Língua: pequenas palavras grandes consequências

24 de set. de 2012 |


"De uma só boca procede bênção e maldição." (Tiago 3.10a) 

Hoje gostaria de refletir acerca de uma das menores partes do corpo humano: a língua. Apesar de seu pequeno tamanho, sua capacidade excede, por quilômetros, seu real comprimento.

Sem sombra de dúvidas, a linguagem é uma das maiores qualidades do ser humano, pois é graças a ela que “o homem pode pensar, refletir, exprimir-se, interagindo com os outros e com o que há à sua volta”. Mas qual é o segredo de tamanho poder da língua e das mais diversas formas de expressão verbais? O segredo está no fato de que “ela permite aos seres humanos produzirem um conjunto infinito de enunciados a partir de um conjunto finito de elementos". Ou seja, por meio do encadeamento de palavras, qualquer ser humano que tenha suas faculdades cognitivas ditas normais pode expressar os mais diversos raciocínios, sentimentos, desejos, vontades e intenções.

E é exatamente neste ponto que reside o problema. Você e eu, meu querido(a) amigo(a), podemos expressar absolutamente qualquer coisa com a língua. E isso, para seres que tendem a ser egoístas, que gostam de pensar antes em si do que no outro, pode ser um problemão!

A mesma língua que nos possibilita apresentar as maiores verdades e falar acerca das mais belas histórias, o mesmo órgão que lhe permite abençoar quem está ao seu lado e quem está muito longe, esta pequeníssima parte do seu corpo que pode ser usada para cantar lindas músicas e declamar magníficas poesias, também pode ser usada para destruir pessoas, relacionamentos, vidas...

Uma das coisas de que mais gosto na Bíblia Sagrada é que ela não esconde as fragilidades de seus heróis. Dos doze discípulos que Jesus escolheu para acompanhá-lo em seus três anos finais de caminhada pela Terra, Pedro é o líder da turma. Ele é o que primeiro levanta a mão, o que toma a frente quando o mestre não está presente; é dele que temos uma das primeiras declarações claras sobre quem era Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mateus 16.16)

Pedro é o primeiro apóstolo que discerne, com ajuda de Deus, qual era o verdadeiro ministério de Jesus. Ele percebe que aquele galileu de meia idade não andava pelas ruas e caminhos montanhosos da Palestina apenas para dar bons exemplos ou para combater um determinado pensamento religioso e social, mas que ele era o próprio Filho de Deus encarnado, que veio ao mundo para trazer salvação abundante.

Até este momento, parece que a história vai ser muito legal; mas, logo a seguir, a narrativa diz que Jesus começa a predizer sua morte falando que deve ir para Jerusalém, sofrer muitas coisas. Neste momento, Pedro, que estava com o moral alto após sua declaração de que Jesus era o Filho de Deus, resolve dar um pitaco para facilitar a vida do Mestre: “chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás!” (Mateus 16.22,23a)

Já li este texto inúmeras vezes, mas, sempre que o releio, percebo o quanto todos nós, o quanto eu, estou sujeito a cometer o mesmo erro de Pedro! No mesmo dia em que posso trazer vida e salvação para alguém, por meio das mais perfeitas palavras vindas da parte de Deus, posso maldizer meu próximo, posso fazê-lo tropeçar apenas com o poder deste pequeníssimo órgão, posso fazer secar suas esperanças e deixar seu semblante dessolado e marcado por traços de morte.

A Bíblia nos diz que podemos ser boca de Deus ou de Satanás... o que você pretende ser na próxima vez em que usar sua língua?!

Que Deus abençoe nossas línguas!

Até a próxima...

Lucas Andrade Ribeiro
Lucas Ribeiro
Sou Lucas Andrade Ribeiro, natural de Ipatinga/MG. Formado em Filosofia pela Unicamp e atualmente estudo Teologia na Fateo/Metodista.
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De todas as tribos, povos e raças

30 de ago. de 2012 |


“Aclamem a Deus, povos de toda a terra!” Salmo 66.1

Esta semana tive a oportunidade de, mais uma vez, vivenciar algo que sempre me toca: a percepção da grandiosidade do amor de Deus, que se expressa nas mais diversas culturas, povos e nações.

