Pátria amada, Brasil!

19 de set. de 2012 |


"O rei (governante) que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína" [Provérbios 29.4]

Neste mês de setembro, conhecido como mês da Pátria, foi comemorada a Independência do Brasil. Na Avenida Afonso Pena, aqui em BH e, provavelmente, em muitas outras avenidas e praças do país, houve, no dia 7, comemorações, desfiles militares, foguetório, festa...

Mas eu fico aqui pensando no motivo das comemorações... na célebre frase de D. Pedro, às margens do riacho Ipyranga: "Independência ou Morte!" Na luta de tantos heróis que, ao longo da história, queriam conquistar a soberania para o nosso país, a tão sonhada independência. E eu continuo pensando: será já fomos algum dia, ou somos, hoje, realmente independentes, livres, soberanos?

Vemos atualmente, tanta corrupção, tantos desmandos, tanta injustiça, tanta insensatez por parte dos governantes que não há como o povo se sentir livre. 

Claro que temos o direito de ir e vir... direito de greve, direito de protestar, direito de culto, direito de nos expressar, direito de votar! Mas, infelizmente, todos esses direitos se perdem no mar de lama em que se tornaram os poderes públicos. E, sem bom governo, sem justiça, não há estabilidade; e, como abundam o suborno, a falcatrua, os ilícitos, o povo acaba por sofrer as consequências: o país afunda... vem a ruína... econômica, social e moralmente falando.

O livro de Provérbios fala muita coisa interessante sobre o que advém de um mau governo. A bíblia nos dá um panorama sombrio para um país que não tem a direção de homens justos e tementes a Deus, que se preocupam com seus governados, que sabem que o futuro da nação e a felicidade de seu povo dependem intrinsecamente da honestidade de suas atitudes e da integridade de suas decisões.

Infelizmente, no caso do nosso amado Brasil, o que temos visto é uma série atordoante de CPI's que trazem à tona a podridão dos meandros do poder. E, para nossa vergonha, muitos ditos evangélicos estão nadando neste mar de lama e se afundando rapidamente, talvez pelo peso excessivo das propinas que carregam dentro das meias, ou escondidas entre as páginas da bíblia... talvez na mesma página em que se lê o provérbio que citei...

Liberdade, independência, mesa farta, prosperidade, pleno emprego, cidadãos felizes, só serão possíveis quando os políticos entenderem a sua enorme responsabilidade no comando do país. Quando se derem conta de que somente governando com justiça, deixando de lado o suborno, o enriquecimento ilícito, é que o país poderá realmente ser uma grande potência mundial.

Somos ricos de solo, de recursos naturais, de gente trabalhadora e esperançosa, um povo forte que não tem medo de enfrentar as dificuldades da vida. Mas somos pobres de governantes honestos, dispostos a abrir mão de benesses pessoais em prol de todo o conjunto de seus habitantes.

Neste mês de setembro, embalada já pela propaganda eleitoral que nos entra goela abaixo, oro pelos governantes do meu país e pelos candidatos que teremos que eleger em outubro. Que Deus tenha misericórdia deles e faça com que, finalmente, entendam a grandiosidade de sua missão. E que nós, povo brasileiro, tenhamos sabedoria para que, nas eleições que se aproximam, possamos eleger homens e mulheres que conheçam a justiça e governem com equidade... sejam eles evangélicos ou não.

Assim seja!


Lisieux Souza
Pastora, mãe da Anna Elisa e Revisora do Juvemetodista BLOG. 
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A Igreja e a política

31 de jul. de 2012 |


Estamos em ano de eleições municipais. Com as eleições, vem o tortuoso período de propaganda eleitoral de todas as espécies, em que pessoas se apresentam capazes de representar você na Câmara e na Prefeitura de sua cidade. Alguns, são capazes (o que não quer dizer que são todos idôneos), mas, na grande maioria, vejo grandes aventureiros buscando uma oportunidade confortável e cheia de benefícios, subsidiada pelo Estado.

