Práxis Revolucionária.

9 de abr. de 2012 |


Por muito tempo acreditei que ser cristão era ser hipócrita. Por muito tempo acreditei que muitos esforços de minha parte significavam falsidade, motivada pelo medo de desobedecer a líderes, ao meu pastor ou mesmo a Deus. Por muito tempo andei angustiada por fazer coisas em que acreditava não valerem de nada, já que muitas vezes fazia sem vontade. Por muito tempo vivi um cristianismo de entrega/sacrifício por obrigação.

Uma das principais falas de Jesus em terra que me deixou por muito tempo com estes sentimentos é a que diz sobre o amor ao próximo (Jo 13:34). Amar ao outro me parecia fácil até onde meu nível de afinidade acompanhava. O problema era quando a afinidade não estava presente e eu me via diante de um estranho. Amar o assassino, amar o pai que abandona a família, amar a prostituta, o ladrão, o viciado, o irritante, o fofoqueiro, o pobre, o rico, o político corrupto, o macumbeiro. Amar o pecador. Como eu, como você. Sinceramente, para mim parecia uma missão quase impossível!

Por muitas e muitas vezes me cobrei sentimentos de amor por essas pessoas, mas não conseguia negar minha revolta em relação ao “erro” delas. Mas, se eu tivesse que representar em um teatro, dar testemunho, evangelizar, ou me declarar cristã frente a essas pessoas, eu falava que as aceitava. Graças a Deus, nós temos a chance de aprender e de sermos moldados conforme Seu querer.

Karl Marx desenvolveu a Práxis Revolucionária na intenção de criticar dois movimentos filosóficos: o materialismo e o idealismo. Enquanto o materialismo diz o homem ser determinado pelas circunstâncias (econômicas, sociais, culturais), o idealismo diz ser o homem determinado pelas ideias (pensamentos, desejos, vontades). Este conceito de Marx é basicamente “a coincidência da transformação das circunstâncias com a atividade humana”. Entende-se então, que o homem não é somente determinado pelo ambiente ou pelos seus ideais, mas há um desenvolvimento constante na interação e modificação de um pelo outro. “A teoria se modifica constantemente com a experiência prática, que por sua vez se modifica constantemente com a teoria”.

Após conhecer um pouco sobre a práxis, percebi que meus pensamentos estavam sendo motivados por uma incompreensão desse amor que Jesus nos ensina a ter pelo outro. O amor vai além dos sentimentos, e muitas vezes não nasce por eles. Amor é entrega. Amor é atitude. Mesmo que o sentimento não estivesse presente, eu poderia me entregar em amor por essas pessoas, desde que eu começasse a exercer a práxis. Como muito bem explicado no livro “O monge e o executivo – James C; Hunter”: 

"Se me comprometo a amar uma pessoa e a me doar a quem sirvo, e sintonizo minhas ações e comportamentos com esse compromisso, com o tempo passarei a ter sentimentos positivos em relação a essa pessoa." 

A minha ação no ambiente externo (considerando tudo o que existe fora de mim) age como modificadora deste ambiente, que, ao mesmo tempo, exerce influência sobre mim, modificando-me também.

Não! Não somos hipócritas por tentarmos fazer o bem sem distinção. Somos hipócritas na nossa ignorância de pensar que podemos fazer algo pelas pessoas não nos comprometendo a amá-las. 

O novo mandamento nos foi dado não apenas por palavras, mas por atitude! Sejamos fortes em seguir o exemplo do nosso mestre, permitindo-nos experimentar novos sentimentos de empatia e compaixão através de nossas ações.

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E eu com isso?

28 de mar. de 2012 |


Que me importa se tem gente morando na rua? Se tem homens, mulheres e crianças que passam fome? Se há pais sendo espancados, nesse exato momento, por filhos drogados? Se políticos, empresários e administradores, de forma geral, estão planejando mais formas de roubar e desviar dinheiro da sociedade? E daí se pessoas dormem nos chãos dos hospitais? Ou se não conseguem realizar uma cirurgia pelo SUS e sofrem de dor ou até morrem esperando? Qual o problema de alguém procurar algo para comer no lixo? E o que EU tenho a ver com tudo isso??? 

Você já parou pra pensar em ao menos uma dentre essas questões? Não quero que ninguém fique se martirizando agora ou entenda como se eu dissesse que somos super-heróis e temos de deixar de viver pra apenas chorar pelos que sofrem. Por favor, não é isso. Não acredito que podemos mudar o mundo em dois segundos, claro. Entretanto, acredito de verdade, que podemos ajudar a fazer um momento da vida de uma pessoa melhor e que isso faz muito bem a nós também.

É aquela coisa de fazer o bem ao outro e isso ser melhor ainda pra você, entende? Vou compartilhar uma experiência pela qual passei há poucos dias. 

Enquanto aguardava um ônibus próximo à minha casa, vi uma mulher revirando o lixo. Ela, logo que encontrou um copo de refrigerante do Mc Donalds e percebeu que ainda restava um pouco, pareceu nem pensar duas vezes e bebeu aquele líquido. Tive vontade de chorar. Meu coração doeu tanto! E eu não podia fazer muito por aquela senhora... Naquele momento tinha apenas uma barrinha de cereal na bolsa; fui até a mulher e entreguei, sabendo que ela necessitava de umas 50 daquela para matar a fome.

Aquela cena até hoje não saiu da minha mente e ainda me incomoda. Não quero mostrar que sou boazinha... não mesmo! Eu sei que - infelizmente - não sou. É que esse episódio me fez pensar, enquanto eu estudava as bem-aventuranças de que Jesus fala no Sermão do Monte, em como temos, muitas vezes, deixado de buscar por justiça e ajudar o outro.