Na última sexta-feira, fiquei algumas horas conversando com duas simpáticas seminaristas norte-americanas que são intercambistas na universidade em que estudo. E, no último domingo, minha igreja recebeu a visita de dois pastores bolivianos que estão fazendo um curso na cidade de São Paulo. Nestas duas oportunidades, o mesmo pensamento veio ao meu coração: meu Deus, como o Senhor é grande; como o seu amor não tem fronteiras!

Não sei se você já parou pra pensar nisso mas, neste momento, ao redor do mundo, milhões, talvez bilhões de pessoas, estão adorando a Deus enquanto você lê este texto. Quantas pessoas estão orando, lendo a Bíblia, ajudando seu próximo, cultuando... Isso me lembra uma antiga música do Guilherme Kerr, que eu convido você a ouvir, caso possa, enquanto continua a leitura dessa reflexão: De Todas as Tribos.

Esta canção é um convite à adoração e nos lembra que em todas as tribos, povos e raças existem pessoas que buscam a Deus e são nossos irmãos e irmãs na fé em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador.

Nosso livro sagrado, a Bíblia, foi originalmente escrito apenas em três línguas: hebraico, aramaico e grego. Porém, nos dias atuais, eu nem me arrisco a contar quantas línguas são usadas para cultuar a Deus. Isso é manifestação, aos meus olhos, da grandiosidade da benevolência divina que se alegra em se manifestar às mais diversas culturas da Terra.

Frente a tão maravilhosa manifestação da graça, que atravessa toda e qualquer barreira étnica e social, respondo e chamo você a responder ao convite que esta música nos faz, em sua última estrofe:


"E a nós só nos cabe tudo dedicar
Oferta suave ao Senhor
Dons e talentos queremos consagrar
E a vida no Teu altar pra Teu louvor."


Quero ser um missionário em minha terra, ou em qualquer terra; que Deus me chamar a contribuir na missão que Ele mesmo tem feito. Quero ser parceiro de Deus em Seu propósito de salvar o mundo. Quero participar da Missio Dei. Quero consagrar meus dons, talentos, tempo e juventude para que Seu Santo Nome seja glorificado em todos os continentes. Talvez não seja Seu propósito me levar para muito longe de onde nasci, mas, mesmo não podendo ir a todos os povos, posso orar por todos eles, pedindo que nunca lhes falte pessoas com coragem, dedicação e amor para levarem até eles, através de vidas consagradas, o evangelho.

Hoje ainda não posso ver a concretização das palavras do apóstolo Paulo aos filipenses: “ao nome de Jesus se dobrará todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda a língua confessará que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fl 2.10,11), mas, a cada momento em que tenho a oportunidade de cultuar a Deus, compartilhar a fé e um pouco da vida com pessoas de outros lugares do mundo, lembro-me de que, um dia, todos ainda conhecerão a Jesus.

Até a próxima, na alegria e confiança de que Cristo Jesus está sempre aqui!

Lucas Andrade Ribeiro
Lucas Ribeiro
Sou Lucas Andrade Ribeiro, natural de Ipatinga/MG. Formado em Filosofia pela Unicamp e atualmente estudo Teologia na Fateo/Metodista.
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Você serve pra quê?

14 de ago. de 2012 |


Você já foi dormir com a sensação de que o dia não rendeu? Você já acordou com a sensação de que tem tantas coisas pra fazer ao longo do dia que ele já começa “Tempo 3 X 0 Você”? Então, acho que é assim que estou me sentindo esta semana!

Pensando sobre isso,  lembrei-me de que vivo e estou absolutamente inserido em uma sociedade utilitarista. Poderíamos ficar refletindo sobre as causas que nos levou a chegarmos onde estamos, mas falar muito de teoria quando o assunto é utilitarismo, parece-me um pouco contraditório.

Todos nós, ou pelo menos a maioria, temos a necessidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo para dar conta de todas as demandas às quais nos submetemos. Por exemplo, criaram os eletrodomésticos para agilizar e simplificar a vida em casa, o carro para facilitar os deslocamentos, a internet para facilitar a comunicação; porém, a cada “facilitador da vida” que adquirimos parece que ficamos mais sem tempo.