Longe de mim defender uma corrente política ou um partido, até porque não os tenho, mas desejo, na minha humilde e superficial leitura dos fatos, pedir um grande favor a todos: cuidado com o seu voto. Escolheremos pessoas que vão nos representar politicamente e uma escolha mal feita pode martelar em sua mente durante quatro anos, caso você leve seu voto a sério.

Um segundo cuidado, que para mim é o mais importante: cuidado com os candidatos que se dizem cristãos, apresentando-se como representantes dos bons costumes, do evangelho e dos valores da Bíblia. Aprenda uma coisa: o EVANGELHO NÃO PRECISA DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA. Antes de ser um político defensor do valor cristão, ele tem de ser um bom homem, capaz de assumir tal postura perante a sociedade lá dentro da prefeitura, câmara, senado, ou que for... caso seja eleito. Ele tem de ser um cidadão de verdade, sendo ele cristão ou não. Que seja capaz de sofrer todas as agruras, isolamentos e sabotagens que o sistema político possa lhe imputar, apenas por querer ser justo, não somente para a Igreja, mas também para a população de toda a cidade ou nação. O evangelho não precisa ser representado politicamente; somente por Jesus, pelo Espírito Santo e por nós mesmos, pela nossa pregação e testemunho.


A igreja precisa orientar os seus fiéis quanto à responsabilidade do voto, mas não é função dela indicar nomes. O próprio Deus nos deu o livre arbítrio nas nossas escolhas e Jesus nos pediu que “déssemos a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”; logo, não podemos fazer da casa de Deus espaço de divulgação ou pedestal para César e a liderança da igreja não pode interferir na escolha de seus fiéis em prol de interesse próprio.

Apresento agora uma postura pessoal: não voto em pastores (http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/02/noticias/a_gazeta/politica/1121650-pastores-se-articulam-para-a-eleicao.html). Se o mesmo sente que tem vocação política, então que abandone seu ministério e se dedique a uma só causa. Não é a toa que muitos “pastô” fazem vergonha quando assumem cargos políticos; porque não levam nenhum das atividades a sério e acabam não sendo excelentes em nenhuma das duas funções.

Não é meu interesse ser um reacionário político ou criador de um movimento, mas simplesmente sou alguém que está farto de ver muitos representantes políticos cristãos se mancharem e os espaços estatais se tornarem um circo eclesial. A igreja só precisa de pessoas comprometidas com o Reino e que queiram abalar o mundo. No mais, ore em todo este processo, pedindo intervenção divina nas nossas escolhas e consciência dos céus em todos os candidatos.










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Pra frente Brasil!

17 de jul. de 2012 |


Hoje gostaria de compartilhar uma reflexão que está em minha mente desde o dia em que o IBGE divulgou os últimos dados do Censo 2010[1]. Neles, está a comprovação de que, de fato, o número de evangélicos tem crescido grandemente nas últimas décadas no Brasil.

Antes de comentar sobre estes dados, gostaria de lembrar uma coisa que faz parte da história de nosso país: o jingle Noventa Milhões em Ação[2], da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1970. Este jingle é um dos maiores marcos de uma das coisas mais comuns de se ouvir no Brasil: a afirmação de que somos a Pátria da Chuteira ou o País do Futebol. Nele, cantava-se vibrantemente que os 90 milhões de brasileiros que existiam naquela época deveriam se dar as mãos e dizer: Pra frente Brasil! Porém, por trás dessa música que empolgava a tantos brasileiros e brasileiras, acontecia o período mais duro da nossa Ditadura Militar[3]. E, enquanto muitos cantavam e assistiam jogos, outros eram presos, mortos e torturados nos porões da ditadura.

Talvez, você esteja se perguntando: o que a seleção de 1970 tem a ver com o crescimento dos evangélicos no Brasil? Olha, depende do rumo que nós, evangélicos, vamos tomar nas próximas décadas.

