5 mentiras que a "igreja" me contou. #05

1 de nov. de 2012 |


A vida cristã e a loucura evangélica

Um antigo ditado popular diz que "de médico e louco todo mundo tem um pouco". Recentemente, este tema da loucura, especialmente no meio evangélico, veio à tona e recheou de comentários e protestos as redes sociais e até mesmo os telejornais. Em nome de um evangelho descolado e moderno, alguns arriscam, segundo eles próprios, a cometer loucuras em nome de Jesus. A autorização, de acordo com os descolados, para este comportamento de demência, pois esta é a definição de loucura, está em 1 Coríntios, capítulo 1.

Será que Paulo quis dizer aos Coríntios que qualquer tipo de loucura em nome do evangelho seria tolerada, desde que o slogan “Jesus” estivesse presente? Uma análise do contexto histórico e cultural nos ajudará a esclarecer esta loucura.

Primeiramente, devemos saber que a cidade de Corinto ficava na Grécia. Sim, claro que isso é importante! Você deve se lembrar de que a Grécia foi o berço da filosofia ocidental e se considerava   a mãe de toda sabedoria naquela época. Outra questão muito importante é que os gregos consideravam uma loucura certos ensinamentos cristãos, tais como a ressurreição, por exemplo. Então Paulo, inteligentemente, serve-se da ironia para tratar, logo no início da sua carta aos gregos, sobre a sabedoria humana e a sabedoria divina. Sim, isso mesmo! Este texto está apoiado em uma ironia.

Note como o apóstolo Paulo contrapõe os termos “loucura da mensagem da cruz” no v. 18, com a destruição da “sabedoria” dos sábios, no v. 19, pois os gregos se julgavam muito sábios em virtude de sua filosofia, que, a propósito, significa "amigo da sabedoria". Paulo se vale de seus estudos e conhecimentos dos estilos literários para confrontar a pretensa sabedoria grega com a verdade do evangelho. Ou seja, Paulo não estava autorizando nenhum tipo de loucura quando escreveu aos coríntios, mas apenas enfatizando, por meio da ironia, que a sabedoria deles, diante de Deus, era uma loucura!

Portanto, fundamentar alguma atitude de loucura em prol de parecer descolado e moderno para aqueles que ainda não são cristãos, especialmente utilizando um texto irônico, é uma loucura própria daqueles que não entenderam completamente a verdadeira loucura do evangelho.

Alexandre Milhoranza
Alexandre Milhoranza - Convidado Especial
Alexandre Milhoranza é analista de sistemas e estudante de teologia. Muito bem casado com a Ana Claudia e pai da Bárbara e do Eduardo, seus mini filósofos de plantão.
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Este texto faz parte da série '5 mentiras que a "igreja" me contou'. Desenvolvida especialmente por Alexandre Milhoranza para o #JuveMetodista BLOG.

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5 mentiras que a "igreja" me contou. #04

25 de out. de 2012 |


A vida cristã e a psicoterapia musical

Os efeitos da música sobre o ser humano são notórios. É fato consumado que a música tem o poder de alterar o estado de humor, transmitindo harmonia e paz. A música é uma linguagem que todos entendem e pode ser um elo para a união das pessoas.

A música é também um excelente instrumento para a educação. Quem nunca estudou musicalizando nomes de elementos químicos, personalidades históricas ou mesmo os livros da Bíblia? A música torna o aprendizado mais agradável e muito mais cognitivo.

Em virtude do poder e dos efeitos da música sobre o ser humano, a religião, desde os mais remotos tempos, sempre se utilizou da música. Um bom exemplo disso está descrito em Êxodo 15, que narra a música que Moisés compôs quando Deus livrou os hebreus dos egípcios. Você também deve se lembrar dos efeitos que a música tocada por Davi tinha sobre o perturbado rei Saul. No primeiro caso temos um uso litúrgico da música, no segundo, psicológico.

