”, viriam muitas outras coisas que tirariam o caráter “nativo” dessa música.

No dia 17 de julho de 1967, dois meses antes do festival, vários artistas, entre eles, Elis Regina, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, foram para as ruas protestar. Contra a ditadura militar? A favor do direito de expressão artística? Não,. Pasmem, mas foi contra a guitarra elétrica. 

Muitos foram contra esse movimento, que particularmente acho que foi totalmente desnecessário, próximo ao ridículo. “Caetano Veloso” foi um deles, e mais do que isso, no festival ele contou com a participação de um grupo de jovens argentinos, músicos de rock, os “Beat Boys”, que introduziram no arranjo de sua canção “Alegria, Alegria”, o som das guitarras elétricas. 

Confiram alguns depoimentos extraídos do documentário e a execução de “Alegria, Alegria” de Caetano:




O caso que considero mais inexplicável foi o de “Gilberto Gil”. Antes de qualquer coisa eu quero deixar claro que o considero um dos maiores músicos do mundo; o cara é genial, sua contribuição para a música brasileira é indiscutível, porém, fez um papel que considero lamentável. Participou da Marcha contra a guitarra elétrica e, dois meses depois, participou do festival concorrendo com sua canção “Domingo no Parque” com a participação dos “Mutantes”, que, como sabemos, é uma banda de “Rock Brasileiro”, e usou guitarra elétrica nessa ocasião. Confesso que essa do Gil eu não entendi... enfim, sua arte é maior que isso tudo e prefiro me apegar a ela a esses acontecimentos isolados.

Confiram: 





Abraços,

 

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Uma Noite em 67 Parte 1: Uma noite de vaias

1 de mar. de 2012 |


Em busca de um bom referencial para falar de música popular brasileira, recordei-me de um documentário riquíssimo, direção de Renato Terra e Renato Calil, que outrora havia assistido. Ele trata especificamente de um festival de música popular brasileira que a TV Record produzia, o qual sintetiza vários aspectos dessa arte na década de 60. O documentário se chama “Uma Noite em 67” e pode ser encontrado, na íntegra, nos “4shared da vida”, e eu recomendo muito que assistam. Como o nome sugere, o festival em questão ocorreu no ano de 1967. Baseando-me na sequência de assuntos que nele é tratado, discutirei um pouco, como citado acima, sobre os aspectos de nossa música popular.

Este foi o 3º Festival da Música Popular Brasileira organizado pela Tv Record e dá pra desconfiar que tenha sido especial em relação aos outros, ao ponto de ganhar um documentário só para ele. Em depoimento, o diretor da Tv Record, Paulinho Machado de Carvalho, confessou que organizava os festivais pensando em espetáculos de luta livre, escolhia os cantores comparando-os com personagens como o “vilão”, o “mocinho”, o “pai da moça”, entre outros. Um fato interessante é que a plateia, com sua participação ativa e vibrante, tornou-se também uma personagem da história; esse fato é evidente nas imagens gravadas. 

Com o tempo e a sequência de festivais ocorridos, passou-se a utilizar o termo “música de festival” – canção que cativa a plateia na primeira escuta. Os compositores compunham já pensando na aprovação do público. Isso, de certa forma, criou um estilo diferenciado de canção. Quando algum compositor, por ousadia, tentava fugir desse padrão, certamente era vaiado.

Houve um caso absurdo no festival de 67. O cantor e compositor “Sérgio Ricardo” apresentou sua canção “Beto Bom de Bola”, com um arranjo inteiramente modificado, desconhecido pelo público. No momento em que o apresentador dá essa notícia, a plateia vai ao delírio, vaiando-o sem cessar. Sérgio Ricardo perde completamente a cabeça, canta totalmente “semitonado” e faz um show à parte. Vale muito a pena conferir abaixo:



rs, deu a louca no Sérgio, que, com essa atitude, foi desclassificado do festival.