Talvez, a chave dessa questão esteja no fato de que nosso mundo é movido por forças econômicas, políticas e sociais que lutam dia após dia entre si para conseguir mais recursos. E, neste caso, estou usando a palavra recursos como sinônimo de dinheiro; aquele pedacinho de papel ou simplesmente um cartão com chip que te possibilita comprar algumas coisas que são realmente úteis para sua sobrevivência e inúmeras outras coisas que vão te dar mais dor de cabeça para pagá-las do que vão te ajudar mesmo.

Neste momento me pergunto, e imagino que você, que também vive em uma sociedade que se questiona sobre a utilidade das coisas, esteja se perguntando: qual é a utilidade de pensar acerca dessas coisas para leitores de um blog cristão? Então, não tenho todas as respostas, embora acredite que possa fazer alguns apontamentos.

A lógica do mercado não permite que você viva, pelo menos nos lugares onde eu vivo, sem que você tenha que tentar ganhar dinheiro para comprar o que você quer a todo custo. Sendo assim, a ideia do “tempo é dinheiro” está impregnada em nossas mentes. E ela caminha conosco, inclusive, quando estamos na igreja, lendo a Bíblia, fazendo uma devocional, ajudando alguém, etc.

Com isso, até as relações têm, muitas vezes, se baseado na pergunta: pra que isso, ou essa pessoa me serve? Sei que é duro admitir isso! Mas quantas vezes não conversamos com alguém, mesmo que inconscientemente, pensando no que ganhamos em troca?!

A lógica do “serve pra quê?” é tão forte que nos obriga a viver nosso dia a dia como se não tivéssemos tempo e direito à folga, ao descanso, ao abraço, ao sorriso, ao olhar, ao parar, ao admirar, ao amar...

E isso não se parece nem um pouco com o que leio nas páginas das Sagradas Escrituras. Nelas, vejo homens e mulheres que têm seus afazeres e que sabem que sua dignidade não está no fato de que eles são úteis para ganhar dinheiro e produzir bens,  mas no fato de que são alvos do amor de um Deus Bondoso que nos criou para sua glória (Efésios 1.12). 

Nossa "utilidade" está na possibilidade de amar e de ser amado(a); sou "útil" e "sirvo" para algo a partir do momento em que descubro que sirvo para servir! E nisso, descubro o verdadeiro sentido da vida.

Gostaria de acordar amanhã com as palavras do evangelista em minha mente: “assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.16) 

Quero me levantar a cada manhã, lembrando-me de que posso fazer a diferença na vida das pessoas e que isso glorifica a Deus, meu Criador. Quero ir dormir, a cada noite, percebendo que tive tempo de trabalhar, estudar, ler, meditar, ajudar, olhar, abraçar, amar; viver, não apenas sobreviver...

E peço, humildemente, “Deus que me sondas e conheces” (Salmo 139.1), que no final deste dia, sinta sua doce voz me dizendo: fizemos muita coisa hoje juntos, meu filho(a); amanhã tem mais...

Lucas Andrade Ribeiro
Lucas Ribeiro
Sou Lucas Andrade Ribeiro, natural de Ipatinga/MG. Formado em Filosofia pela Unicamp e atualmente estudo Teologia na Fateo/Metodista.
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Pra frente Brasil: Olimpíadas 2012

30 de jul. de 2012 |


Há duas semanas escrevi um texto intitulado Pra frente Brasil que remetia à saudosa seleção de futebol da Copa do Mundo de 1970. Hoje, gostaria de refletir acerca do que está na mídia e na cabeça de milhões, talvez bilhões, ao redor do mundo: as Olimpíadas de Londres.

Sabem? Fiquei admirado ao assistir a abertura dos jogos Olímpicos. Foi impressionante a superprodução de cinema que fizeram acontecer dentro do estádio. Ver a verdadeira rainha Elizabeth II contracenar com James Bond, o 007, e o Mr. Bean tocando teclado com uma orquestra de verdade, não tem preço! Outra coisa que me chamou a atenção nesta abertura, mas que, creio, fugiu à observação de grande parte das pessoas, foi quem estava sentado logo atrás da rainha, em um lugar de super-honra: o arcebispo da Cantuária, Rowan Willians. Ele é o líder máximo da Igreja Anglicana, igreja oficial da Inglaterra e da qual John Wesley, fundador do metodismo, fez parte até sua morte.

