Maravilhosa Graça

8 de abr. de 2012 |



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Post do Leitor #003| Um certo domingo de páscoa

6 de abr. de 2012 |


É o ano de 2000. São seis horas da manhã e estamos, eu, meu marido e filhos, indo para o culto de Ressurreição na Igreja Metodista Central de Belo Horizonte. Confesso que pensava comigo mesma, sonolenta, que ideia teria sido esta do Pr. Moisés de celebrar um culto a esta hora, em pleno domingo de Páscoa... vontade de estar na cama...

Minhas filhas se amontoam no banco de trás do Fiat apertadinho, caladas... isto é raro... acho que ainda não acordaram direito...
O carro pára em um sinal de trânsito e olho através da janela de vidros fechados, o rosto do menino, que atravessa correndo a rua e vai para o lado do motorista.


- “Moço, me dá um trocado”?

Maltrapilho, descalço e tiritante, apesar de ainda ser outono, ele estende uma mão pequenina e suja na direção do meu marido, que está na direção.

Deparo-me com dois olhos, negros como jabuticaba, e me surpreendo com o sorriso de dentes alvos na boquinha arreganhada de orelha a orelha. O rostinho me sorri, mas os olhos são tão tristes!

Meu marido, ainda bocejando, abre a carteira, tira uma nota de R$5,00 (não tinha menor) e a coloca na mãozinha estendida...

O sorriso se abre ainda mais, pelo valor da nota:
- “Brigado moço... Deus lhe pague... agora vô podê comprá pão prus meus irmão”.

O sinal se abre... meu marido dá partida no carro. E eu, continuo com o rosto colado no vidro da janela, olhando o vulto magro do garoto ficando cada vez mais longe.

- “Quantos anos ele tem?” – pergunto a mim mesma – “Oito, nove?” O olhar, era de uma pessoa velha.

Penso no meu café da manhã, tomado antes de sair, composto de presunto, queijo, pão quentinho, geléia, fruta e leite integral. Penso no colégio pago dos meus filhos, em minha casa sem luxo, mas confortável, em minhas roupas adequadas para a estação. Penso em minha família que se reuniria à hora do almoço, certamente também farto, acompanhado de suco ou refrigerante e sobremesa...e nos ovos de Páscoa que os esperam na casa da vovó...

Penso na minha infância. No Deus da bíblia, que me foi apresentado por minha mãe, católica praticante, que lia os salmos e rezava comigo ao pé de minha cama macia e quentinha... Lembro que ela sempre dizia pra pedirmos ao “Anjo da Guarda” que cuidasse de todas as criancinhas...

Penso na minha fé de hoje, no convívio com os irmãos da Igreja, no meu ministério como Teóloga e pastora Metodista.

Penso no meu compromisso com Jesus e em como Ele disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque das tais é o Reino dos Céus.”
Vendo o vulto do garoto finalmente desaparecer, volto meus olhos para o alto e a vergonha por ser tão impotente me atinge como uma bofetada... Elevo a Deus uma oração por aquele menino e por todas as crianças carentes do nosso Brasil que deveriam, àquela hora da manhã, estar no aconchego de seus lares, cercadas de amor e pão.

E à noite, sei que vou sonhar com uns dentinhos claros (como podem ser tão alvos se não recebem cuidados?) brilhando num céu tão negro como os olhos do menino...
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Bom, amados... Tentei escrever um texto novo sobre a Páscoa... não consegui... 

Porque, apesar da minha alegria real por meu Senhor ressuscitado, não me posso calar diante do que vejo, diariamente, à minha volta... Não me posso calar diante da miséria, da fome, da desesperança, do desamparo, do descaso, do desamor...

Não me posso calar, sendo cristã, diante de tantos valores deturpados, de tanta ganância, da total inversão da pregação bíblica.... não me posso calar diante do Cristo crucificado (por nós!) que me grita nos rostos de tantas crianças abandonadas, de tantos velhos desprezados, de tantos miseráveis, de tantos excluídos.

Não posso, pois, celebrar a Páscoa, quando o Cristo vivo, símbolo de vitória sobre a opressão e de esperança de vida abundante, não se faz presente na vida do meu irmão, embora faça toda a diferença no meu coração. Sim... doze anos se passaram desde a data do texto que escrevi... e tudo, infelizmente, continua exatamente igual.

E eu não posso celebrar a Páscoa, a “saída do Egito”, da terra de servidão, quando o meu irmão continua escravo da miséria e nós somos coniventes com isto...