Outro acontecimento interessante ocorreu com “Roberto Carlos”. Como tudo era manipulado, “obrigaram-no” a cantar um samba, “Maria, Carnaval e Cinzas de Luiz Carlos Paraná”. O público estava acostumado a ouvir Roberto cantando “Jovem Guarda”. No que isso deu? Vaias, muitas vaias... havia uma torcida organizada contra ele. Mas Roberto não é “rei” à toa. O cara, elegantemente, venceu a plateia, sendo ovacionado como se deve ser e conseguindo o modesto quinto lugar. Confiram:




Você pode notar que a plateia era muito envolvida, mas, ao mesmo tempo, muito chata! Ora aplaudindo, ora vaiando, sempre protestando. Há uma explicação óbvia para esse fenômeno: a década de 60 era década de “ditadura”, de repressão; não podia se pensar no Brasil, muito menos protestar, inclusive, muitos dos artistas, que serão citados no decorrer dessa série, foram presos e até exilados devido a isso. Esses festivais eram uma forma dessa massa soltar toda raiva que estava oprimida... e os “Sérgios Ricardos” da vida que se virassem.

Segundo palavras do realizador do festival, Solano Ribeiro: “O festival nada mais era que um programa de TV”. “Ele adquiriu uma importância histórica, política, sociológica, musical e transcendental”.

Nos próximos posts continuarei a falar sobre esse período e artistas da música brasileira. Espero muito que curtam!

Abraço.

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Música para músicos

16 de fev. de 2012 |


Estamos próximos do Carnaval e sabemos que nessa época há muitas festas regadas de música, axé em sua maioria, e outros hits mais... Conheço muitos músicos que trabalham nos “trios”, pois a demanda nesse período é muito grande. Devido ao excesso de horas consecutivas de show e as músicas que, em sua maioria, não passam de passatempo para a orgia nacional, a maioria desses músicos aceitam esse trabalho por necessidade financeira, longe de ser por amor à arte. Até então eu nunca vi o contrário, e, confesso, se algum dia eu precisar, topo o “cachê” numa boa.

Isso me faz refletir sobre o papel do músico “popular” na sociedade brasileira atual. Até quando “bons” músicos vão precisar “vender” sua “mão de obra” a esses eventos para sobreviver? Esses músicos que trabalham no carnaval têm espaço na mídia para divulgar seus trabalhos individuais? Pensando nessas questões me veio à mente a história do “Jazz”. Será que tem algo a ver?
Meu intuito aqui não é fazer um texto de cunho histórico, mas apenas um breve apanhado dos primórdios do jazz e me ater especificamente no estilo “Bebop”, no qual encontro uma semelhança com o problema supracitado.

Podemos considerar o ano de 1900 como o palco do surgimento do jazz como forma musical reconhecível. Antes disso vem o que chamamos de “pré-história do jazz”, que abrange a “música gospel”, o “blues”, os “work songs”, entre outros. A partir da década em questão, o Jazz passou por várias transformações estilísticas. Como dito acima, não vou dissertar sobre todas elas, saltarei para o surgimento dos “Boppers”.

A comercialização do jazz tornou o seu repertório basicamente versões jazzísticas da música popular Norte Americana do momento, a “balada”. Escolhia-se de uma massa de hits atuais algumas canções e delas elaboravam suas versões, resultando no que chamamos hoje de “Standards”. Isso muito revoltava os músicos de jazz da época, era um trabalho um tanto desagradável, que faziam senão para se sustentar. Na década de 40, esses músicos tomaram uma decisão que fez total diferença em sua música, criaram as “Jam Sessions” – sessão musical que acontecia após o expediente de trabalho das bandas que tocavam esses Standards, na qual os músicos agora não mais tocavam para um público especifico, mas sim para si mesmo. Faziam música para músicos. Daí surge o estilo “Bebop”, do qual os primeiros revolucionários foram: “Gillespie”; Kenny Clarke; Charlie Christian; Charlie Parker, entre outros.

A característica mais marcante dos “Boppers”- músicos que tocam bebop – é o virtuosismo, faziam coisas nos seus instrumentos que poucos conseguiam acompanhar. Quem se arriscasse a entrar nesse mundo tinha que estar preparado, pois era algo mais ou menos do tipo “chegar e tocar”, e não era qualquer coisa que tocavam lá (rs). Por que eu ri? Por que era/é coisa de louco, as melodias criadas já eram dificílimas e obrigatoriamente deveriam ser tocadas a 230 bpm ou mais, ou seja, MUITO rápido mesmo! E improvisar fluentemente na mesma onda.

Deixo um exemplo que considero o mais clássico “bebop”, “Donna Lee” de “Miles Davis” interpretada por “Charlie Parker” no Sax alto, o próprio “Miles” no Trumpet, “Bud Powell” no piano, “Tommy Potter” no baixo e “Max Roach” na bateria.





