Stopmotion - parte 2

11 de jan. de 2012 |











No último post, falei um pouco sobre o que é o stopmotion e acabei falando de uma técnica conhecida como Claymation (barro animado), que trabalha com bonecos de barro, látex, massinha etc. O stopmotion também pode ser feito por recortes. A câmera filme os recortes de papel se movendo. Um exemplo é o filminho que nós aqui do blog fizemos para o aniversário para o Luiz Fernando.



Outra técnica super legal é a partir das câmeras analógicas Lomo. Numa explicada rápida, a LOMO é uma empresa fabricante de equipamentos ópticos da Rússia que servia para “dar emprego” na época do Leningrado. São câmeras, em comparação com as outras, ruins, feitas com baixo orçamento, que possuem certos defeitos de fábrica, como a péssima vedação da câmara escura e suas lentes de plástico. Isso pode parecer ruim, mas, hoje, a Lomografia (fotografia com Lomo) é cult, rs. As fotos são feitas pelo acaso, e essa é toda a graça. Com filmes vencidos, revelação cruzada e afins, as fotos feitas com os diversos tipos de Lomo atraem seguidores até hoje. Mas vamos voltar à técnica. A Lomokino é uma câmera que leva o mundo das fotografias para o filme. É uma câmera filmadora feita para criar curtas em 35mm. O site da Lomography (lomography.com.br) disponibiliza vários curtas feitos com a câmera, e ela até pode ser comprada no site pela bagatela de R$199. Para quem tem interesse em começar a fazer curtas com a Lomokino, o site também disponibiliza notas de produção com tutoriais desde a colocação do filme até a pós-produção em programas como Windows Movie Maker e Adobe Premiere. Aqui temos exemplos de curtíssimos feitos na Lomokino:


The Lomography LomoKino from Lomography on Vimeo.
Lomography LomoKino Teaser No.2 from Lomography on Vimeo.
Carnaby Street - LomoKino from Lomography on Vimeo.
Outra técnica é Pixillation. É feita com atores vivos ou objetos reais captados quadro a quadro. É uma técnica muito usada nos trabalhos finais de cursos de animação no país. Temos os exemplos do Ilha Design 2008:

Os lindos comerciais do Amazon Kindle:

E o maravilhoso e favorito clipe do Coldplay, Strawberry Swing:

Agora, pra quem quer seguir carreira na animação, não só em stopmotion, tenho algumas dicas. No ano passado fiquei sabendo que a UFMG havia aberto o curso de graduação em Cinema de Animação e Artes Digitais. A Universidade Anhembi Morumbi também possui um curso superior na área, Tecnologia de Produção Multimídia: Design de Animação. A PUC-Rio possui uma opção em pós-graduação em Animação. E pra quem não tem tempo ou não pode fazer uma graduação/pós, temos o Anima Mundi. É um festival que acontece todos os anos no Brasil, dedicado à animação. Também é uma “escola” que oferece diversos cursos o ano todo (inclusive Intensivo de Férias). 

É isso. Qualquer um pode fazer um stopmotion, desde que tenha criatividade e disposição. Em breve, teremos mais uma série de posts. Fiquem ligados :) 

E quem quiser sugerir algum post dentro dessa área (cinema, animação, design ou arte) sinta-se à vontade para dizer nos comentários! 

Abraços! :)


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Stopmotion

6 de jan. de 2012 |


Desde “sempre” quero trabalhar com algo que tenha a ver com design e filmes, principalmente com animação. Existem diversos tipos de animação: stopmotion, 2D, 3D, se pudermos considerar, também existem os flipbooks (que não seria exatamente um filme).

O stopmotion, tipo o que eu tratarei hoje, é uma técnica de fotograma a fotograma. Isso significa que é feita por fotos, montadas quadro a quadro, até que formem o que chamamos de filme. Num exemplo bobo, imaginemos que você pegue aquele dinossauro do seu irmão mais novo (ele deve ter articulações nos braços e pernas, de preferência) e aí resolve que irá filmá-lo destruindo uma cidade (uma maquete ou a cidadezinha do Lego que você já montou). O dinossauro deve ser fotografado quadro a quadro. Movimenta-se um braço e se fotografa. Movimenta-se outro e se fotografa novamente. E assim por diante. Movimento por movimento. Um por um. O que pode ser cansativo, dependendo do tamanho do filme que se quer criar.




Bom, agora que já sabemos o que é, vamos falar dele. O stopmotion na história é algo antigo. George Méliès, o famoso ilusionista francês que se apaixonou pela máquina dos Lumière (a primeira câmera filmadora e também projetor: o cinematógrafo), fez diversos filmes inusitados, e é considerado o pai dos efeitos especiais. Ele gostava de modificar os fotogramas, cortando cabeças, fazendo-as voar, coisas desse tipo. Coisas que, até então, a maioria das pessoas jamais havia visto e era bastante assustador para a época (lembremos que as pessoas tinham acabado de conhecer o “cinema” e isso já era assustador o suficiente). Méliès usava a técnica do stopmotion: filmava um quadro, parava, mudava a cena e voltava a filmar. E assim, quadro a quadro, obtia o resultado de tantos efeitos especiais. Seu filme mais conhecido é “Le voyage dans la lune” (A viagem à Lua - 1902). Obs: Méliès não fazia os filmes fotografados, mas adicionava os efeitos da mesma forma (parando a cena, mudando e continuando a filmar).




Saindo dessa atmosfera antiga, vamos partir para o stopmotion hoje: quem faz, quais filmes, técnicas adicionais e o sucesso de bilheteria.


Tim Burton, cineasta americano que dirigiu filmes como “Edward Mãos de Tesoura” e “Alice no País das Maravilhas”, em 1982, dirigiu seu primeiro curta-metragem em stopmotion: “Vincent”.




Em 1993, Burton lança seu primeiro longa em stopmotion, o primeiro filme em stopmotion a ser distribuído no mundo todo. O filme foi feito meticulosamente: ao todo, foram feitos 227 bonecos e reuniu os melhores animadores de stopmotion da atualidade. Mais tarde, Burton produz e co-dirige o filme, que eu diria ser o melhor até hoje, “A Noiva Cadáver”. O filme foi feito com a técnica de stopmotion, finalizado digitalmente. Cada um dos 20 personagens mais importantes teve um número de 14 bonecos de aço e silicone, além dos animadores terem de preparar 34 miniaturas de cenários do filme. Ao todo, foram batidas 109 mil fotos.



Além dos filmes de Tim Burton, temos também os famosos longas: “A Fuga das Galinhas” e “Wallace & Gromit”, produzidos pela Aardman Animations. Tanto “Noiva Cadáver” quanto os outros dois últimos foram feitos com a técnica Caymation, que corresponde ao stopmotion feito com bonecos de barro, plastilina, massinha de modelar ou látex animados (o chamado barro animado).

Este artigo continua na próxima semana.


 

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