O Novo Testamento, inclusive, cita a música como um meio pedagógico no culto cristão. Leia Colossenses 3.16 e note como Paulo orientou a Igreja a usar hinos e cânticos espirituais para o ensino e admoestação dos seus membros. Agora compare a sugestão de Paulo com o uso que alguns grupos religiosos têm feito da música. Os mantras melódicos e as repetições de trechos de auto-ajuda substituíram o ensino doutrinário, privando a mente dos fiéis de avaliar a pregação e o conteúdo do culto que estão prestando a Deus.

Amparados pela bengala musical, os pregadores carismáticos arrebatam os fiéis que, embriagados, perdem a capacidade de discernir os espíritos, como orientou o apóstolo João. O culto se torna, desta maneira, um espaço alternativo de yoga pseudocrístã da qual ninguém sai edificado ou alimentado, mas inebriado e extasiado. Contudo, o êxtase passa... e o que resta? Nada. Fica apenas a vontade de sentir mais uma vez o efeito narcótico coletivo, um prato cheio para pregadores vazios.

Alexandre Milhoranza
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5 mentiras que a "igreja" me contou. #03

18 de out. de 2012 |


A vida cristã e as falsas promessas

Promessas. Vivemos num mundo que perdeu a consideração pela palavra falada. Se te prometeram alguma coisa, que foi não foi registrado por escrito, isto não tem o menor valor para nossa sociedade. Entretanto, nem sempre foi assim, mas houve um tempo no qual as palavras faladas tinham peso, e alguém poderia morrer caso não cumprisse o prometido.

Talvez, por saudosismo, ou por teimosia mesmo, algumas pessoas ainda vivem de acordo com este paradigma. E fazem muito bem, afinal Jesus nos desafiou a darmos credibilidade às nossas palavras quando disse que nosso “sim” deveria ser SIM, e nosso “não” deveria ser NÃO. Nada de meias palavras ou promessas vazias.

Acontece que este trauma pela falta de credibilidade das palavras faladas tem levado muitos cristãos a prometerem coisas que Deus nunca prometeu, ou pior, dar credibilidade a uma ideia que jamais foi pretendida por nenhum escritor bíblico.

Recentemente vi numa dessas fan pages do Facebook a seguinte frase: “Quem tem promessa de Deus não morre antes de ver todas elas cumpridas em sua vida”. Este tipo de argumento na Filosofia é chamado de falácia. Uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega (Wikipedia). É um argumento ineficaz, pois sabemos que existem muitos cristãos que morrem no mundo todo que não chegaram a ver seu filho de volta ao Evangelho, por exemplo. Portanto, não há como comprovar que esta ideia seja verdade se apenas um cristão morrer nestas condições. O que diríamos dele? Que não tinha promessas?

Este argumento, além de ineficaz, é também inconsistente e não possui fundamento nas Escrituras. Ora, se a frase acima se propõe a ser um “Pensamento de crente”, de acordo com a descrição da Fan Page no Facebook, é de se esperar, no mínimo, que tenha seu alicerce na Bíblia, o livro dos crentes. Logo, vamos ver o que a Bíblia diz sobre Promessas e morte. O livro de Hebreus no capítulo 11 nos traz a galeria dos heróis da fé. E bem no finalzinho do capítulo o autor diz que todos eles, apesar do seu testemunho de vida, morreram sem alcançar a promessa. Portanto, a frase em destaque, embora sirva como uma espécie de autoajuda, não reflete o padrão bíblico, especialmente em virtude da maioria dos textos bíblicos terem sido escritos quando os cristãos passavam por grandes períodos de perseguição e ameaças de morte.

Logo, ao promover este tipo de pensamento, alguns cristãos perpetuam a falta de credibilidade da palavra falada ao transformar as palavras da Bíblia em promessas vazias que jamais serão cumpridas pela simples razão que nunca foram, de fato, uma promessa.
que


Alexandre Milhoranza
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5 mentiras que a "igreja" me contou. #02

11 de out. de 2012 |

A vida cristã e a sede pelo poder

O ser humano deseja o poder. Sua vontade de dominação sobre o próximo pode ser vista desde a infância, quando um irmão tenta manipular o outro. Este comportamento pode ser observado nas empresas, onde, por meio dos trâmites corporativos, as pessoas querem que seu próximo se submeta aos seus caprichos. A noção de equipe perde facilmente para este primitivo instinto humano. Para alcançar este objetivo, inúmeras estruturas e processos sociais foram criados. Em todas as instituições sociais existem mecanismos que preveem a manipulação do próximo para subjugá-lo à dominação daqueles que estão no topo da hierarquia. A Igreja não é uma exceção a esta regra.