E outro, uma “tentativa” minha




Espero que gostem, Abraços.

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Gosto ou Falta de Opção?

2 de fev. de 2012 |


"Gosto não se discute”... essa expressão poderia fazer sentido há uns 25 anos, quando ainda se preservava a criatividade musical e, depois de examinar cada manifestação artística, o ouvinte poderia afirmar: “não gosto disso” ou “gosto daquilo”. Neste texto, tratarei de questões históricas referentes à música brasileira, e arte no geral, e provarei que, hoje, gosto se discute sim!

A história da música “popular” brasileira, didaticamente, começa a tomar forma no “Maxixe” do final do século XIX, posteriormente se consolidando no “Choro” e no “Samba”. Com o passar dos anos, especificamente a década de 50, é fortemente influenciada pelo “Jazz norte americano” e por músicos brasileiros mais sofisticados como, por exemplo, “Johnny Alf”. Foi nessa década que nasceu a “Bossa Nova”; apesar de tentativas anteriores de Heitor Villa Lobos e Carlos Gomes de mostrar as caras do Brasil para o exterior, através de suas respectivas músicas, pode-se afirmar que foi a Bossa Nova que protagonizou melhor esse papel.

A Bossa Nova foi um movimento extremamente intelectual e popular ao mesmo tempo. Seus dois maiores expoentes foram Tom Jobim e João Gilberto. Tom, era uma mistura de complexidade e simplicidade; compôs obras que podem ser executadas pela melhor orquestra do mundo, como também pode ser cantarolada por qualquer leigo em música. João Gilberto foi o maior revolucionário da música brasileira dessa época, pois impôs uma assinatura com o seu violão e seu canto, quase que “falado”, que é reconhecido até hoje e se tornou marca registrada da Bossa Nova.

Uma parte dos músicos que participaram desse movimento, junto com outros, fortemente influenciados pelo rock and roll, e o reggae de “Bob Marley”, rompem com o mesmo, dando um pontapé inicial em um novo estilo, conhecido como “Tropicália”. Os músicos tropicalistas queriam romper com uma espécie de academicismo que a Bossa Nova havia estabelecido, pregavam a liberdade de expressão artística, refletida em suas composições, na maneira de se vestir e na performance em geral.

Talvez você esteja se perguntando: "O que isso tem a ver com gosto?" Fiz um breve panorama da nossa música popular até chegar à Bossa Nova e, posteriormente, ao Tropicalismo. Dei ênfase aos dois últimos pois, a partir de agora, passo a justificar a questão do gosto, através dos mesmos. Pessoalmente, eu cheguei à conclusão que gosto da Bossa Nova como música e nem tanto do Tropicalismo, porém, mesmo não gostando, respeito muito este último como movimento artístico musical e sei de sua importância para a música brasileira.

Pense no que vai ler agora: “Nem tudo que é belo é bom, nem tudo que é feio é ruim”. Em arte, esses adjetivos não andam sempre juntos, necessariamente; um artista pode compor sua obra usando técnicas que a torne “bela”, ou propositalmente “feia”. E é basicamente isso o que acontece entre a Bossa Nova e o Tropicalismo. Na Bossa Nova é tudo muito “certinho”, as letras das canções, em sua maioria, são refinadíssimas, muitas vezes fugindo do nível “popular”. Já a Tropicália é o inverso disso; ela veio para romper com o “banquinho e o violão”. Então é evidente que, em um primeiro momento, ela aparenta ser “feia”, mas muito rica! Ter a consciência do belo e do feio na arte é libertador, pois você passa a julgar as manifestações com outros olhos, ler nas entrelinhas. Por isso que, dessa forma, gosto não se discute, pois algo que é belo para mim, pode ser feio para você, ou vice-versa, porém, a importância desse “algo” para a sociedade, a sua função, o seu propósito, é imutável para qualquer pessoa.

Quer outro exemplo? A obra de ‘”da Vinci”, a famosa “Mona lisa”.
Mona Lisa - Da Vinci
Pessoalmente, não vejo beleza nela. Pra mim, não passa de uma mulher olhando para você com os braços cruzados. Não seria o quadro que eu compraria. Mas é exatamente o fato de ser apenas uma mulher com os braços cruzados, olhando para você, que a fez tão especial. Ela é um retrato do humanismo, do renascimento, e mostra os valores que perpassam sua sociedade, em que o homem volta a ser o centro do pensamento, por isso a considero como uma obra-prima de "Da Vinci", mesmo não a achando bela.

