Uma Noite em 67 - #03: A Música de Edu

29 de mar. de 2012 |


Se você acompanhou os textos anteriores dessa série, talvez tenha se perguntando em algum momento: quem ganhou esse festival? Caso não tenha os lido veja em http://goo.gl/bhGcN. Ressalto que essa série é apenas um resumo do documentário “Uma Noite em 67”, e para quem quer entender todos os detalhes dessa noite histórica é necessário assisti-lo na íntegra.

Respondendo a pergunta anterior, o ganhador desse festival foi “Edu Lobo”. Ele conseguiu o primeiro lugar com a belíssima canção “Ponteio”, parceria com “Capinan”. Edu representou muita coisa para o festival, já o festival não representou tanto para ele, mesmo tendo o ganhado, tanto que logo após sua vitória, viajou para uma turnê na França, afim óbvio, de oportunidade de trabalho, mas mais do que isso, foi para se livrar do assédio do primeiro lugar no festival, e da obrigação de cantar “Ponteio” em todos os shows que fizesse no Brasil.

Edu é um caso à parte comparado aos demais compositores e interpretes brasileiros, não é a toa que é considerado a terceira pessoa da “trindade da música brasileira”, precedido por Heitor Villa-Lobos, e Tom Jobim respectivamente. Aos 23 anos, época do festival, sua música já era muito bem feita, mas diferente de muitos artistas brasileiros, ele não se acomodou com o sucesso, e foi estudar música de verdade, o que o transformou num compositor de altíssima qualidade.

Se você é músico (musicista), ou apenas um admirador de música brasileira de qualidade e ainda não conhece esse cara, invista seu tempo pesquisando sua arte, e o melhor de tudo é que ele ainda está vivo, normalmente só se fala bem de artistas falecidos, nesse caso, se você der sorte, ainda poderá vê-lo pessoalmente.

Abaixo o vídeo da apresentação de “Ponteio” no festival de 67, e um breve trecho do documentário, confiram:









Deixo outra dele que gosto muito : ”Vento Bravo” (1973)






Se interessou? Quer saber mais? Confira seu site oficial: http://www.edulobo.com.br/site/

Espero que curtam, Abraço.


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Uma Noite em 67 - #02: A Marcha contra Guitarra Elétrica.

15 de mar. de 2012 |


Estamos no meio de uma série de textos sobre o documentário “Uma Noite em 67”, que trata do Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record no ano de 1967. Como citado no post anterior da série, devido a alguns acontecimentos, esse festival foi especial em relação a outros. 
Neste post tratarei de um momento histórico da música popular brasileira, na verdade, mais polêmico do que histórico. Trata-se de um movimento organizado por músicos da “Mpb” que eram contra a introdução da “guitarra elétrica” em suas músicas, alegando que, junto com esse instrumento “americanizado”, viriam muitas outras coisas que tirariam o caráter “nativo” dessa música.

No dia 17 de julho de 1967, dois meses antes do festival, vários artistas, entre eles, Elis Regina, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, foram para as ruas protestar. Contra a ditadura militar? A favor do direito de expressão artística? Não,. Pasmem, mas foi contra a guitarra elétrica. 

Muitos foram contra esse movimento, que particularmente acho que foi totalmente desnecessário, próximo ao ridículo. “Caetano Veloso” foi um deles, e mais do que isso, no festival ele contou com a participação de um grupo de jovens argentinos, músicos de rock, os “Beat Boys”, que introduziram no arranjo de sua canção “Alegria, Alegria”, o som das guitarras elétricas. 

Confiram alguns depoimentos extraídos do documentário e a execução de “Alegria, Alegria” de Caetano:




O caso que considero mais inexplicável foi o de “Gilberto Gil”. Antes de qualquer coisa eu quero deixar claro que o considero um dos maiores músicos do mundo; o cara é genial, sua contribuição para a música brasileira é indiscutível, porém, fez um papel que considero lamentável. Participou da Marcha contra a guitarra elétrica e, dois meses depois, participou do festival concorrendo com sua canção “Domingo no Parque” com a participação dos “Mutantes”, que, como sabemos, é uma banda de “Rock Brasileiro”, e usou guitarra elétrica nessa ocasião. Confesso que essa do Gil eu não entendi... enfim, sua arte é maior que isso tudo e prefiro me apegar a ela a esses acontecimentos isolados.