Como toda instituição social, a Igreja também criou seus mecanismos de dominação. Algumas pessoas, quando assumem uma determinada função de liderança, visando o fortalecimento de sua posição e a inerrância de suas sugestões (que soam mais como uma ordem), usam o trecho de Efésios 5.21-23 para legitimar sua tentativa de dominação sobre seu irmão. Neste trecho, Paulo ensina que todos devem ser submissos uns aos outros.

Essa passagem pode ser entendida sob o ponto de vista da humildade e esta interpretação também é correta. Entretanto, somente este sentido deixa margem para o líder, mencionado acima, argumentar que todos os outros devem ter humildade suficiente para acatar suas ordens e sugestões. Apesar do clima de mal-estar, todos acabam concordando por não terem argumentos melhores contra esta clara tentativa de manipulação. Contudo, ao verificarmos a palavra que Paulo usou originalmente para se comunicar com os efésios, quando tratou sobre a submissão, daremos outro sentido ao texto, que poderá ser aplicado por todos os cristãos sem deixar tanta margem para falsas interpretações.

O termo que Paulo usa para demonstrar que os efésios deveriam ser submissos uns aos outros remete ao sentido de “estar posto embaixo como um suporte”. Isto é, a posição de estar embaixo, com o significado de humildade apenas, deixa de lado a razão principal pela qual Paulo escreve, que é servir como um suporte uns aos outros. Portanto, o sentido principal deste texto não é a humildade, mas o serviço cristão. Isso fica mais claro nos versículos seguintes, quando Paulo lembra o amor e serviço que Cristo demonstrou à Igreja, que deveria seguir este exemplo.

Imagine uma mesa sem o seu suporte. Seria inútil não? A existência do suporte em si mesmo não tem muita lógica e, em contrapartida, a tábua da mesa sem um sustentador não tem muita serventia. A mesa estará completa apenas com a tábua e o suporte juntos. Este é o sentido de estar submisso que Paulo usa aos Efésios. Esta interpretação é reforçada pela linguagem que Paulo utiliza durante toda a carta, comparando a Igreja com o corpo humano, no qual cada membro tem sua função e nenhum deles dá ordens impostas aos outros membros. Aliás, no corpo humano, o único órgão que efetivamente dá as ordens é o cérebro, que fica na cabeça. Mas, de acordo com Paulo aos colossenses, o cabeça da Igreja é Cristo; e não qualquer cristão em particular, com suas tentativas de manipulação do seu próximo.

Que o Senhor te abençoe e te guarde.

Alexandre Milhoranza
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5 mentiras que a "igreja" me contou. #01

4 de out. de 2012 |


A vida cristã e a tirania das metas

Metas, objetivos e alvos numéricos, quem está livre deles hoje? Vivemos em uma sociedade massacrada pelos números. Em sua empresa você está moralmente obrigado a produzir cada vez mais sob risco de demissão caso falhe no cumprimento de suas metas. Na escola ou na faculdade seus professores exigem uma quantidade mínima de leitura e produção acadêmica, além da tirania dos ponteiros da balança que insistem em jogar na sua cara que você não está cumprindo a meta do peso ideal. Os números te sufocam. Os números te acusam insolentemente.


Entretanto você encontra em sua comunidade de fé um ambiente acolhedor, livre da opressão dos números e das metas, certo? Infelizmente isso nem sempre é verdade, pois, algumas igrejas acham que a grande comissão dada por Jesus está atrelada ao cumprimento de metas numéricas. “Você deve trazer durante este mês pelo menos uma pessoa não salva!” – pedem alguns líderes. “Quantas almas você ganhou para Jesus no ano passado?” – acusam outros. E, onde deveria ser um ambiente de restauração e refrigério, acaba tornando-se outro lugar para o cumprimento de mais tarefas e metas. Os números te acusam até mesmo na igreja.