Voltando à música, vamos dar um salto para os anos 90, década em que os produtores musicais começam a tomar conta do negócio. É nessa época que a criatividade artística começa a ser desvalorizada, no Brasil; isso é um absurdo, pois, em um país onde a principal característica é a enorme variedade de culturas, a criatividade é o cerne. As grandes gravadoras começaram a lucrar muito com os “músicos brasileiros”, a máquina foi crescendo, e, quanto mais cresce mais se precisa de dinheiro. O foco da produção artística musical deixa de ser a criatividade do artista, deixa de ser a arte e passa a ser o entretenimento, que gera lucros. Dessa forma, é a maquina produtiva que impõe o seu gosto; se hoje você escuta o que está na mídia, não é por que aprendeu a gostar, é porque o obrigaram a gostar.

Se pararmos para lembrar, vamos nos dar conta de que, a partir da década em questão, surgiram várias febres musicais no país, que sumiram de repente. São pequenos formatos musicais, confeccionados pelos produtores e não pelos artistas, que, em parceria com a mídia, ditam o que vai vender ou não, ditam o que o “povo” vai escutar ou não, pois o mesmo não tem escolha: escuta aquilo que é dado. E, dessa forma, a cultura artística musical do Brasil vai decaindo, obrigando a ”massa” conviver com “axé”, “sertanejo universitário”, “pagode”, “funk carioca”, entre outros; logicamente, há as raridades de exceções que podem ter algum significado proveitoso, mas são raridades mesmo! São coisas que não fazem pensar, coisas fáceis de ouvir, coisas que cauterizam o senso crítico.

E a música “Gospel Brasileira” está fora dessa sujeira? Ai, ai... Arrisco-me a dizer que é a mais envolvida nessa vergonha toda. Quer um exemplo? Eu sou nascido em berço cristão, ouço músicas cristãs desde minha primeira infância e, até os meus 15 anos, aproximadamente, eu nunca sequer tinha ouvido a palavra “Shekhinah” na vida; e, de uns anos pra cá, tudo quanto é disco evangélico tem que ter essa palavra. Agora, não venha me dizer que os compositores cristãos atuais estão sensibilizados com a “Glória de Deus” e, por isso, cantam essa “febre”. É óbvio que, depois do sucesso do hit “Derrama tua Shekhinah”, do PopStar do momento, “Fernandinho”, ter vendido muito, todo mundo vai gravar isso.

Outro exemplo: a gravadora gospel “MK” tinha o costume de gravar coletâneas de canções “poplove”. Quem não se lembra daqueles discos ridículos, “Amo Você”? A gravadora pegava seus artistas mais rentáveis e os obrigavam a criar canções desse cunho. Lembro-me da banda “Oficina G3” gravar, uma ou duas vezes, para essa coletânea, até o momento em que eles dependiam da gravadora; hoje em dia, como eles não são macacos de laboratório, pararam de participar dessa vergonha. Comece a discutir o seu gosto, pois, se você se expõe aos bombardeios da mídia, você deve ter um grau de infecção desse vírus .

Espero que com isso, você, brasileiro, reflita um pouco, pois a música brasileira, “Secular” ou “Gospel”, é riquíssima até hoje, mas, infelizmente, vive à margem da mídia. O mundo inteiro reconhece os grandes nomes da nossa música, só os brasileiros que não! Invista tempo em escutá-los; vá ao teatro assisti-los; e, como diria o mestre Gilberto Gil: “Procure saber”.


“Antes a morte da fome da comida do que a morte da falta de informação” (Tom Zé)





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Profissionalismo, você tem?

19 de jan. de 2012 |


Este texto tratará especificamente de um assunto do interesse de músicos “praticantes” de igrejas, ou até mesmo de músicos no geral. Isto não impede de você, que não se enquadra em nenhuma das duas opções, de lê-lo, pois poderá se identificar de alguma forma e, até mesmo, contribuir com questionamentos. Tratarei de alguns aspectos que se fazem essenciais para uma boa produção musical. As conclusões que serão mostradas aqui são frutos de convivência, direta e indireta, com mestres e mestras da área, que muito têm contribuído para minha formação. Espero conseguir passá-las de maneira clara.