Admito que ver este lugar de proeminência que uma liderança cristã tem naquele país, gerou-me um sentimento duplo, pois, ao mesmo tempo em que este fato marca a forte influência do cristianismo naquela sociedade, ao longo de séculos, também me lembro da apatia religiosa que varre boa parte da Europa, em nosso século, incluindo a protestante Grã-Bretanha, com seus grandes templos e catedrais que estão virando museus, que guardam a lembrança daquilo que foram outrora, mas que não são mais. Oremos pela Europa, pois aqueles que foram responsáveis por boa parte do crescimento do cristianismo ao redor do mundo estão precisando de nossa ajuda para redescobrir a fé em Jesus Cristo.

Mas, voltando às Olimpíadas de Londres, vamos ver, nas próximas semanas, uma avalanche de notícias, imagens, jogos, transmissões ao vivo e reprises das mais diversas modalidades esportivas. Talvez você mesmo esteja vendo algum jogo ou lendo alguma notícia sobre, ela enquanto lê este texto. Independente da modalidade disputada, todos têm o mesmo objetivo: vencer! Atletas do mundo inteiro estarão em disputa para ver quem é o melhor do mundo e, aqueles que vencerem, serão coroados de honrarias, o que, com certeza, lhes trará muitos ganhos materiais.

Muito se fala sobre vencer uma competição como esta, porém, poucos estão aptos ou a fim de se submeterem às condições de treino, alimentação e disciplina que estes atletas têm. Conversando com um amigo meu, que trabalha com atletas de alto nível, alguns dos quais estão nas Olimpíadas, ele me disse que, em média, até um atleta chegar à condição de ganhar uma medalha olímpica, ele investe de 10 a 15 anos de sua vida, tendo a disciplina e as muitas exigências como companheiras constantes; e todos eles fazem isso por um objeto, que podemos pegar e cunhar, chamado medalha de ouro.

Neste momento penso, quanta dedicação por um pedaço de metal! Não estou desmerecendo todos que se dedicam para ganhá-la, pelo contrário, estes homens e mulheres são muito valorosos. Porém, gostaria de fazer uma reflexão para nós cristãos, será que temos vivido nossas vidas para Cristo com a mesma dedicação que os atletas vivem em função das Olimpíadas? Será que vivo lembrando de que a salvação que recebi de Jesus é muito mais valiosa do que uma medalha de ouro? Será que me aplico com toda a dedicação e disposição para espalhar as boas novas do Evangelho?

Gostaria de recorrer a um texto do apóstolo Paulo para nos ajudar nesta reflexão: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar.” (1 Coríntios 9.25,26).

Sigamos a Jesus; vivamos buscando ser iguais ao Mestre; espalhemos as boas novas de salvação, levemos outros a conhecerem o grande Amor de Deus que existe por toda a humanidade e que está disponível em Cristo.

Se um atleta se dedica com tanta disciplina e afinco para ganhar uma medalha, eu quero viver com mais afinco e dedicação ainda, para ser achado digno da grande salvação que Deus me concedeu. Quero, com todas as minhas forças, ajudar pessoas a conhecerem a Cristo, e O terem como Senhor e Salvador de suas vidas, pois sabemos que não lutamos ou corremos por aquilo que é passageiro... nossa corrida tem a linha de chegada na eternidade.

Eu quero correr esta maratona. Você quer corrê-la também?! Que Deus esteja conosco a cada nova corrida que tivermos...


Lucas Andrade Ribeiro
Lucas Ribeiro
Sou Lucas Andrade Ribeiro, natural de Ipatinga/MG. Formado em Filosofia pela Unicamp e atualmente estudo Teologia na Fateo/Metodista.
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Pra frente Brasil!

17 de jul. de 2012 |


Hoje gostaria de compartilhar uma reflexão que está em minha mente desde o dia em que o IBGE divulgou os últimos dados do Censo 2010[1]. Neles, está a comprovação de que, de fato, o número de evangélicos tem crescido grandemente nas últimas décadas no Brasil.