A justificativa que muitos líderes dão está supostamente baseada no texto de João 15. “O crente deve dar frutos, senão será cortado da árvore!” - asseveram os feitores dos números. Certa vez, ouvi de um destes pastores numerólogos que os frutos que Jesus menciona neste trecho são as almas que ganhamos para o Reino de Deus. “E agora? Ainda não levei ninguém a Cristo este ano” – preocupa-se aquele irmão dedicado e envolvido com a obra de Deus. “Eu testemunhei, mas ninguém se converteu.” – confessa ele ao seu travesseiro. “Eu convidei meus vizinhos e parentes para o musical anual da Igreja, mas ninguém aceitou meu convite” – desabafa com sua pesada consciência.

Ao mesmo tempo em que a meta de quantas “almas” ganhamos para Jesus é apresentada também ouvimos que o Evangelho liberta. E isso causa confusão e frustração na mente de muitas pessoas que desejam viver uma vida cristã coerente. Porém, este conceito de um evangelho baseado em metas numéricas pode ser desfeito pelo estudo do contexto de João 15.

Nesta passagem Jesus diz que seus discípulos devem dar frutos, e isso é incontestável. Mas a qual fruto Jesus está se referindo? Uma leitura cuidadosa vai nos mostrar que Jesus esta falando do amor que seus discípulos devem mostrar uns aos outros, tal como o próprio Jesus mostrou por eles. Aqui Jesus sequer menciona o processo de evangelização que tomamos como certo para gerar tais frutos. Jesus não condiciona o discipulado a qualquer método numérico, nem projeta um sistema de crescimento por meta alcançada.

Jesus nos liberta da tirania das metas e dos números ao nos mandar amar ao próximo e não condiciona nossa ligação ao tronco com o cumprimento ou não da meta. Nossa ligação com o tronco está condicionada ao amor que temos uns pelos outros, pois, se não amamos aqueles a quem vemos como poderemos amar a quem não vemos? Se não temos amor uns pelos outros não temos o amor do Pai, e, se não temos o amor do Pai, logo não estamos ligados ao tronco.

Portanto, o fruto não é uma meta numérica de quantas almas ganhamos para Jesus, mas o ideal de uma vida de amor pelo próximo.

Que o Senhor te abençoe e te guarde.

Alexandre Milhoranza
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5 mentiras que a "igreja" me contou. [Prefácio]

27 de set. de 2012 |


"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento..." [Oséias 4:6a]

Começo com uma prática comum entre cristãos, que desaponta bastante o autor desta série, e que é usada por muitos pra deturpar, na maioria das vezes, o sentido real de textos. Desde as primeiras vezes que tive contato com o Alexandre Milhoraza,  vi-o ensinando os contextos corretos de textos bíblicos, usados equivocadamente para os mais diversos fins, e então, trazendo clareza ao que a bíblia realmente quis dizer com aquilo. Acho que um dos meus primeiros contatos com ele foi, inclusive, aprendendo a respeito de algo que eu havia interpretado de forma errada.

O objetivo desta série, não é denegrir a imagem da Igreja (Instituição, seja qual for). Sabemos que o nome escolhido é bem forte, mas, é exatamente por isso que usamos igreja, com a primeira letra minúscula, e entre aspas, para deixar claro que estamos falando de pessoas. Afinal, a maioria das coisas erradas que aprendemos sobre o cristianismo ou a bíblia, aprendemos na caminhada com outros irmãos, livros, congressos, seminários, música gospel, etc. Nem sempre o pensamento e conhecimento das pessoas estão alinhados com a visão teológica de suas denominações.

O que pretendíamos, quando convidamos o Milhoranza, era desmistificar algumas coisas que se tornaram quase um senso comum entre muitos cristãos. E é este o único objetivo desta série! Desmentir coisas que são propagadas como verdades e tentar mostrar o que é que a bíblia tem a dizer sobre estes assuntos.

Como o título já deixa claro, serão cinco textos e eles serão publicados a partir da próxima semana, sempre às quintas-feiras.

Esperamos que vocês curtam bastante esta série! E não deixem de conhecer as outras séries do blog clicando aqui.

Forte abraço,



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