O primeiro passo é distinguir a diferença entre Músico Profissional e Músico Amador. É simples; só há um pequeno detalhe que os diferenciam, que é o fato de um receber cachê para tocar ou cantar e o outro não, respectivamente.

Há uma consideração a ser feita: você, que é apenas músico na sua igreja e não ganha nenhum centavo em troca, obviamente está incluído na classe dos amadores, mas isso não faz você nem um pouco menos importante que um profissional e, muito menos, sem obrigações de um profissional. Se pensarmos em termos de nível técnico, há vários amadores; e os que fazem por onde, muito melhores que profissionais. Mas, normalmente, é o inverso que prevalece, pois, na maioria dos casos, são os profissionais que se dedicam de verdade. 

Não deveria ser assim. Partindo do princípio que quem toca/canta na igreja, toca/canta para louvar a Deus, esses deveriam ser os melhores. Deus merece a melhor música desse mundo como adoração, não é óbvio? Mas, infelizmente, não é o que acontece. Há uma predominância de falta de responsabilidade nas igrejas, de falta de profissionalismo – no sentido de organização. Citarei alguns casos e sugestões abaixo. Acredito que ai, na sua igreja, eles não acontecem.

- O mais clássico de todos é o atraso aos compromissos. No ensaio se chega mais cedo, tempo suficiente para organizar seus equipamentos e estar totalmente pronto no horário marcado. 

- Música se tira em “casa” e não no ensaio! Você, líder, seja organizado; forneça, com uma semana de antecedência, no mínimo, áudios, cifras, partituras, vídeos, referentes à música a ser aprendida. E você, músico, chegue ao ensaio com tudo assimilado. Caso haja dúvidas, anote-as e as exponha.

- Brincadeiras são muito bem vindas, mas não deixe que venham a ser o foco das reuniões e diminuir o tempo de rendimento.

- Baterista, você é O/A cara da banda; se você errar, a banda inteira erra. Sabe o que é “Metronomo”? Pois bem, se não sabe, procure saber... ontem! Se souber, de agora em diante, durma com ele, acorde com ele, almoce com ele, trabalhe com ele e, principalmente, ESTUDE SEU INSTRUMENTO COM ELE! Como é de se esperar, pois é uma realidade da grande maioria dos templos, a acústica da sua igreja deve ser péssima, projetada por alguém que não entende disso; por isso, você deve estar cansado de ouvir que toca alto pra caramba! Sinto lhe dizer, a solução é maneirar na mão mesmo e torcer para que sua igreja invista e compre uma bateria com peças pequenas.

- Contrabaixista, depois do baterista você exerce o papel mais importante da “gig”. E sua função é, nada mais e nada menos, que MARCAÇÃO! Se você é daqueles baixistas que necessitam ficar jogando frases ao acaso o tempo inteiro, mude de instrumento, migre para o saxofone ou guitarra. Tire um bom som do seu instrumento, tenha um bom “Groove”.

- Violonista e Guitarrista, é... vocês são problemáticos! Faço parte dessa raça. Considero os instrumentos mais versáteis, pois se pode fazer base, solos, melodias, contra-melodias, efeitos etc... Saiba como e quando usar tais artifícios; tome cuidado com o volume! Toque com o volume médio e aumente apenas nos solos. Atente ao seu timbre; ele faz toda a diferença, se for bem regulado.

- Tecladista, você tem milhares de efeitos no seu instrumento. Tenha bom gosto! Dialogue com os outros instrumentos harmônicos e tome cuidado para não sujar a base rítmica. Na dúvida, opte por um timbre de cordas e deixe a rítmica com violão e guitarra.

- Cantores, cantem, não gritem! Sejam afinados, óbvio; saibam as letras de cor e, se possível, estudem um instrumento harmônico – violão ou teclado, por exemplo.

- Instrumentistas de instrumentos melódicos em geral, pelo amor do Pai do Céu, afinem seus instrumentos! Eles não vêm afinados de fábrica! Se estiver lendo uma partitura, toque o que está escrito; improvise apenas na hora do seu solo.

Todo e qualquer músico, estude! Estude e Estude! Você tem que ser capaz de ter tempo diário para isso. Escute boa música e seja o mais profissional possível. Tenha sempre o desejo de ser o melhor no que faz, mesmo sabendo que será impossível... mas tente! Tenha a consciência de que é um artista - um produtor de arte - faça-a com excelência. 

