Moacir Santos - Coisa nº5

26 de abr. de 2012 |


Há quinze dias publiquei um texto sobre uma obra do maestro brasileiro Moacir Santos que se encontra no link: Coisa n°3. Dando continuidade, hoje aprenderemos um pouco sobre sua obra “Coisa nº5”.

Diferente do texto anterior, não farei uma análise técnica da música. Minha intenção aqui, primeiramente, é divulgar o maestro, que foi mestre de tantos como João Donato, Baden Powell, Nara Leão, Roberto Menescal, Flora Purim, entre vários outros, e continua ensinando nos dias atuais, mesmo que indiretamente, pois sem dúvida sua obra perdurará eternamente; e mostrar especificamente através da Coisa nº5, as variadas formações e versões de uma mesma música.

Coisa nº5, encontrada no disco “Coisas” de Moacir, é uma versão instrumental, com elementos afros em evidencia, harmonia sofisticada, instrumentação com um caráter sinfônico diferenciado, presença do tema e improviso – características da música erudita, do jazz, da música afro-brasileira, tudo muito bem condensando em uma mesma obra, em uma mesma vida! A marca registrada de Moacir.

Abaixo a gravação de Coisa nº5 do disco “Coisas”:




Essa é considerada a obra mais conhecida de Moacir, com uma parceria com “Mario Telles”, que compôs uma letra para a mesma que passou a se chamar “Nanã”. A música foi o tema principal do filme: “Ganga-Zumba” (de Cacá Diegues).

Deixo uma versão cantada para apreciação:



Garimpando o Youtube, achei um trecho do filme “Ganga-Zumba”, no qual Moacir fez a trilha, O tema ouvido no início da cena é o da “Coisa nº9”; e a partir dos 6:00min aprox. o próprio Moacir cantarola a melodia de “coisa nº5”. Cena rara! Confiram:


Finalizando com chave de ouro, deixo uma última versão, essa de cunho bem jazzístico, com Stefano Bollani (piano), Zé Nogueira (sax soprano), Mirko Guerrini (sax tenor), Nico Gori (clarinete), Marco Pereira (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Jurim Moreira (bateria) e Armando Marçal (percussão). Time da pesada! Confiram:



Espero que curtam, escutem Moacir sem moderação!

Abraço,

Leia mais

Coisa nº3 - Moacir Santos

12 de abr. de 2012 |


Olá, nesse post quero apresentar, caso não a conheça, uma das várias e grandes obras do Maestro brasileiro “Moacir Santos”, chamada “Coisa nº3”.

Foi gravada originalmente no disco “Coisas” de Moacir Santos, o qual contém 10 faixas, todas denominadas como “coisas”, apenas a numeração as diferenciam, exemplo: coisa nº1; coisa nº2, e assim sucessivamente. Ao justificar a nomeação de sua obra, Moacir disse que não podia compará-la com uma obra de verdade, que sua música era uma “coisa” qualquer, fato que comprova sua tamanha humildade, haja vista que é considerado um dos maiores compositores brasileiros do século XX e XXI.

Especificamente a “Coisa nº3, deixa evidente uma das principais características de Moacir, que é dificuldade de ser classificado como “Erudito” ou “Popular”, pois o caráter sinfônico pende muito para o primeiro, e os elementos afro-brasileiros ea harmonia jazzística para o segundo. A obra inicia-se com um duo no mínimo inusitado de piano e percussão que vai até os 1:20 min aproximadamente; a percussão é responsável por um ostinato (repetição) rítmico que sustenta a música até o fim, o que remete à característica supracitada dos elementos afro-brasileiros, ea base harmônica do piano e algumas vezes até mesmo a melodia segue o mesmo desenho rítmico.

O piano prepara a entrada dos demais instrumentos com um “crescendo” e sai de cena subitamente; agora o que era feito por ele passa para a orquestra com metais, madeiras, contra-baixo, guitarra elétrica e vibrafone. Os instrumentos como flauta, trompete e clarinete são responsáveis pela melodia, os mais graves como trombone, saxofone barítono e trompa pelos BG's, a guitarra elétrica eo vibrafone fazem melodias curtas de efeito.

Abaixo o áudio retirado do disco “Coisas”:




No link abaixo você encontra disponível para download o disco “Coisas” e vários outros de Moacir Santos:

Espero que essa leitura e escuta possa despertar interesse em conhecer um pouco mais sobre esse grande nome da música brasileira.

Outras “coisas” lindas virão por aí, aguardem!

Abraço,

Leia mais
Próxima Página