Antes de comentar sobre estes dados, gostaria de lembrar uma coisa que faz parte da história de nosso país: o jingle Noventa Milhões em Ação[2], da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1970. Este jingle é um dos maiores marcos de uma das coisas mais comuns de se ouvir no Brasil: a afirmação de que somos a Pátria da Chuteira ou o País do Futebol. Nele, cantava-se vibrantemente que os 90 milhões de brasileiros que existiam naquela época deveriam se dar as mãos e dizer: Pra frente Brasil! Porém, por trás dessa música que empolgava a tantos brasileiros e brasileiras, acontecia o período mais duro da nossa Ditadura Militar[3]. E, enquanto muitos cantavam e assistiam jogos, outros eram presos, mortos e torturados nos porões da ditadura.

Talvez, você esteja se perguntando: o que a seleção de 1970 tem a ver com o crescimento dos evangélicos no Brasil? Olha, depende do rumo que nós, evangélicos, vamos tomar nas próximas décadas.

Vamos aos números do IBGE: segundo o Censo, nos últimos dez anos tivemos um crescimento incrível de 61%! Com isso, agora totalizamos mais de 22% da população[4] e este número ainda tende a crescer nas próximas décadas; só o tempo dirá qual será o topo dessa porcentagem. Alguns mais otimistas no meio evangélico, dizem que ainda chegaremos a 100%... sinceramente, isso eu acho bem pouco provável.

Mas voltemos aos números. Numa conta muito simples, o que temos hoje no Brasil é o seguinte: imaginemos um grupo de cinco pessoas. Nele, “três são católicos”, “um é evangélico” e “um é de outras religiões ou sem religião”.

Quando estes dados foram divulgados, muitos evangélicos ficaram eufóricos, pois ele representa o esforço de missionários protestantes que chegaram ao país há, pelo menos, 150 anos, sem interrupção. Enfim, o Brasil será pra Jesus ou será um país de evangélicos em sua maioria; é o que tenho ouvido.

Mas, com toda sinceridade do meu coração, não tenho conseguido ficar tão empolgado com estes números, pois, quando olho ao redor e vejo como o país está, penso o seguinte: o que está mudando? Estamos elegendo governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores evangélicos pra quê? Pra defenderem nosso próprio umbigo, é a resposta em grande parte dos casos! 

Só pra dar um dado do que estou falando, segundo o IBGE, o estado da Federação com menor número de católicos é o Rio de Janeiro, com 45% da população. Contudo... o Rio não é bem o estado mais exemplar do Brasil em questão de honestidade dos políticos, não é o estado com melhor distribuição dos recursos e está longe de me parecer um exemplo a ser seguido.

É neste momento que me pergunto: por que estamos comemorando tanto o crescimento dos evangélicos? Será que todos os evangélicos são iguais e têm sido motivo de orgulho para Cristo? Pois o que tenho visto na TV, muitas vezes, são pessoas que se dizem evangélicas orarem abençoando propina! Vejo apóstolo e bispa serem presos com dinheiro dentro da Bíblia! 

Por isso tudo só tenho a dizer que me envergonho e peço perdão a Deus por haver pessoas sujando o nome de tantos que buscam viver uma vida digna, justa e que tentam seguir o exemplo de Jesus. E completo pedindo que Ele tenha misericórdia de nós por, em muitas ocasiões, termos envergonhado seu Santo Nome. Peço para que nosso louvor não seja apenas um jingle, que nos mantenha distraídos da realidade ao nosso redor, mas para que nosso louvor suba aos céus como “aroma agradável a Deus”.

Frente a tudo que foi exposto, quero convidá-los à leitura de dois textos das Sagradas Escrituras, textos estes que sempre foram tão caros a este povo conhecido como evangélico: “Jesus continuou: Com o que podemos comparar o Reino de Deus? Que parábola podemos usar para isso? Ele é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes. Mas, depois de semeada, cresce muito até ficar a maior de todas as plantas. E os seus ramos são tão grandes, que os passarinhos fazem ninhos entre as suas folhas.” (Mc 4.30-32) E: “Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: — Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos.” (Mc 9.35)

No encerramento deste post, quero propor uma dinâmica diferente e que sempre foi tão presente e valorizada no meio evangélico. Não vou interpretar estes textos pra vocês, pois acredito que Deus pode, por meio dessas passagens bíblicas, trazer respostas ao Seu povo, trazendo a nós luz e direção sobre o caminho que devemos seguir como povo chamado evangélico. Portanto, convido-lhe a ler mais uma vez os textos da Bíblia expostos acima e tirar, você mesmo, suas conclusões, com a ajuda do Espírito Santo de Deus...