São essas poucas considerações que faço até o presente momento. Espero que seja útil. E fique à vontade para questionamentos e sugestões. 

Forte Abraço.


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Tocou-me. A Música Gospel de Elvis Presley

4 de jan. de 2012 |


Há um mês publiquei um texto sobre a origem da Música Gospel, nele disse que ela influenciou um dos maiores nomes da música moderna, Elvis Presley, rei do Rock and Roll. Como ressaltado nele, essa música gospel era muito diferente da nova e multifacetada atual. Caso não tenha lido e quiser conferir, esse é o link: http://www.juvemetodista.com.br/2011/12/musica-gospel-o-surgimento-do-estilo.html
Não sou um profundo conhecedor de sua biografia e nem é minha intenção aqui fazer um texto com esse cunho. Farei menção especificamente de sua relação com a música gospel tanto na infância e adolescência, quanto na vida profissional.

Tomei como base o documentário “He Touched Me – The Gospel Music of Elvis Presley” (Tocou-me – A Música Gospel de Elvis Presley), que está disponível no youtube integralmente, divido em algumas partes. Sugiro que assista-o, pois nele poderão ver fotos da infância e juventude de Elvis, alguns episódios importantes como seu batizado. É possível ver também alguns depoimentos preciosos como o da diretora do Elvis Presley Birthplace (local de nascimento, disponível para visitas turísticas) - http://www.elvispresleybirthplace.com/, de integrantes de quartetos vocais como os “The Jordanaires”, “The Imperials” que fizeram parte de sua banda como vocal de fundo e de integrantes de quartetos vocais que fizeram parte de sua adolescência como “The Blackwood Brothers” e “Statesmen”. Vale ressaltar que todos esses quartetos supracitados são quartetos de música gospel.

Elvis passou boa parte de sua vida morando em uma casa de apenas 2 cômodos em Tupelo em Mississipi onde foi criado sob ensinamentos religiosos na 1ª Igreja Assembléia de Deus. Era comum encontrá-lo, quando criança, em apresentações gospel pela cidade. Em 1948, junto com sua família, muda-se para Memphis, capital responsável por colocá-lo na história.

Há um lado de Elvis Presley pouco explorado pela mídia, de um homem extremamente espiritual que cultivava imenso amor pela música gospel. Pode-se afirmar que seu primeiro contato com a música foi através desse estilo, produzido em sua infância.

Recortei alguns trechos que considero marcantes do documentário, segue o vídeo abaixo:




Elvis Presley gravou discos de música gospel e, devido a sua fama, abriu-a para o mundo. Como visto no vídeo, ele cantava as canções em suas apresentações “seculares” e me arrisco a dizer que fazia com total sinceridade. Não tenho dúvidas que o nome de Deus foi louvado e pregado nesses shows!

Levanto agora uma questão polêmica e que assombra a maioria das igrejas atualmente. Baseado na vida de Elvis Presley, onde se faz a divisão entre a música que louva e que não louva a Deus? Músico cristão pode trabalhar com música secular? Músico secular pode louvar a Deus em seus trabalhos?

Pense em quantas pessoas hoje conhecem canções como “Tocou-me” e “Vencendo vem Jesus” graças às gravações de Elvis. Quantas pessoas se converteram devido a isso. Termino com uma frase de Elvis dita a um repórter: “Nunca esperei ser alguém importante. Talvez não o seja, mas o que quer que eu seja... o que quer que eu faça, será o que Deus escolheu pra mim. Sinto que ele observa cada passo meu”.

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A LOVE SUPREME

22 de dez. de 2011 |


Neste post tratarei um pouco da vida de quem, em minha opinião, é um dos maiores músicos e compositores da história: o saxofonista “John Coltrane”, sua espiritualidade e de uma de suas maiores obras que dá nome ao texto.

Filho de John Robert Coltrane e de Alice Blair Coltrane, nasceu em 23 de setembro de 1926, em Hamlet, Carolina do Norte. Um de seus avôs era pastor da Igreja Metodista Africana Episcopal de Sião. John cresceu em um ambiente familiar muito musical; seu pai tocava violino e ukulele e sua mãe era corista na igreja; consequentemente, Coltrane cresceu sob ensinamentos cristãos da denominação citada e foi influenciado pela música que lá era produzida.

