Histórias Cruzadas

2 de mar. de 2012 |

Hoje quero escrever sobre uma coisa diferente. Não quero tentar "algo novo".. mas estive incomodada a passar algo para outras pessoas, algo que tirei do último filme que assisti.

Já é de se perceber que eu vejo muitos filmes.. eu realmente gosto. Não tenho distinção de gêneros, atores ou roteiros. Gosto de tudo um pouco.


Assisti a "Histórias Cruzadas (The Help)", indicado ao Oscar 2012. Não preciso explicar a história.. espero que quem não ouviu falar ainda dê uma googlada. Mas, resumidamente, trata-se de uma moça (Skeeter) que começou a escrever a história das empregadas domésticas de Jackson, Mississipi, na visão das próprias domésticas. O filme se passa na década de 1960, quando os direitos civis estavam apenas começando.



Não preciso dizer, também, que nessa época, os negros eram tratados como lixo nos EUA. E que a carreira óbvia para as mulheres negras era a de se tornarem empregadas domésticas, como suas mães haviam sido, suas avós, e assim por diante.

Quero tratar hoje de como um filme consegue colocar à prova não só o que aconteceu naquele lugar, naquela época, bem como o que acontece aqui e agora.

Mesmo com partes tão engraçadas, em que nós, espectadores, torcemos pela vingança das empregadas sobre suas patroas, o filme nos dá tapas de luvas várias vezes, quando vemos que as pessoas mais humildes e maltratadas são as que refletem o versículo que diz que devemos amar os nossos inimigos. Quão difícil, nós pensamos; nós, que temos uma vida muito boa, se comparada à situação em que essas mulheres viviam. Eram rebaixadas, subordinadas por uma coisa que estava além de sua escolha: a própria cor da pele. Ser negro implicava em ser menor, em ser lixo, em ser "algo". Algo que, mesmo assim, servia para cuidar dos filhos das patroas..

Vemos que elas cuidavam com todo o amor, como se elas mesmas fossem as mães verdadeiras. Mesmo com tudo o que sofriam, nada davam em troca às crianças de que cuidavam. Imaginem só que oportunidade de vingança elas tinham nas mãos todos os dias. No entanto, quanto amor ali foi dado a essas crianças..

A própria vontade de escrever as histórias veio de uma moça, que foi criada por uma negra, que viveu o outro lado da história.

Só penso em quantos problemas temos hoje, por causa dessa herança maldita, racista, absurda. Tanta maldade por nada. Tantas falhas na ordem da vida.

Gostaria que alguém realmente tivesse escrito esse livro ("The Help"). Gostaria que alguém tivesse se colocado no lugar dessas pessoas...

Mesmo assim, certamente, essas mulheres continuaram a sofrer preconceitos. Continuaram a ser tratadas como lixo. Ainda assim, elas se propuseram a contar suas histórias... mesmo sabendo de toda represália que poderia haver.

Foi um filme muito bonito.
Ensinou-me muitas coisas.
Reacendeu-me a chama.
Mostrou-me verdades..

Espero que vocês também consigam tirar boas lições daquilo que têm assistido..



Leia mais

A Viagem de Chihiro

9 de dez. de 2011 |



A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi/Spirited Away) é um filme de animação japonês dirigido por Hayao Miyazaki, um dos maiores nomes da animação japonesa. É um filme muito famoso por ter ganhado prêmios como o Oscar de Melhor Animação em 2003.


O filme conta a história de uma menina chamada Chihiro, que está mudando de cidade junto com seus pais. Ela é jovem e mimada, e é o estereótipo da garota moderna. Quando a família chega em sua nova cidade, o pai de Chihiro se perde no caminho para a casa nova, e entra num atalho, que o leva à um prédio vermelho, com um túnel imenso, o que desperta a curiosidade de todos.


Ao caminharem pelo túnel, chegam à uma cidade misteriosa e deserta, com muitos restaurantes, muita comida, e ninguém por perto. Em seguida, os pais de Chihiro começam a devorar a comida, enquanto a menina os deixa por um instante, para conhecer melhor a cidade. Um jovem, Haku, a encontra, e misteriosamente a pede para que ela saia dali o mais rápido possível antes que anoiteça, e quando ela volta a encontrar seus pais, vê que eles se transformaram em porcos.

Sozinha, Chihiro deve encontrar uma maneira de trazer seus pais de volta, mas ao mesmo tempo em que anoitece, a cidade se vê cheia de espíritos, monstros e deuses, e é Haku quem a ajuda. Ela tem de trabalhar no mundo dos espíritos, abandonar seu egoísmo e seu mimo, se quiser ter seus pais de volta.

O filme é enorme, mas é lindo. Conta com muito da cultura japonesa tradicional, muitas cores, muita delicadeza. É um filme completamente diferente de outros, chegando até a ser um pouco estranho para nós, ocidentais. Não estamos acostumados com a cultura oriental, seus credos nem suas tradições, e este é um ótimo filme para que passemos a conhecer. É também um filme que trata de lembranças, mudaças de atitude, deixar de lado as diferenças e vontades próprias para um bem maior.




Uma observação pessoal é que, se puderem assistir ao filme em japonês com legendas em português tudo fica mais bonito :) É bem bonitinho ouvi-los falando em japonês, e falo isso em comparação com outro filme, também do Miyazaki, que assisti em português.
ATUALIZADO EM 09/12, 15:50 - Uma observação, pra quem estiver afim de assistir o filme e depois acabar não entendendo direito sua mensagem. Como é um filme cheio de símbolos da cultura japonesa, encontrei uma dissertação sobre a tradução das metáforas do filme. Fica a dica aí, encontrado no site Nipocultura, este é o link.



Leia mais
Próxima Página