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça." [Mt 5.6a]

E também Paulo escreve aos romanos e recomenda algumas virtudes, dentre elas: "Chorar com os que choram." [Rm 12.15b]

Todos os dias vemos notícias de corrupção, fraude, roubo de dinheiro público, desvios de verbas da educação, saúde, etc. Hoje mesmo vi que um hospital referência no tratamento de câncer, aqui no ES, pode deixar de receber uma verba do Governo e, consequentemente, deixará de realizar vários procedimentos, que hoje são gratuitos, à população. O pior é que isso está virando 'normal'.

Outro dia, um adolescente ateou fogo num grupo de moradores de rua e uma senhora não conseguiu fugir; teve grande parte do corpo queimada e morreu dias depois. A justificativa - se é que existe alguma - foi que ele estava incomodado com aquelas pessoas ali, próximas à casa dele. Ele seria enviado a uma unidade sócio-educativa, maaaas... É, ficou por isso mesmo.

É triste, já que poucos são os que se manifestam ou comentam as injustiças, pois já encaramos como algo comum. Como disse antes, sei que não podemos transformar o mundo num estalar de dedos. Porém, hoje convido você a pensar nas vezes em que você vai poder agir em favor do próximo com justiça. Nas vezes em que vai interceder a Deus por aquele de quem você nem sabe o nome. Quando você vai chorar com uma família que perdeu um filho devido à violência.

Acredite, você tem muito a ver com isso. Você é importante pra vida do seu próximo. Você pode ser usado por Deus pra clamar e fazer justiça. Você é bem-aventurado. Importe-se, chore, ajude, fale, faça.

E que Deus nos ajude a sermos justos.

Abração!

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Amor e respeito fazem parte do debate

29 de fev. de 2012 |


Aonde vamos parar com tamanha intolerância? Já me fiz essa pergunta várias vezes e até hoje não encontrei uma resposta sólida pra isso. Tenho participado e também observado várias conversas, debates, discussões sobre temas ‘gospel’ e, muitas vezes, a maneira como as ideias são colocadas estão longe de uma discussão saudável e que possibilite o crescimento de quem as ouve ou lê.

Somos ‘crentes’ tão carregados de preconceitos que um pensamento diferente não pode ser recebido como apenas um pensamento diferente? Quando isso acontece, vejo muito mais a separação do que a união. E será que é realmente esse o nosso propósito?

Acredito que promover a desunião não pode ser nossa vontade. E nem mesmo não dar a mínima se vai acontecer desunião ou não. Por exemplo, é triste quando alguém quer se posicionar sem se importar com quais palavras vai usar e se elas podem machucar alguém. Tenho toda certeza de que podemos discordar uns dos outros de modo que o respeito e o amor permaneçam. É também possível aprender com quem discorda de nós.

Mais uma vez pergunto: ‘Que diferença fazemos?’

Em muitas ocasiões estamos tão engessados com regras da nossa própria cabeça que valorizamos primeiramente a mudança da opinião do outro e que ele aceite o nosso pensamento e deixamos em segundo lugar o indivíduo, o outro, o nosso próximo. Isso é feio e triste!

Devemos AMAR o nosso próximo e nos importar com ele mais do que com as nossas ideias.
Ah, se conseguíssemos isso! (MT 5.13-16,43-45)

Anseio por ver um grupo de jovens que vai fazer a diferença sem ser arrogante e autoritário; que vai saber opinar, mostrar seu pensamento, não ser levado por qualquer vento de doutrina (Ef. 4.14) e que também saberá se calar e ouvir. Eu quero fazer parte desse grupo.

Forte abraço.

Paz

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Quero amar

16 de dez. de 2011 |











“Quero amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo...”.

Ultimamente tenho pensado muito em: a quem Deus se referia quando disse para “amarmos ao PRÓXIMO como a nós mesmos?”. Afinal de contas, quem é o nosso próximo? Tenho, cada vez mais, chegado à conclusão de que o referido próximo é quem está realmente próximo de nós, como nossa família, amigos e igreja. E, puxa! Não há nada mais difícil do que amar verdadeiramente e o tempo todo quem convive com você! 


Não estou falando que é fácil amar aquele bêbado que sempre entra na igreja atrapalhando o culto, muito menos dizendo que é possível amar facilmente aquele ‘simpático’ ser que coloca o som do celular alto dentro do ônibus, tampouco afirmando que podemos morrer de amores por um pivete que roubou sua bolsa. Mas o caso é que essas pessoas passam rapidinho pela sua vida e, “ já, já” somem;  não precisamos conviver com elas muito tempo. E quem está sempre com você? E aquele amigo de quem você conhece todos os defeitos, sabe tudo que ele faz e vice-versa? E seus familiares que sabem exatamente quem é você? Como é difícil amar seu irmão (de sangue) que come o seu doce que estava escondido na geladeira; como é difícil amar e honrar sua mãe que sempre fala, fala e fala, muitas vezes até sem razão!  Como é difícil amar seu pai que ronca alto e não deixa você dormir! E na igreja, então? Dificílimo amar aquele irmãozinho que pisa no seu calo, que fofoca com o seu nome e que magoa você profundamente. 

Tenho pensado tanto nisso que, muitas vezes, me desesperei! Certo dia, conversando com uma amiga, falei com ela algo de que estava quase convencida: não sou capaz de amar de verdade! Esse amor cristão, sem medidas, sem preconceitos, amor incondicional, esse eu não sei nem como é! E ela, sabiamente me disse: você realmente não é capaz! Isso não vem de você! É Dom do próprio Deus e, que lindo, é o maior deles! N’Ele você pode amar!

É difícil? É sim! Mas é desafiador, e quando alcançável, é maravilhoso!

E, cá pra nós, que graça tem um desafio alcançado sem esforço e luta?

Lutemos... amemos, pois!


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