Indiferentemente, comemos o nosso chocolate, enquanto crianças reviram latas de lixo, enquanto gente se preocupa mais com cachorros e gatos...Nós, seres humanos, é que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, somos coroa da Sua criação.

Que Cristo me perdoe, nos perdoe, a omissão, a falta de paciência, a falta de interesse com os Seus pequeninos, por fecharmos a eles as portas de nossas casas e de nossos corações. Afinal de contas, é muito mais fácil, dá muito menos trabalho cuidar de um animalzinho de estimação. Eles nos abanam o rabo e nos agradecem, são fiéis e carinhosos... e as crianças e adolescentes rebeldes talvez vão nos decepcionar, nos magoar, nos causar muitos problemas. Mas foi por elas, pelas PESSOAS – não pelos animais - que Jesus morreu naquela cruz! São elas, as PESSOAS, que receberam d’Ele o olhar de compaixão e a promessa de salvação. Foi a elas, às pessoas, ao nosso próximo, que o Senhor ORDENOU amar como a nós mesmos... ainda que elas não mereçam...

Portanto, neste ano, embora O saiba vivo, embora O tenha como Senhor e Rei, não tenho nenhuma vontade de celebrar a Páscoa. Vou recolher-me ao meu quarto e chorar... e, tenho certeza, Ele chorará comigo, por ver na Terra tanta inversão de valores, tanta opressão, tanta futilidade e tanta falta de amor.

Soli Deo Gloria!

BIO: Pra. Terezinha de Lisieux

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De onde vem a calma

5 de abr. de 2012 |


Se você está lendo este texto é porque felizmente não considerou o vídeo acima uma afronta, muito obrigado e parabéns! Explicando brevemente o que tem a ver a música com as imagens do vídeo e com o contexto  que elas representam, é o seguinte: sou fã da banda Los Hermanos (Sim amigo(a), ouço música "secular", blz?), ouvi esta música diversas vezes, mas na última segunda-feira aconteceu algo especial, eu prestei atenção da letra de uma forma diferente e quando fui buscá-la pra compartilhar uma de suas partes encontrei o vídeo acima e confesso que assisti bastante emocionado.

Estou estudando novamente os evangelhos, e, a cada vez que leio sobre Jesus, fico mais impressionado com Ele. Diferente do que é pregado nos dias de hoje, que nós temos que ser prósperos, bem-sucedidos, renomados e um tanto de outras coisas que uns "pastores" e "apóstolos" andam inventando por aí, Jesus não teve nenhuma destas pretensões. Quando percebia que a empolgação por seus milagres e ensino tomava o povo a ponto deles começarem a querer exaltá-lo demais, Ele dava um jeito de sair daquele lugar e ir para outro; assim foi até o dia em que Ele fez sua entrada triunfal em Jerusalém, montado num jumento, que foi emprestado, diga-se de passagem. Realidade bem diferente da de muitos dos "pastores", "apóstolos", "profetas", etc, nos dias de hoje.

Amanhã é sexta-feira santa, o dia em que lembramos de forma especial que Jesus foi julgado e crucificado séculos atrás. É impressionante que, em momento algum, Jesus reivindicou seus direitos nem usou seu poder para poupar-se da dor que havia de sofrer. O interessante é que Ele poderia simplesmente não aceitar morrer por aquele povo que, o tempo todo, o envolvia em intrigas, mentiras e planos para matá-lo; mas Ele sabia que a vontade de quem o enviara era maior que qualquer coisa.

Eu nunca me aproximei de uma ovelha, mas a comparação que a bíblia faz de Jesus com este animal é perfeita. É um animal que não oferece risco algum a ninguém, inofensivo, não resiste à morte, se cala e a aceita. Foi assim que Jesus agiu: simplesmente calou-se diante da vontade soberana de seu Pai, obedeceu, cedeu, abriu mão de seus direitos, abriu mão de seu conforto, glória, majestade; foi humilhado, desprezado, espancado, cuspido e, pra não estender mais a lista de afrontas que Ele recebeu, foi crucificado. E, se não bastasse, morreu diante de pessoas que zombavam dele dizendo coisas como: "Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo! E é o rei de Israel! Desça agora da cruz, e creremos nele." [Mateus 27:42].  

"Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca." [Isaías 53:7]

De onde veio a calma de Jesus? De onde veio essa determinação em fazer a vontade de seu Pai mesmo que isso lhe custasse a própria vida?