Ressaltarei detalhes primordiais para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer sua arte:

Coltrane foi um saxofonista de jazz, considerado um dos criadores do “Free Jazz”, vertente que propunha uma liberdade de improvisação musical total do músico. No início de carreira, tocava sax alto; posteriormente, migrou para o sax tenor e, nesse último, é considerado o “maior dos maiores”.

Na década de 40 já tocava profissionalmente em bares e clubes ao redor da Filadélfia, mas não demorou muito para ganhar espaço entre os melhores de sua contemporaneidade, dentre eles: Dizzy Gillespie,Thelonious Monk, Milles Davis...

Adquiriu o vício da heroína no decorrer de sua carreira, fato que o atrapalhou musicalmente. Exemplo disso foi quando trabalhava na banda de Milles Davis, que acabara de se livrar do mesmo vício, e, devido ao uso dessa substância perdeu seu emprego.

Em 1958 dá a volta por cima, vencendo o vício e retomando seu emprego na banda.

Em abril de 1960 deixa o grupo de Miles Davis para seguir carreira solo.

Nessa nova fase, grava o Álbum “A Love Supreme”, lançado em fevereiro de 1965, que é considerado sua obra prima.

É acompanhado pelos músicos: Elvin Jones na bateria, McCoy Tiner no piano e Jimmy Garrison no baixo.

Esse álbum possui quarto faixas: 1ª “Acknowledgement”; 2ª “Resolution”; 3ª "Pursuance” e 4ª “Psalm”, que aconselho sejam escutadas incessantemente.

Coltrane dedica essa obra a Deus e deixa isso bem claro no encarte do álbum. Nele, o músico escreveu que experimentou a graça de Deus em 1957, ano em que se livra do vício da heroína. Diz, ainda, que o disco é um humilde presente a Ele e termina com a frase “Louvado seja a Deus”.

O quarto movimento de A Love Supreme, “Psalm”, é, de fato, um arranjo baseado em um poema feito para Deus, também impresso no álbum.

Abaixo um vídeo com o áudio de Psalm, acompanhado do poema.

Note que a melodia tocada por Coltrane no sax recita o texto, ao ponto de que, se atentarmos minuciosamente, ouviremos sua voz através da voz de seu instrumento.





Como visto, o texto é em inglês, portanto, recortarei alguns pontos, já traduzidos para o português, que considero esclarecedores:

1º: “Todos os caminhos levam a Deus...” – Nessa afirmação ele deixa claro que apesar de crer em “um” Deus, acredita que todos os caminhos levam até Ele. Obs: Não entrarei no mérito de dizer se ele está certo ou não, e espero que esse não seja o foco de possíveis comentários aqui. O fato é que Coltrane foi e continuará sendo um dos maiores músicos de jazz da história e que sua maior obra foi dedicada a Deus.

2º “Eu farei tudo que posso para ser digno de Ti, ó Senhor”

3º “Ele sempre foi, Ele sempre será”

4º “Alegria, elegância, exaltação, tudo é de Deus; Obrigado Deus. Amém”

Essas três últimas citações, e muitas outras, mostram sua reverência a Deus.

Ressalto novamente a importância de se ouvir esse álbum várias vezes, seguindo a ordem das músicas, e tentar perceber a mensagem que Coltrane quis passar com a sonoridade empregada e a reverência ao amor supremo de Deus que cultivava.

Se você não é familiarizado com esse estilo, não se espante se achar uma coisa muito estranha em uma primeira escuta; é uma sonoridade muito densa e requer um tempo para se familiarizar. Mas saiba, é uma viagem sem volta, pois quando se tornar orgânico, não vai querer ouvir outra coisa.

Espero muito que gostem!

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Música Gospel: O surgimento do estilo

8 de dez. de 2011 |











A palavra Gospel significa “evangelho”, “boas novas”. Hoje em dia define-se por música gospel toda canção que contém mensagens sobre o cristianismo ou em raros os casos, versões instrumentais dessas canções. Independente do estilo - rock, pop, samba, jazz, entre outros – toda manifestação musical com teor cristão é tida como Gospel.

Esse novo conceito, e chamo de novo por que difere muito do seu original, veio se formar por volta da década de 70 e 80, fortemente influenciado pelo rock ‘n roll que desde o seu nascimento na década de 50, mudou por completo o cenário mercadológico musical mundial.
Os escravos da África Ocidental trazidos para o sul dos Estados Unidos, foram os criadores do “estilo” gospel. Essa afirmação parece um pouco contraditória, pois todos sabem que a religião africana em sua grande maioria, é considerada pagã para o cristianismo.