Vamos aos números do IBGE: segundo o Censo, nos últimos dez anos tivemos um crescimento incrível de 61%! Com isso, agora totalizamos mais de 22% da população[4] e este número ainda tende a crescer nas próximas décadas; só o tempo dirá qual será o topo dessa porcentagem. Alguns mais otimistas no meio evangélico, dizem que ainda chegaremos a 100%... sinceramente, isso eu acho bem pouco provável.

Mas voltemos aos números. Numa conta muito simples, o que temos hoje no Brasil é o seguinte: imaginemos um grupo de cinco pessoas. Nele, “três são católicos”, “um é evangélico” e “um é de outras religiões ou sem religião”.

Quando estes dados foram divulgados, muitos evangélicos ficaram eufóricos, pois ele representa o esforço de missionários protestantes que chegaram ao país há, pelo menos, 150 anos, sem interrupção. Enfim, o Brasil será pra Jesus ou será um país de evangélicos em sua maioria; é o que tenho ouvido.

Mas, com toda sinceridade do meu coração, não tenho conseguido ficar tão empolgado com estes números, pois, quando olho ao redor e vejo como o país está, penso o seguinte: o que está mudando? Estamos elegendo governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores evangélicos pra quê? Pra defenderem nosso próprio umbigo, é a resposta em grande parte dos casos! 

Só pra dar um dado do que estou falando, segundo o IBGE, o estado da Federação com menor número de católicos é o Rio de Janeiro, com 45% da população. Contudo... o Rio não é bem o estado mais exemplar do Brasil em questão de honestidade dos políticos, não é o estado com melhor distribuição dos recursos e está longe de me parecer um exemplo a ser seguido.

É neste momento que me pergunto: por que estamos comemorando tanto o crescimento dos evangélicos? Será que todos os evangélicos são iguais e têm sido motivo de orgulho para Cristo? Pois o que tenho visto na TV, muitas vezes, são pessoas que se dizem evangélicas orarem abençoando propina! Vejo apóstolo e bispa serem presos com dinheiro dentro da Bíblia! 

Por isso tudo só tenho a dizer que me envergonho e peço perdão a Deus por haver pessoas sujando o nome de tantos que buscam viver uma vida digna, justa e que tentam seguir o exemplo de Jesus. E completo pedindo que Ele tenha misericórdia de nós por, em muitas ocasiões, termos envergonhado seu Santo Nome. Peço para que nosso louvor não seja apenas um jingle, que nos mantenha distraídos da realidade ao nosso redor, mas para que nosso louvor suba aos céus como “aroma agradável a Deus”.

Frente a tudo que foi exposto, quero convidá-los à leitura de dois textos das Sagradas Escrituras, textos estes que sempre foram tão caros a este povo conhecido como evangélico: “Jesus continuou: Com o que podemos comparar o Reino de Deus? Que parábola podemos usar para isso? Ele é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes. Mas, depois de semeada, cresce muito até ficar a maior de todas as plantas. E os seus ramos são tão grandes, que os passarinhos fazem ninhos entre as suas folhas.” (Mc 4.30-32) E: “Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: — Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos.” (Mc 9.35)

No encerramento deste post, quero propor uma dinâmica diferente e que sempre foi tão presente e valorizada no meio evangélico. Não vou interpretar estes textos pra vocês, pois acredito que Deus pode, por meio dessas passagens bíblicas, trazer respostas ao Seu povo, trazendo a nós luz e direção sobre o caminho que devemos seguir como povo chamado evangélico. Portanto, convido-lhe a ler mais uma vez os textos da Bíblia expostos acima e tirar, você mesmo, suas conclusões, com a ajuda do Espírito Santo de Deus...

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[4]http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html


Lucas Andrade Ribeiro
Lucas Ribeiro
Sou Lucas Andrade Ribeiro, natural de Ipatinga/MG. Formado em Filosofia pela Unicamp e atualmente estuda Teologia na Fateo/Metodista.
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