A motivação de Jesus em obedecer a Deus vinha do fato de saber que o mal teria fim, que seríamos reconciliados com Deus, etc. 

"Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si." [Isaías 53:11]

"Eu não vou mudar não / Eu vou ficar são / Mesmo se for só / Não vou ceder / Deus vai dar aval sim / O mal vai ter fim / E no final assim calado / Eu sei que vou ser coroado rei de mim." [De onde vem a Calma - Los Hermanos]

Se este texto te pareceu confuso até este momento, quero que fique em sua memória que a dedicação de Jesus em calar-se e submeter-se à Deus, abrir mão de seus direitos e simplesmente aceitar tamanha injustiça, o tornaram digno de receber a glória, honra e exaltação que este mundo jamais daria a Ele. E nada daquilo que podemos conquistar aqui pode ser comparado com aquilo que Jesus conquistou por nós, pois tudo neste mundo e existência é passageiro, mas a vida que aquele que morreu e ressuscitou no terceiro dia após sua morte nos oferece é eterna. 

Feliz páscoa, Deus te abençoe!

Forte abraço!

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Páscoa, o que é isso?

4 de abr. de 2012 |

Percebo que a forte ênfase no chocolate no período da páscoa, tem engolido o real sentido dela. O que era pra ser engolida por nós (chocolate), está engolindo o sentido profundo desta festa.

Nessa semana, durante uma aula de exegese do antigo testamento, nosso professor e pastor Tercio Siqueira nos proporcionou um momento edificante de reflexão sobre o sentido da páscoa. O professor fez uma análise da procedência da palavra páscoa no hebraico. Ele nos ensinou que a palavra páscoa (no hebraico: “Pecach”) que é um substantivo, é procedente da palavra em hebraico “Pacach”, que são dois verbos, “mancar” e “saltar ou saltar por cima”.


Para o povo judeu a páscoa é a celebração da libertação dos israelitas do Egito. Libertação que se concretiza devido ao resultado da decima praga. Esta praga é a passagem do anjo da morte sobre as casas do Egito para levar a vida dos primogênitos. Neste dia, Deus ordenou que o povo israelita separa-se um cordeiro sem defeito para ser sacrificado e para a família comer a carne do animal (cf. Ex. 12:1-6).

Também foi ordenado que o povo passasse o sangue do animal sacrificado nas laterais das portas (cf. 12:7). O sangue era um sinal de que o anjo da morte passaria (“Pacach”, saltaria) por cima da casa e não levaria a vida dos primogênitos de Israel (cf. 12:12-13,23). A festa da páscoa para os israelitas significa liberdade da opressão egípcia. O Livramento de uma vida manca/oprimida, através do salto de Deus sobre a casa dos israelitas (cf. 12:25-27).

E para nós cristãos o que isso significa: Mancar e saltar?

Para nós cristãos, a páscoa é a celebração da ressureição de Jesus Cristo. Assim como a páscoa judaica é a “pacach”, salto para a liberdade de uma vida manca. A ressureição também é a “pacach”, salto da morte (mancar) na cruz para a vida.

A mensagem da páscoa para nós cristãos nos convida a levar a boa nova do saltopara a vida aos mancosque estão à nossa volta. Este momento deve nos despertar para a missão do evangelho. Possibilitar aos mancos/oprimidos, um saltopara a alegria da salvação. Isso me parece uma boa notícia!

O texto de Atos 3:1-10, onde Pedro e João dão a oportunidade de um manco/aleijado saltar para uma nova vida, é a mensagem da páscoa. Mensagem que através da morte do cordeiro Jesus, faz as nossas mancadas na vida se transformarem em saltos de alegria e louvor a Deus, quando nos rendemos a Ele.

É momento de sermos uma igreja que leva liberdade às pessoas que estão mancando à nossa volta. Não devemos apenas emprestar muletas espirituais, para os mancos tentarem saltar. Devemos ser aqueles que levam a oportunidade de saltos de alegria, através da mensagem da “Pacach”, o salto da morte para a vida.

Minha oração é que nós como igreja de Cristo, possamos ser como Pedro e João. Aqueles que não emprestam muletas, “Não tenho prata nem ouro, (...)”, mas, levam a mensagem do salto para uma nova vida através de Jesus, “(...) mas, o que tenho isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, ande.”.

Ótima páscoa todos vocês!



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