_______________________________________________
[4]http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html


Lucas Andrade Ribeiro
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Uai! Existe gripe espiritual?

2 de jul. de 2012 |


Tenho que admitir uma coisa pra vocês: gosto de falar de coisas difíceis. Adoro discutir sobre temas complexos e tenho certo prazer quando vejo o desencadear lógico e formal dos argumentos.

Mas... sempre que leio os evangelhos fico um pouco em crise. Pois nele vejo Deus manifestado em carne - Jesus - fazendo justamente o contrário. Ao invés de partir das coisas complexas para chegar às simples, ele tem uma tendência interessante em falar de coisas super complexas e profundas com uma linguagem simples e acessível, utilizando-se de exemplos do cotidiano, da natureza, da vida.

Pois bem, acordei hoje com uma baita gripe. Minha cabeça dói, está difícil respirar e o ânimo para fazer qualquer coisa está lá em baixo. Todos os meus sentidos estão prejudicados; sinto como se estivesse meio lerdo pra fazer qualquer coisa.

Foi justamente neste contexto, que percebi que havia um tema que estava incomodando meu coração. E entendi que Deus estava me incentivando a compartilhar: será que não estamos “gripados espiritualmente”? O que seria, afinal de contas, “gripe espiritual”? Será que é quando nós não estamos animados a ir ao louvorzão ou estamos com preguiça de acordar para a Escola Dominical? Acredito que pode até ser; mas, hoje, gostaria de abordar outra dimensão da nossa “gripe espiritual”.

Para tal, vamos ler o texto de Tiago 1.27 que nos ajuda a pensarmos sobre este tema: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.”

Lendo este texto bíblico fico a pensar em quantos momentos vejo a injustiça e o sofrimento ao meu redor e nada faço para, pelo menos, tentar transformar ou amenizar aquela situação. Muitas vezes, estou tão confortável no culto de que participo, tão agradado pelas belas músicas e pregações interessantes que ouço, que nem me preocupado em ver quem está jogado nas ruas no meu caminho para a igreja. Às vezes, estou tão ocupado com minhas próprias preocupações e demandas que mal dá pra olhar quem está ao meu redor. Meus sentidos ficam prejudicados pela “gripe espiritual”.

Então lhe pergunto: será que você também não está sofrendo de alguma espécie de “gripe espiritual”?

Alguns sintomas podem te ajudar a percebê-la e vou abordar apenas um deles. Você ainda consegue perceber que as questões que envolvem a resolução e superação de injustiças fazem parte integrante do DNA de nossa fé? Logicamente, existem muitas outras coisas que poderiam ser citadas como reflexos de nosso estado de letargia. Mas gostaria de enfatizar esse tema porque observo que esta é uma das primeiras, se não a primeira mesmo, áreas que nós esquecemos na vivência de nossa fé cristã.

Precisamos restaurar em nossos “sentidos espirituais” a imagem de um Deus de amor, compaixão e justiça, que se importa com os detalhes da vida de toda a sua criação e não apenas com parte dela, que se reúne semanalmente nos templos.

Por fim, lembro-me de outro texto bíblico que me ajuda a pensar neste tema: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.1,2).

Que Deus nos ajude a vivermos uma vida na qual sejamos livres da “gripe espiritual”, para que possamos entender qual seja a vontade de Deus, buscando ajudar nosso próximo e vivendo de forma que o evangelho de Cristo Jesus seja personificado por meio de nossas ações, que são fruto da nossa fé em movimento.

Adoremos e busquemos a Deus por meio dos mais diversos momentos que a vida na igreja nos possibilita ter, vivamos de forma que a nossa fé leve outras pessoas a conhecerem a mensagem transformadora que há na cruz de Cristo, mensagem de salvação e libertação. Mas... nunca nos deixemos dominar pela “gripe espiritual” que não nos deixa mais perceber as situações e pessoas que estão ao nosso redor, clamando por ajuda e justiça.