Seus costumes nativos sobreviveram melhor sob os donos de escravos católicos do que sob os protestantes, pois os católicos, não se preocupavam muito com a salvação das almas de seus escravos, muitas das vezes, nem sequer os consideravam seres com alma! Já os donos protestantes não admitiam esses costumes, daí surge à música negra africana cristã. Os escravos trouxeram consigo a complexidade rítmica, a escala pentatônica (escala com 5 notas ex: do-re-mi-sol-la – tratarei especificamente deste assunto em outra oportunidade) e melodias formadas sob pergunta e resposta, essa característica em especial influenciou o blues e o jazz, era usada pelos negros como artifício de comunicação, cantavam informações confidenciais em códigos para seus senhores não os descobrir. Alguém perguntava através de uma melodia improvisada, outro respondia de forma musicalmente coerente.

Com a abolição da escravatura nos EUA em 1865 as igrejas dos negros viraram celeiros musicais, foi nessa época em que se formaram os grandes coros de música gospel. No início as canções eram acompanhadas apenas por palmas, com o passar do tempo inclui-se instrumentos como violão e banjo, e mais tardiamente, na década de 40 o piano assume papel de principal acompanhador dos coros.

O gospel influenciou muita gente famosa: Elvis Presley, Aretha Franklin, Ray Charles. Elvis chegou a gravar alguns LP’s de música gospel.

Deixo aqui um vídeo explicativo sobre uma canção no estilo spiritual negro, música gospel “original” e que todos nós conhecemos:







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Marco Zero

2 de dez. de 2011 |












Enfim o dia 02 de dezembro de 2011 chegou! Se você acompanhou toda a "perturbação" que geramos nas redes sociais, deve estar aliviado! O título deste texto é bastante significativo, pois hoje começa a história do JuveMetodista BLOG. Uma história que começa a ser escrita hoje, literalmente!


Poucos meses atrás, desafiei alguns amigos para participarem deste projeto junto comigo e, felizmente, todos aceitaram prontamente. Desde então, somam habilidades e ideias e fazem tudo isso se tornar possível.

Anna, Caio, Cecilia, Daniel, Eliézer, George, Igor, Samara, Samuel, Talita, Vinicius e eu, desejamos sinceramente que você curta este espaço e sempre encontre aqui algo interessante, construtivo, edificante, etc. Vamos nos esforçar o máximo para isso, pode ter certeza!

Obviamente não dá pra saber aonde chegaremos, por quanto tempo fará sentido manter este BLOG no ar; não dá pra saber se teremos leitores/seguidores, se a equipe atual permanecerá até o fim ou se haverá um fim. Sabemos somente que este é um começo! O começo de uma história que queremos escrever junto com você! Se você for nosso principal parceiro, poderemos chegar longe, muito além de onde imaginamos!

Mas, aproveitando que falei em parceria, agradeço aos Blogs parceiros, que nos ajudaram até aqui e continuarão ajudando! Sem estes caras, todo o barulho que estamos fazendo na internet hoje, não seria possível!

Estamos desenvolvendo uma linha de produtos voltados para a juventude cristã e acreditamos que vocês gostarão bastante. Serão camisetas, marca página, cartões, etc. Além disso, em breve anunciaremos eventos direcionados a este público! Aguardem!

Este BLOG não é ligado a nenhuma instituição da Igreja Metodista. Apesar do nome, não divulgará conteúdos institucionais ou políticos dela, por isso o slogan: "Verdades sem rótulos". Este é um espaço para todos, cristãos ou não; é destinado a qualquer um que tenha interesse de ler textos sobre fé, missão, teologia, cristianismo e tudo que for relacionado a essas coisas. Sabemos que este nome pode gerar algum tipo de resistência em você, mas confie, não vamos levantar nenhuma bandeira aqui, além da do Reino de Deus.

Então, está oficialmente lançado e inaugurado o JuveMetodista BLOG! Contamos com sua presença por aqui todos os dias. Convide seus amigos. Sinta-se "em casa", sempre.

Muito obrigado por participar deste momento tão especial!

Forte abraço,

Luiz Fernando Pimentel
Equipe JuveMetodista BLOG  

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