Confiram: 





Abraços,

 

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Uma Noite em 67 Parte 1: Uma noite de vaias

1 de mar. de 2012 |


Em busca de um bom referencial para falar de música popular brasileira, recordei-me de um documentário riquíssimo, direção de Renato Terra e Renato Calil, que outrora havia assistido. Ele trata especificamente de um festival de música popular brasileira que a TV Record produzia, o qual sintetiza vários aspectos dessa arte na década de 60. O documentário se chama “Uma Noite em 67” e pode ser encontrado, na íntegra, nos “4shared da vida”, e eu recomendo muito que assistam. Como o nome sugere, o festival em questão ocorreu no ano de 1967. Baseando-me na sequência de assuntos que nele é tratado, discutirei um pouco, como citado acima, sobre os aspectos de nossa música popular.

Este foi o 3º Festival da Música Popular Brasileira organizado pela Tv Record e dá pra desconfiar que tenha sido especial em relação aos outros, ao ponto de ganhar um documentário só para ele. Em depoimento, o diretor da Tv Record, Paulinho Machado de Carvalho, confessou que organizava os festivais pensando em espetáculos de luta livre, escolhia os cantores comparando-os com personagens como o “vilão”, o “mocinho”, o “pai da moça”, entre outros. Um fato interessante é que a plateia, com sua participação ativa e vibrante, tornou-se também uma personagem da história; esse fato é evidente nas imagens gravadas. 

Com o tempo e a sequência de festivais ocorridos, passou-se a utilizar o termo “música de festival” – canção que cativa a plateia na primeira escuta. Os compositores compunham já pensando na aprovação do público. Isso, de certa forma, criou um estilo diferenciado de canção. Quando algum compositor, por ousadia, tentava fugir desse padrão, certamente era vaiado.

Houve um caso absurdo no festival de 67. O cantor e compositor “Sérgio Ricardo” apresentou sua canção “Beto Bom de Bola”, com um arranjo inteiramente modificado, desconhecido pelo público. No momento em que o apresentador dá essa notícia, a plateia vai ao delírio, vaiando-o sem cessar. Sérgio Ricardo perde completamente a cabeça, canta totalmente “semitonado” e faz um show à parte. Vale muito a pena conferir abaixo:



rs, deu a louca no Sérgio, que, com essa atitude, foi desclassificado do festival.

Outro acontecimento interessante ocorreu com “Roberto Carlos”. Como tudo era manipulado, “obrigaram-no” a cantar um samba, “Maria, Carnaval e Cinzas de Luiz Carlos Paraná”. O público estava acostumado a ouvir Roberto cantando “Jovem Guarda”. No que isso deu? Vaias, muitas vaias... havia uma torcida organizada contra ele. Mas Roberto não é “rei” à toa. O cara, elegantemente, venceu a plateia, sendo ovacionado como se deve ser e conseguindo o modesto quinto lugar. Confiram:




Você pode notar que a plateia era muito envolvida, mas, ao mesmo tempo, muito chata! Ora aplaudindo, ora vaiando, sempre protestando. Há uma explicação óbvia para esse fenômeno: a década de 60 era década de “ditadura”, de repressão; não podia se pensar no Brasil, muito menos protestar, inclusive, muitos dos artistas, que serão citados no decorrer dessa série, foram presos e até exilados devido a isso. Esses festivais eram uma forma dessa massa soltar toda raiva que estava oprimida... e os “Sérgios Ricardos” da vida que se virassem.

Segundo palavras do realizador do festival, Solano Ribeiro: “O festival nada mais era que um programa de TV”. “Ele adquiriu uma importância histórica, política, sociológica, musical e transcendental”.

Nos próximos posts continuarei a falar sobre esse período e artistas da música brasileira. Espero muito que curtam!

Abraço.

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