Que Deus esteja conosco sempre! Amém.


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Post do Leitor #005 | Não goste da minha teologia...

22 de mai. de 2012 |

não goste da minha teologia, goste de mim

Por  Lucas Andrade Ribeiro. | Título:  Não goste da minha teologia, goste de mim!

Há alguns dias estava navegando pela net e uma entrevista me saltou aos olhos, seu título era: “Não ligo se gostam da música, quero que gostem de mim”. Essa frase foi dita por um cara bem famoso da nossa história recente, o músico mineiro Rogério Flausino da Banda Jota Quest.

Não tenho o hábito de ficar pensando muito no que leio em sites de notícia, afinal, toda hora que olho surge uma tonelada de novas informações, mas... essa entrevista me deixou pensativo, pois há muito tempo não lia algo tão simples e significativo pra falar de nosso próprio tempo! Não sei se o Flausino parou pra pensar nisso, mas acredito que boa parte do sucesso de sua banda tem a ver com essa pequena frase.

Deixa eu me explicar melhor. Tem algum tempo que tenho tentado entender minha geração, em como ser relevante para ela, como fazer algo significativo e, sei lá, como conseguir passar uma mensagem pra quem está perto de mim! Estudando a história de nosso pensamento ocidental percebi um negócio que muitas vezes tem sido negligenciado por nós, cristãos. E, negligenciar isso, tem nos feito perder muitas oportunidades de transmitir a mensagem do Evangelho.

Durante muito tempo, as coisas que dizem respeito ao mundo religioso estiveram no centro da vida das pessoas; palavras como Deus e Igreja estavam em alta. Nessa época, as lideranças religiosas tinham muito poder pra influenciar a sociedade, moldando suas opiniões sobre o que era verdade e como a vida deveria ser vivida.

Mas aí começaram a vir questionamentos de vários lados, e, aos poucos, as verdades ligadas à fé começaram a ser substituídas por verdades ligadas à ciência. Esse período, conhecido como modernidade, teve seu ápice com o pensador francês Auguste Comte. Ele era um dos defensores de que a ciência levaria a humanidade a um nível mais elevado em todos os aspectos da vida.

Porém, aconteceu algo que não estava no plano dos pensadores da modernidade: a ciência chegou ao lugar de destaque pelo qual eles tanto lutaram. Contudo, as pessoas continuaram a cometer atrocidades. Nos últimos 100 anos, por exemplo, tivemos duas Grandes Guerras, o Holocausto, ameaça de guerra nuclear e diversas outras coisas que não precisam ser lembradas.

Tudo isso gerou, nas últimas décadas, uma sociedade que tem muita dificuldade em acreditar em sistemas que se afirmam como absolutos. E, se eu não acredito 100% nem na fé, nem na ciência, no que vou acreditar?! Esse é o dilema da nossa geração! Nesse contexto, a verdade começou a ser relativizada, pois “cada um tem sua verdade”.

Talvez você esteja se perguntando, mas o que isso tem a ver comigo? Em que saber essas coisas me ajuda na minha vida como cristão ou cristã? Eu te respondo: pode ajudar em muita coisa!

Pois tenho percebido que, de forma geral, as igrejas, os cristãos, têm investido muito tempo em falar sobre o que é a verdade, de como ela se articula etc. Isso é muito bom, mas... acredito que isso não toca no coração da maioria das pessoas de nossa época. Então, o que fazer?!

Pra responder a essa pergunta, recorro ao Evangelho de João 14.6 que diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Nesse texto, e em muitos outros, vejo um Jesus que ensina aos primeiros discípulos uma fé que está presente na vida, no caminho que eles percorriam pelas poeirentas ruas da Palestina do séc. I.

Jesus está vivo! E Ele nos convida a partilharmos a Verdade que um dia nos alcançou com todas as pessoas que estão ao nosso redor. Vivamos no Caminho de Jesus, que gera a verdadeira Vida! Nossa geração está mais preocupada com nossa vida do que com nossas ideias. Um dia, pessoas seguiram ideias; hoje, pessoas seguem pessoas!

Em Cristo,


BIO: Lucas Andrade Ribeiro é natural de Ipatinga/MG, filósofo pela Unicamp e atualmente é seminarista na Fateo.

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